Giving Brasil 2020

Terceira edição da pesquisa Brasil Giving Report sobre o comportamento do doador individual brasileiro realizada pela Charities Aid Foundation (CAF), que abrange o período de agosto/2018 a julho/2019. Entre os achados desta edição, a elevação da confiança dos brasileiros nas ONGs, a forte demanda quanto ao investimento social feito por empresas e a maior mobilização das pessoas em torno de causas políticas e sociais. O valor típico doado neste período foi R$ 200 reais.

A nova Pesquisa Doação Brasil

A Pesquisa Doação Brasil 2020 está no ar! Considerado o mais importante estudo sobre doações feitas por indivíduos no Brasil, a Pesquisa foi coordenada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e realizada no início de 2021, refletindo as ações e o comportamento dos doadores ao longo de 2020. A última edição tinha sido conduzida em 2015 e era muito citada. Agora, dá para contar com novos e fresquinhos dados de um levantamento bem completo do perfil do doador brasileiro, que ajuda o terceiro setor a se planejar e a melhorar suas práticas. Quem contou tudo neste episódio do “Aqui se faz, AQUI SE DOA!” foi Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS.

O que aprendemos sobre cultura de doação em 40 episódios?

O clima de nostalgia invadiu o estúdio! A primeira temporada do podcast “Aqui se faz, AQUI SE DOA!” chegou ao fim! Depois de quarenta semanas trazendo discussões de qualidade sobre cultura de doação, Artur Louback e Roberta Faria fazem uma retrospectiva dos episódios mais ouvidos e convidam as colunistas Duda Schneider e Rafa Carvalho para responder uma rodada relâmpago estendida.

Especial: Retrospectiva 2020

O ano de 2020 foi intenso para muitas pessoas, mas há muito o que se lembrar e comemorar no que diz respeito à cultura de doação. Para refrescar a memória daqueles que se interessam pelo tema, a equipe do “Aqui se faz, AQUI SE DOA!” conversou com Patricia Lobaccaro, que trabalha com consultoria estratégica em filantropia, sobre doze fatos marcantes do ano, um para cada mês.

O que a pandemia nos ensinou sobre doar?

Quais lições podem ser levadas para o futuro da cultura de doação a partir de um ano em que todo mundo precisou de ajuda? Como manter o ritmo daqui para frente? A equipe do “Aqui se faz, AQUI SE DOA!” conversou com Carola Matarazzo, do Movimento Bem Maior, e outros especialistas sobre o legado da pandemia e as oportunidades para continuar doando nos próximos anos.

Como doar uma herança?

A princípio, “herança” pode parecer um assunto que interessa apenas a milionários. Em algum momento, contudo, todas as pessoas pensam em qual legado querem deixar no mundo. A equipe do “Aqui se faz, AQUI SE DOA!” conversou com especialistas, como a advogada Priscila Pasqualin, para entender melhor o tema da doação de heranças no Brasil, os seus principais entraves e possibilidades. Foram incentivadas também doações que não dependem de larga conta bancária, como a doação de órgãos, algo que todos podem se comprometer.

Como as empresas podem doar?

Há tempos dizem que as empresas podem e devem fazer mais: podem ser mais sustentáveis, mais justas e mais conectadas com as questões socioeconômicas ao seu redor. Trata-se da chamada “cidadania corporativa”, assunto da conversa do “Aqui se faz, AQUI SE DOA!” com alguns especialistas, incluindo Cássio Aoqui, fundador e CEO da consultoria ponteAponte, focada em investimento social.

O ABC da cultura de doação

O universo da cultura de doação engloba uma quantidade enorme de termos que são, muitas vezes, estrangeiros (em inglês). Mas será que todos entendem as mensagens transmitidas? Não haveria como amenizar as possíveis barreiras linguísticas?

Richard Sippli, coordenador de relações institucionais do Movimento Bem Maior, auxilia os hosts Roberta Faria e Artur Louback na tarefa de criar um glossário com os termos que todos os interessados em doação deveriam saber.

Encontros Grupo de Colaboração Grantmaking

Os Grupos de Colaboração são ciclos de intercâmbio de práticas e experiências pelos participantes em torno de temas nucleares para a ação cotidiana e efetividade no setor e fazem parte da programação fechada do 11º Congresso GIFE, sendo assim exclusivas para inscritos no Congresso.

O tema inaugural desta atividade foi Grantmaking. A prática de doação (grants), de forma estruturada para organizações ou iniciativas da sociedade civil, também conhecida como grantmaking, tem se difundido no Brasil nos últimos anos. Seus contornos e práticas, no entanto, carecem de reflexão e profundidade. O trabalho do grupo de colaboração buscou estimular uma reflexão sobre questões centrais que permeiam a prática de grantmaking a partir de uma perspectiva institucional e debater aspectos que articulam essa modalidade como agenda pública e também prática filantrópica.

Sistematização Grupo de Colaboração Grantmaking

O Grupo de Colaboração Grantmaking, ação integrante do 11º Congresso GIFE em parceria com a Rede Temática de Grantmaking, foi realizado de 5 à 26 de novembro de 2020 e reuniu diferentes atores do ecossistema, entre eles representantes de organizações da sociedade civil, investidores sociais, consultores e academia, além de contar com a participação dos especialistas André Degenszajn e Iara Rolnik, do Instituto Ibirapitanga. Uma atividade que estimulou reflexões sobre questões centrais que permeiam a prática de Grantmaking e debateu aspectos que articulam essa modalidade como agenda pública e prática filantrópica. Os encontros também permitiram mapear as principais inquietações sobre o tema, aprofundar desafios comuns, trocar boas práticas e refletir sobre possibilidades para avançar em diferentes frentes. Confira neste documento uma síntese com os principais pontos debatidos pelo grupo ao longo desta jornada colaborativa.

Modern Grantmaking, with Gemma Bull & Tom Steinberg

In this episode of Giving Thought, a podcast by CAF, Rhod sat down with Gemma Bull and Tom Steinberg, authors of new book “Modern Grantmaking: A Guide for Funders Who Believe Better is Possible”. In a wide-ranging conversation, they discussed:

  • Humility & Funder Ego
  • Diversity, Equity & Inclusion
  • Privilege & Power
  • Participation & Movement
  • Funding practices
  • Risk and Innovation
  • Evidence and Impact

Philanthropy and COVID-19 in the first half of 2020

The impact of the COVID-19 pandemic on communities worldwide was swift, hard and devastating especially on the most vulnerable people. Philanthropy has played a vital role in providing critical support to various organizations leading relief and recovery efforts. Amid tragedies and hardship, how did the world’s largest grantmakers and donors respond?

The Impact of Covid-19 on the Global Philanthropic Sector

Covid-19 is catalyzing a transformational wave of change across the philanthropic sector around the globe. This report presents the following context and goals:

  • Covid-19 has revealed new vulnerabilities and inequities worldwide, profoundly impacting foundations and their grantees.
  • Dalberg initiated the “Covid-19 Philanthropic CEO Barometer Survey” and in-depth interviews to understand the impact of Covid-19 on the philanthropic sector, with a focus on foundations.
  • Foundations and philanthropists are rushing to execute emergency plans, assemble resources, and reassess strategies, while managing disruptions to their operations.
  • The research aims to inform immediate sector decisions and serve as a starting point for reflection on longer-term implications.

Listening During COVID-19: A Framework for Funders

Funders are feeling the need to confront the COVID-19 pandemic quickly and effectively. Listening, especially to nonprofit partners and the communities funders ultimately seek to serve, is essential to doing so. More than 750 funders and philanthropic leaders have committed to listening to communities least heard, lifting up their voices and experiences to inform public discourse and their own decision-making throughout their COVID-19 response. They recognize that listening helps ensure that their response to COVID-19 will be more effective, efficient, and equitable. This framework lays out high-impact funder listening priorities during COVID-19.

COVID-19: How Have Funders Changed Their Approach & What Will Stick?

In April 2020, Exponent Philanthropy and PEAK Grantmaking each fielded a survey to see how their funders were responding to the impact of COVID-19 on their communities, grantees, and internal operations and processes. Inspired by their members’ collaboration during these challenging times, PEAK and Exponent partnered to analyze the survey results in the context of additional reflections and guidance from their members. This report shares some findings.

The Voice of Charities Facing COVID-19 Worldwide (Vol. 4)

In its fourth COVID-19 survey, conducted from June 25 to July 10, Charities Aid Foundation (CAF) of America, in partnership with CyberGrants and The Association of Corporate Citizenship Professionals (ACCP), captured the voices of 73 corporations and corporate foundations that shared the impact of the pandemic on their philanthropic giving. This report provides insight into corporate philanthropic efforts since the pandemic began. The experiences of the past few months enable donors to consider how actions taken to support the resilience of communities in need have fared, and how this knowledge can help the global community navigate the best path forward.

Filantropia Colaborativa

O terceiro volume da série “Temas do Investimento Social” aborda o conceito de Filantropia Colaborativa, ou seja, formas de colaboração que têm como pré-requisito a participação de no mínimo dois atores da filantropia com envolvimento de recursos financeiros em pelo menos uma das seguintes esferas: colaboração na mobilização ou colaboração na coordenação, alocação e/ ou gestão de recursos financeiros privados para produção de bem público. A publicação busca, assim, apresentar um panorama sobre o desenvolvimento de novas arquiteturas que permitem e contribuem com o aprofundamento dos modos de ação coletiva e colaborativa no setor, além de debater os limites e desafios e apontar caminhos para um aprofundamento qualificado das formas de colaboração no campo da filantropia e do investimento social.

Foundations Respond to Crisis: A Moment of Transformation?

Amid the compounded crises of COVID-19 and the long-standing structural inequities the pandemic is exacerbating, the myriad calls for funders to make fundamental changes in how they approach their work have grown in number and intensity. This study is the first in a series of three reports from Center for Effective Philanthropy (CEP) examining the extent to which staffed foundations have improved their practices in response to calls for change to meet the unprecedented challenges of 2020.

Foundations Respond to Crisis: Toward Equity?

The disproportionate public health and economic impacts of the COVID-19 pandemic on certain communities, along with nationwide protests against police violence and racial injustice, have intensified the calls for foundations to focus on equity and reckon with anti-Black racism in a deeper way than they had before. This study is the second in a series of three reports from Center for Effective Philanthropy (CEP) examining the extent to which staffed foundations have improved their practices in response to calls for change to meet the unprecedented challenges of 2020.

Foundations Respond to Crisis: Toward Greater Flexibility and Responsiveness?

Nonprofits and funders alike have long called on foundations to be more flexible and responsive, to provide more unrestricted funding, to reduce what they ask of grantees, and to build more trusting relationships. Amid the COVID-19 crisis, these calls for change only intensified. This study is the final in a series of three reports from Center for Effective Philanthropy (CEP) examining the extent to which staffed foundations have improved their practices in response to calls for change to meet the unprecedented challenges of 2020.

Filantropia corporativa no Brasil: uma análise das doações empresariais em meio à pandemia da Covid-19

A pandemia da doença do coronavírus 2019 (coronavirus disease, Covid-19) resultou em uma onda filantrópica sem precedentes na história brasileira. Muitas empresas atuaram diretamente no alívio de dificuldades imediatas da população e realizaram doações para organizações da sociedade civil (OSC), municípios, estados e governo federal. Este trabalho busca compreender os padrões dessas doações e como essa experiência impactou no modo como as empresas realizam e encaram suas ações filantrópicas. Para isso, foi adotada uma estratégia de pesquisa em dois estágios. Primeiro, foi feita uma análise quantitativa das 150 maiores doações empresariais para enfrentamento da Covid-19 – de acordo com os dados do Monitor das Doações (ABCR, 2020) –, delineando tendências e padrões das grandes doações corporativas no Brasil. Em um segundo momento, foram entrevistados nove atores centrais no processo de tomada de decisão das grandes doações empresariais no país, visando não só validar os achados quantitativos, como especialmente almejando obter uma compreensão aprofundada do processo decisório interno das empresas doadoras e dos aprendizados de longo prazo, como o alinhamento da ação filantrópica às estratégias corporativas. Argumenta-se que as grandes doações empresariais realizadas durante a pandemia podem ser compreendidas de uma perspectiva estratégica, em que empresas de diferentes setores econômicos adotam comportamentos filantrópicos distintos, levando em consideração as condições do contexto competitivo em que se encontram. Por fim, esta pesquisa apresenta considerações sobre o que mudou na filantropia corporativa brasileira, de uma perspectiva dos agentes desse setor, enfatizando três grandes aprendizados oriundos dessa situação trágica de pandemia: tomadas de decisões rápidas e multissetoriais, alinhamento de eficiência econômica e benefícios sociais, e a construção e fortalecimento de redes de apoio e cooperação.

Filantropia da Próxima Geração: encontrando o caminho entre tradição e inovação

Esta publicação integra a coleção “Philanthropy Roadmap”, iniciativa da Rockfeller Philanthropy Advisors (RPA) que tem como objetivo fornecer orientação sobre as questões mais relevantes do setor filantrópico. No Brasil, a RPA cedeu gentilmente ao Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) o direito de traduzir e complementar o conteúdo. O objetivo específico do guia “Filantropia da Próxima Geração: encontrando o caminho entre tradição e inovação” é inspirar os novos filantropos a sonhar e considerar outras possibilidades, planejando doações que tragam alegria e satisfação.

O que a pandemia nos contou sobre doar

A partir de uma investigação fenomenológica, este artigo busca iluminar a natureza das alterações ocorridas na cultura de doação brasileira a partir da mobilização em decorrência dos impactos da Covid-19, assim como seus padrões ou permanências. Partimos do princípio de que a doação não é mero objeto, é uma atividade que se relaciona diretamente com dinâmicas sociais presentes em nossa realidade brasileira, e tem os arquétipos de poder inerentes à cultura brasileira como pano de fundo. A forma como ela se expressa (como é, não como deveria ser) nos fornece insumos sobre nós, sociedade, assim como a nossa forma de ser revela aspectos – por vezes despercebidos – da doação. Para chegar nas características do doar pandêmico, ouvimos diferentes grupos focais: um com doadores e organizações de fomento ao campo, e um com organizações que receberam e distribuíram bens e recursos, assim como pesquisas elaboradas no ano de 2020, dados sobre o volume doado e referências sobre o doar pandêmico em outros países. O texto busca retratar parte do movimento cultural de doação, de maneira que aquele que lê possa ver algo das qualidades únicas do fenômeno explorado (HOLDREDGE, 2005), refletindo e construindo suas próprias imagens, e que, assim, não se propõe a trazer necessariamente respostas, conclusões ou certezas. O ano de 2020 foi marcado por um doar-reflexo, mas sua experimentação, por muitos até então não-doadores, somada à uma reflexão mais profunda sobre como ele acontece e o que é gerado pela forma como é feito, tem potencial de gerar mudanças significativas para os anos que seguem.

Pesquisa Doação Brasil 2020

A Pesquisa Doação Brasil surgiu para suprir uma lacuna de dados sobre os hábitos e pensamentos da sociedade brasileira em relação à doação. O estudo apresenta o que os doadores e os não doadores brasileiros pensam e como se comportam. A Pesquisa Doação Brasil encontra-se em sua segunda edição. A primeira, publicada em 2016, refletia o retrato de 2015. Esta, lançada em 2021, traz os dados relativos a 2020.

CAF World Giving Index 2021: a global pandemic special report

The Charities Aid Foundation (CAF) has been producing its World Giving Index for more than a decade. The first CAF World Giving Index was published in the wake of the global financial crisis, and now this long running study has given the opportunity to look at how a new global crisis – the Covid-19 pandemic – has impacted giving around the world. This report provides insight into the scope and nature of giving around the world and looks at three aspects of giving behaviour.

Grantmaking: Avanços do campo no financiamento a terceiros

Compreender como os investidores sociais financiam outras organizações é fundamental para analisar as formas de atuação da filantropia no Brasil. De 2016 para 2018 houve crescimento no número de investidores sociais classificados pelo GIFE como “essencialmente financiadores” e dobrou o volume de recursos repassado para apoio institucional ou projetos/ programas de terceiros. Os investidores sociais privados repassam recursos principalmente para organizações da sociedade civil (OSC), apesar do grantmaking não se restringir a esse tipo de repasse de recursos e envolver diversos outros perfis de organizações. Na escolha de que OSC apoiar destacam-se critérios como confiabilidade, transparência e expertise em sua área de atuação, enquanto a mensuração do impacto dos projetos/ programas se apresenta como um ponto de dificuldade apontado pelos investidores sociais na relação com as OSC.

Granting During the Pandemic: Foundations Face Increasing Calls to Increase Their Expenditures to Assist Struggling Charities

March 20 was the day the team at MakeWay (then called Tides Canada) mobilized. The Vancouver-headquartered public foundation had been reaching out to its community partners, many of which are in remote and northern communities. “People were just terrified,” says executive director Joanna Kerr. She and her team had also been hearing from donors who wanted to help. On March 25, they launched two pooled rapid response funds targeted to remote and northern communities and community-led organizations. Meanwhile, the foundation response was picking up steam across the country. They didn’t know how it would turn out. One thing they did know, though, is that the disbursement of funds had to be community-driven. Partners have been using their shared platform to make granting decisions for both funds, which they are distributing on a rolling basis, based on greatest need. The other thing Kerr knew was that she wanted to find ways to use the crisis to advance social, and systems, change that might not have been possible in normal times.

A Covid-19 e o registro de doações corporativas para OSC no Brasil: um raio-X durante a pandemia em 2020 

As notícias de recordes de doações no início da pandemia contrastam fortemente com indícios de enfraquecimento de boa parte das organizações da sociedade civil (OSC) no mesmo período. Nesse contexto, esta pesquisa tem por objetivo rastrear e analisar as doações para OSC – sobretudo corporativas – que ocorreram no Brasil de março a outubro de 2020. Por meio do levantamento de 427 doações registradas no Monitor de Doações Covid-19, da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), foram catalogadas 166 OSC beneficiadas por essas ações, bem como analisados os perfis de doadores e donatários e a transparência nesses processos. Dentre os resultados, evidenciam-se: a predominância de doações para a saúde, em detrimento de outras causas, e não envolvendo prioritariamente OSC; o baixo nível de prestação de contas dos doadores; e, para as OSC, uma possível relação entre nível de transparência, amplitude de atuação e concentração de recursos, a ser investigada em estudos futuros. Como reflexão final, pondera-se sobre a necessidade de a pandemia, em pleno curso atualmente, colocar pensadores e practitioners do campo de investimento social no rumo de encontrar novos caminhos de solidariedade e equilíbrio entre as instituições, governanças mais colaborativas e ensinamentos relevantes da sociedade civil brasileira para o resto do mundo.

Este artigo integra a série Estudos Emergência Covid, que publica reflexões e análises de pesquisadores brasileiros de diferentes áreas do saber com o objetivo de estimular, ampliar e disseminar a produção de conhecimento qualificado sobre os impactos da pandemia no campo da filantropia, do investimento social privado e das organizações da sociedade civil no Brasil.

Por um Brasil + Doador, Sempre

Como promover a cultura de doação no Brasil? Como engajar novos atores e articular este ecossistema para um esforço coletivo por esta causa? Essas são as perguntas que movem o Movimento por uma Cultura de Doação e que inspiraram a criação da Força Tarefa, berço deste Documento de Diretrizes. Após estudos e escutas, foi possível entender o panorama de doação no país e indicar caminhos fundamentais para uma cultura de doação ainda mais forte e qualificada.

Boas práticas na relação entre financiadores e donatários

Com o título “Boas práticas na relação entre financiadores e donatários”, este segundo número da série Notas Técnicas aborda alguns dos principais elementos que determinam a boa qualidade da relação entre financiadores (grantmakers) e donatários (grantees), visando qualificar as práticas de grantmaking e contribuir para o desenvolvimento de relações mais exitosas no campo do investimento social, da filantropia e das organizações da sociedade civil.

A série Notas Técnicas publica obras curtas e objetivas para estimular o debate de conceitos, oferecer orientações técnicas e detalhamentos sobre modos de fazer, buscando responder questões relevantes e práticas sobre o campo da filantropia e do investimento social.

Financiamento Baseado em Relações de Confiança: Análise sobre a Importância do Financiamento Operacional Geral e do Desenvolvimento de Competências Institucionais

Há uma percepção crescente entre os financiadores acerca da relevância do financiamento operacional geral (FOG) e do desenvolvimento de competências institucionais (DCI), como formas flexíveis de apoio que possibilitam às organizações da sociedade civil (OSCs) maior eficácia estratégica e responsividade diante de novas demandas. Este relatório, solicitado pela Fundação Citi e produzido pelo Synergos, explora como o FOG e o DCI podem auxiliar os financiadores a ampliar o impacto das organizações e, por sua vez, gerar resultados melhores nas comunidades que atendem. O relatório baseia-se na pesquisa “Capacity Building Across Borders – A Strategy for Funders and Partners” (Desenvolvimento de Competências Para Além das Fronteiras – Uma Estratégia para Financiadores e Parceiros), conduzida pelo Synergos com o apoio da Fundação Citi e publicada em 2018, que examinou as necessidades e oportunidades de capacitação que podem contribuir para o desenvolvimento global da sociedade civil.

A atuação em rede para o fortalecimento das estratégias de grantmaking: a experiência do Instituto Humanize

Com Georgia Pessoa, diretora executiva do Instituto Humanize, fala sobre os desafios, aprendizados e a importância de uma atuação por meio de parcerias e alianças para o êxito do grantmaking.

Investimento de impacto e grantmaking: visões conceituais distintas para o investimento social privado brasileiro

Apesar de ligeiras mudanças ocorridas ao longo dos últimos anos, o investimento social privado (ISP) brasileiro ainda apresenta baixo volume de grantmaking (repasse de recursos) às organizações da sociedade civil (OSC). Este artigo discute a possibilidade de tal cenário se dever a diferenças conceituais na visão do ISP e da sociedade civil para o desenvolvimento socioeconômico do país, cujas raízes podem remontar à história das origens do ISP e das OSC no plano nacional. O artigo apresenta também a emergência recente da prática de investimento de impacto no Brasil, sugerindo que, apesar de trazer grandes inovações técnicas para o âmbito do ISP, as ações ainda refletem divergências entre tais visões para o desenvolvimento social e, assim, fortalece a tendência histórica do ISP brasileiro de se afastar da prática do grantmaking direcionado às OSC.

Este artigo integra a publicação seriada Artigos GIFE , que publica reflexões e análises de pesquisadores brasileiros de diferentes áreas do saber com o objetivo de estimular, ampliar e disseminar a produção de conhecimento qualificado sobre o campo da filantropia, do investimento social privado e da sociedade civil no Brasil.

Editais Brasil

Editais Brasil é um relatório que analisa os 1.675 editais para o Brasil que foram divulgados pela Central de Editais ou geridos pela tecnologia da plataforma Prosas no ano de 2019. Com o intuito de compartilhar informação sistematizada e de qualidade sobre o financiamento de iniciativas de interesse público no país, foram analisadas as principais características dessas chamadas públicas e compiladas as informações em um material inédito sobre o perfil dos editais para as áreas social e criativa no Brasil.

Fundraising with Confidence

As Covid-19 continues to impact the world in unprecedented ways, the nonprofit sector has quickly adapted to virtual solutions to reach donors, reassure staff, and persevere through an economic downturn. The Chronicle’s latest article collection has an interview with a leader looking ahead at her fundraising plan for the year, ideas to connect with donors through video messages and telephone town halls, and a recent outlook for giving during these difficult times.

Case Global Giving: Projeto piloto de grantmaking participativo para recuperação dos terremotos do México

A Global Giving, criada em 2002, é uma organização pioneira no movimento de financiamento coletivo. A plataforma sem fins lucrativos foi uma das primeiras a oferecer um serviço online de crowdfunding. Acumula mais de 1 milhão de doadores e 26 mil projetos apoiados em 170 países. A busca por escala e impacto se dá através do apoio a lideranças e organizações locais.

Em 2017, após os graves terremotos que ocorreram no México, a organização criou o Fundo de Ajuda ao Terremoto do México que arrecadou mais de US$ 4 milhões de 21 mil doadores. Inicialmente, o fundo foi destinado a respostas mais imediatas e, com o tempo, passou a financiar recuperação de longo prazo.

Em abril de 2019, organizou-se uma reunião presencial com os parceiros – organizações apoiadas que continuavam a atuar nas comunidades afetadas – com o objetivo de compartilhar informações e promover esforços colaborativos. Pautados pela crença de que as organizações locais são as melhores posicionadas para atuar também no longo prazo e conscientes da importância de distribuição de poder nas decisões referentes a alocação de fundos, a reunião teve também o objetivo de explorar uma ação piloto de grantmaking participativo.

Clique aqui para saber mais sobre os detalhes dessa experiência piloto sistematizada pela própria organização (o texto está em inglês).

Fundação Lemann: Fortalecimento para impacto

Ao longo dos anos, o trabalho da Fundação Lemann com organizações da sociedade civil (OSCs) de todo o Brasil ajudou a instituição a entender seu papel, não apenas como financiadora, mas também como viabilizadora do impacto social no Brasil por meio do apoio ao fortalecimento institucional dessas organizações.

Para a Fundação, essa ação se dá a partir de:

  • Capacitação estratégica das organizações apoiadas centrada no desenvolvimento das organizações e de seus líderes;
  • Apoio ao fortalecimento das organizações a partir de um diagnóstico claro das mudanças internas essenciais para alavancar o impacto desejado;
  • Suporte ao desenvolvimento estruturante e sustentável para a atuação das organizações apoiadas com indicadores claros do que é considerado sucesso.

Nos últimos anos, a Fundação desenhou trilhas de relacionamento personalizadas para cada organização apoiada. Atualmente, a instituição oferece apoio variado a mais de 50 OSCs com atuações diversas. Para atender às demandas e responder às necessidades de cada uma, são realizados desde workshops até consultorias personalizadas sobre os temas mais estruturantes e relevantes para a atuação de cada organização, com destaque para avaliação de impacto e captação de recursos.

Na prática

Conheça algumas das ações de fortalecimento institucional de OSCs que a Fundação Lemann realiza:

Captação de Recursos

  • Grantees (donatários) em estágio inicial: formação teórica sobre técnicas de captação no Brasil e construção da narrativa de suas histórias de impacto (com Associação Brasileira de Captação de Recursos, a ABCR – que há 20 anos vem apoiando organizações do terceiro setor – e Social Docs – produtora especializada em histórias de impacto);
  • Grantees em estágio mais amadurecido: consultoria estratégica individualizada (com CCS Fundraising – empresa com mais de 25 anos de experiência em fundraising internacional).

Avaliação de Impacto

  • Formação teórica em grupo seguida de sessões individualizadas de consultoria (com Plano CDE – parceiro com mais de 10 anos de experiência em avaliações de impacto no Brasil – e J-PAL – consultoria de referência internacional no tema e com atuação prévia nos projetos e redes de líderes da Fundação Lemann).

Atração de Talentos

Roda de diálogo para troca de experiências conduzida com o apoio das áreas de Gente & Gestão e Líderes da Fundação Lemann (respectivamente, com a apresentação de metodologias de seleção e ações para fortalecer a diversidade do time e a facilitação da conexão entre as organizações apoiadas e as redes de fellows e talentos da Fundação Lemann para apoio ao

Resultados

Cerca de 70% das organizações apoiadas relataram que as atividades de desenvolvimento institucional se mostraram relevantes para aprimorar seu desempenho no trabalho.

Aprendizados

Ao longo dos últimos anos, a Fundação Lemann aprendeu que:

  • Ações de desenvolvimento trouxeram valor estratégico às organizações apoiadas ao mesmo tempo em que reforçaram a importância da continuidade e perenidade nas interações e discussões sobre os temas;
  • Uma rede fortalecida e ativa de organizações apoiadas tem um grande potencial de estimular a troca contínua de experiências e ajudar a convergir iniciativas. Um desafio decorrente disso é o de manter a rede engajada organicamente;
  • São inúmeras as oportunidades de alavancar conhecimento interno, da própria Fundação, a partir da interação com as organizações apoiadas – a troca entre financiadores e grantees gera muito valor para ambas as organizações;
  • A diversidade de atuação e de equipe entre as organizações participantes das formações traz riqueza para as trocas e discussões, bem como mostra a importância de trilhas de desenvolvimento personalizadas que possibilitem o fortalecimento mútuo (tanto das organizações apoiadas como da Fundação);
  • A diversidade e a pluralidade na escolha dos grantees contribuem para a troca de aprendizados nas formações, mas também podem trazer desafios. É importante estruturar as trilhas considerando o nível de maturidade de cada organização e entendendo que cada nível tem diferentes demandas e desafios;
  • A partir de uma metodologia estruturada, o processo de diagnóstico avaliativo dos pontos de desenvolvimento das OSCs contribui para que cada organização possa identificar o aspecto mais crítico a ser priorizado pelo apoio institucional. Também é recomendável contratar atores externos para a condução desse diagnóstico;

É importante que esses desafios internos estejam elencados dentro das metas da própria OSC apoiada a fim de garantir priorização e tempo de dedicação por parte da organização.

Saiba mais

Para mais informações sobre a estratégia da Fundação Lemann de fortalecimento das OSCs para impacto, acesse o site da instituição.

“É importante promover trocas que se espalhem dentro das organizações, criar uma rede que se auto-engaje, ter um olhar sobre o que a organização apoiada declara como importante em seu atual momento e entender que o apoio técnico é tão importante quanto o apoio financeiro.”

“Nosso papel como financiador do terceiro setor é viabilizar o impacto social das organizações apoiadas de forma ativa e propositiva, nos engajando não só com os projetos, mas também com o desenvolvimento institucional de cada organização. Como grantmakers, precisamos contribuir para que as organizações financiadas construam um modelo de atuação sustentável e de alto impacto.”

Aline Okada, da área de Relacionamento Institucional e Parcerias da Fundação Lemann

Laudes Foundation: Desenvolvimento institucional e redes

Criada em janeiro de 2020 em resposta à demanda global urgente de acelerar a transição para uma economia justa e regenerativa, a Laudes Foundation carrega consigo os aprendizados adquiridos pelo Instituto C&A durante seus 25 anos de atuação na educação de crianças e adolescentes.

Em 2016, o Instituto mudou seu foco de atuação para a transformação da indústria da moda. A Laudes Foundation dá continuidade a esse trabalho, integrando também outras frentes de atuação voltadas a influenciar os fluxos de capital financeiro e a transformar a indústria da construção civil. Seu intuito é enfrentar, particularmente, as desigualdades e as mudanças climáticas por meio do suporte a iniciativas inovadoras, que inspirem e desafiem diferentes setores da economia.

Uma das principais heranças do Instituto C&A que marca também a atuação da Laudes Foundation é a lente transversal de desenvolvimento institucional e redes. Esse trabalho se materializa principalmente pelo investimento no fortalecimento das organizações apoiadas no Brasil e no mundo – contribuindo para que elas concretizem suas missões -, como também pelo incentivo ao trabalho colaborativo por meio de alianças.

Na prática

Os instrumentos utilizados variam desde grants voltados ao desenvolvimento institucional das organizações da sociedade civil (OSCs), ou seja, não vinculados a um projeto específico, até apoio à formação de redes e alianças, jornadas de capacitação e doações estratégicas para o fortalecimento do campo da filantropia e das organizações da sociedade civil no Brasil.

Resultados

Como resultados esperados, a Laudes Foundation busca contribuir para:

  • Melhorar o desempenho das organizações sociais de forma integrada e sistêmica;
  • Aumentar a resiliência das organizações apoiadas;
  • Promover a colaboração do campo por meio de redes e alianças;
  • Criar um ambiente cada vez mais favorável à transformação social almejada.

Aprendizados

  • Os melhores resultados em desenvolvimento institucional foram alcançados a partir da combinação entre uma abordagem individual – atendendo às necessidades específicas de cada organização apoiada -, e um processo de aprendizado coletivo por meio da troca de experiências;
  • Há muitos fatores que influenciam o desempenho de processos de desenvolvimento institucional, como o envolvimento das lideranças, confiança dos consultores externos envolvidos e a continuidade de processos. Uma eventual troca de lideranças da organização apoiada, por exemplo, pode afetar e comprometer os resultados;
  • É necessário entender as motivações de cada organização para se engajar em um processo colaborativo. Compreender e ter clareza quanto a esses interesses pode ajudar na gestão da iniciativa e no grau de envolvimento dos participantes;
  • Muitas vezes, as organizações apoiadas acreditam que suas principais limitações estão nas áreas de comunicação e captação de recursos. Mas, conforme se aprofundam na compreensão dos processos organizacionais, é possível identificar que essas limitações podem estar refletindo aspectos relacionados à capacidade de gestão e de planejamento. Entender e influenciar essas camadas mais profundas das organizações é o grande objetivo dos processos de desenvolvimento institucional.

Saiba mais

Conheça melhor o trabalho desenvolvido pela Laudes Foundation junto a seus grantees (donatários) no site da instituição.

“As organizações da sociedade civil enfrentam inúmeros desafios para melhorar seu desempenho. Em muitos casos, o financiamento dessas organizações está restrito a projetos específicos, limitando a capacidade das organizações de investir em sua própria estruturação e desenvolvimento de capacidades. Essa luta constante para sobreviver pode levar à perda de conexão entre as atividades e a missão institucional, além de desincentivar a colaboração.”

“Na Laudes Foundation, minha responsabilidade é implantar metodologias, ferramentas e treinamentos que ajudem nossos times a melhorar o desempenho de nossos grantees. É muito importante que esse trabalho seja feito com profundidade. Por exemplo: quando olhamos para uma organização apoiada sob a ótica do desenvolvimento institucional, algumas áreas são mais visíveis que outras.”

“Atuamos como grantmakers junto a organizações da sociedade civil em temáticas bem definidas. No entanto, se no todo não tivermos uma sociedade civil democrática e um espaço cívico garantido, nós e, provavelmente, todo o setor do investimento social privado, não alcançaremos nossos objetivos. Dessa forma, mesmo considerando a complexidade e imensidão do campo, conseguimos realizar alguns apoios que fogem das temáticas de atuação da Laudes e olham para o fortalecimento da sociedade civil como um todo. No tema de filantropia colaborativa, apoiamos, tradicionalmente, o GIFE, por exemplo.”

Fábio Almeida, gerente de desenvolvimento institucional e redes da Laudes Foundation

Itaú Social: Missão em Foco

O Itaú Social realiza um trabalho de longa data junto a organizações de base comunitária. Uma das iniciativas que compõem essa atuação é o programa Missão em Foco.

O programa seleciona organizações da sociedade civil (OSCs) de todo o Brasil que já participaram de editais da instituição e que, a partir de dados de monitoramento, demonstraram grande comprometimento com o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes e dos territórios em que estão inseridas.

O objetivo da iniciativa é contribuir para que as ações que geram mais impacto se mantenham ativas e ampliem seu alcance.

Contexto

O Missão em Foco nasceu em 2017 a partir do reconhecimento de que, para garantir que ações educativas e protetivas sejam perenes e constantemente aprimoradas, é fundamental que as OSCs executoras dessas ações estejam fortalecidas institucionalmente.

Na prática, contudo, essas organizações enfrentam dificuldades de captar e direcionar recursos para este fim. A lógica de apoio a projetos – que no campo do investimento social privado brasileiro, tradicionalmente, é a forma mais comum de repasse de recursos financeiros – impede que as organizações realizem investimentos em áreas fundamentais para a sustentação de qualquer instituição, como recursos humanos, comunicação, planejamento, inovação, monitoramento de resultados e sustentabilidade econômica. E essa é uma grande barreira que, há anos, vem dificultando que as organizações avancem em suas missões.

Na prática

O programa Missão em Foco promove o apoio institucional a organizações da sociedade civil que apresentam bons resultados de monitoramento ao participarem das demais linhas de fomento disponibilizadas pelo Itaú Social, que são:

Para apoiar as demandas e necessidades específicas de cada organização, o programa, que tem duração de cinco anos, atua em três eixos: Recursos Flexíveis para a organização empregar da forma que achar melhor; Formação e Assessoria Técnica com cursos online, contratação de consultorias especializadas nas temáticas apontadas por cada organização e viabilização de intercâmbios; e Monitoramento e Avaliação do quanto a organização avança na ferramenta que mede o desenvolvimento institucional, preenchida pelo próprio grantee no começo do processo.

Resultados

Ao longo da trajetória do Missão em Foco, as organizações participantes adquirem maior percepção de si mesmas em termos de potenciais e fragilidades, a partir de autoavaliações, monitoramento, construção de indicadores e planos que requerem o pensamento institucional e não mais um olhar voltado apenas à execução de projetos pontuais.

O acompanhamento dos avanços institucionais é realizado a partir da Matriz de Desenvolvimento Institucional do programa, composta por duas grandes dimensões e 15 eixos:

A partir da combinação entre processos de autoavaliação, planejamento estratégico e acompanhamento periódico e sistemático, as OSCs apoiadas constroem um Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), sinalizando seus desafios e apontando os eixos que necessitam de apoio técnico, como assessoria técnica, cursos ou até mesmo intercâmbio com outra organização.

Entre os resultados dessas estratégias estão:

  • As organizações apresentaram crescimento de 44% em seu desenvolvimento institucional após três anos de apoio;
  • Variação na dimensão Gestão Pedagógica (22%);
  • Variação na dimensão Gestão Operacional (72%);
  • Na dimensão Gestão Pedagógica, os eixos que apresentaram maior variação foram Metodologia Participativa (40%) e Parcerias e Articulação em Rede (33%);
  • Na dimensão Gestão Operacional, os eixos que apresentaram maior variação foram Monitoramento e Avaliação (74%) e Gestão de Processos (58%);
  • Permanecem com desafios os eixos de Diversidade, Comunicação, Produção de Conhecimento e Gestão de Equipe, com notas entre 4,18 e 6,37. Esses eixos estão sendo trabalhados com as OSCs por meio das estratégias formativas de assessoria técnica, intercâmbios e cursos online (Plataforma Polo).

Aprendizados

O programa Missão em Foco trouxe muitos aprendizados, em grande parte devido à relação próxima e transparente entre o Itaú Social e as OSCs apoiadas. Conheça alguns deles:

  • Foco na missão institucional: por conta da maneira como a maioria dos financiamentos a projetos acontece, muitas organizações deixam de lado sua missão e o propósito para os quais foram criadas. Isso acontece pelo fato de, não raras vezes, terem a necessidade de se adaptar aos editais abertos. Um ‘mergulho institucional’ é imprescindível nesse contexto, a fim de que não se perca de vista o caminho que precisa ser percorrido para o alcance da missão.
  • Relação de confiança: a relação de confiança se constrói ao longo do tempo. No escopo do Missão em Foco, para que o processo de desenvolvimento institucional aconteça, é preciso haver disponibilidade e vontade de ambos – financiador e grantee – para a criação de ambiências de diálogo, escuta e construção conjunta de soluções.
  • Autonomia na utilização dos recursos: não é o financiador que indica onde e como os recursos deverão ser utilizados. Se uma organização passa pelo processo de seleção e faz um trabalho sério e relevante nos territórios em que atua, ela pode dizer com mais propriedade onde o recurso deve ser melhor aplicado para que sua missão seja alcançada. No entanto, isso não implica um trabalho solitário. É importante que se caminhe junto, auxiliando-as – caso seja necessário – a olhar estrategicamente e a fazer as melhores escolhas, garantindo que vigorem, assim, relações de corresponsabilidade.
  • Formação a partir da troca entre pares: os momentos de intercâmbio e trocas de experiências entre diferentes organizações têm se mostrado bastante contributivos no percurso de desenvolvimento institucional. Além de fortalecer a relação entre diferentes OSCs, a experiência de quem já superou alguns desafios é bastante rica, pois dialoga com aspectos muito práticos do dia a dia vivenciado por outras OSCs em contextos semelhantes.
  • Assessoria técnica específica: para que os desafios sejam superados, é preciso olhar para cada organização e entender seus tempos, possibilidades e formas de aprender. As assessorias técnicas são processos formativos feitos com base na autoavaliação e na priorização das demandas das OSCs apoiadas.
  • Monitoramento acessível e útil: construir indicadores e planilhas para serem apenas arquivadas não inspira ninguém a participar de processos de monitoramento. Assim, busca-se que o processo de monitoramento e avaliação dialogue com a capacidade das equipes técnicas e seja útil para o que elas realmente precisam.

Saiba mais

Todas as informações sobre o programa estão reunidas na página da iniciativa, no site do Itaú Social.

“As organizações da sociedade civil desempenham um papel fundamental na garantia de direitos das populações que vivem em contextos de vulnerabilidade social. Pela importância desse papel, é necessário apoiá-las de forma ampla, sem vincular os recursos apenas aos projetos que os financiadores entendem ser os melhores.”

“O Missão em Foco nos mostra como vale a pena estabelecermos relações transparentes com as OSCs. A partir de diálogo franco, conseguimos identificar as oportunidades de aprendizado e pensar os ajustes que são necessários. Não apenas nos percursos delas, mas nos nossos também.”

Camila Feldberg, gerente de fomento do Itaú Social

Tendências para a atuação de grantmakers brasileiros na nova década

Atualmente, desafios sociais, políticos, ambientais, econômicos e de saúde pública parecem ganhar proporção e contornos cada vez mais complexos. Para encontrar e promover soluções que ajudem a superá-los, é preciso uma sociedade civil fortalecida, dinâmica, solidária e capaz de articular seus diversos atores, conhecimentos, capacidades e, claro, recursos financeiros.

É nesse contexto que a filantropia brasileira assume um papel ainda mais estratégico como agente de transformações sociais, num esforço coletivo para que, no curto, médio e longo prazo, os recursos continuem chegando a organizações, causas, iniciativas e projetos comprometidos com a produção de bem público. Assim, as práticas de doação e grantmaking têm ganhado cada vez mais importância dentro dos arranjos para o fortalecimento da cidadania e democracia e para a sustentabilidade da sociedade civil no Brasil.

Dados do Censo GIFE 2018 sobre a distribuição orçamentária total das 133 organizações investidoras sociais respondentes revela que, embora a execução direta de projetos próprios ainda seja preponderante em volume financeiro, os investimentos em projetos de terceiros cresceram de 21% para 35%, de 2016 a 2018, alcançando a proporção mais alta da série histórica.

Entre 2011 e 2018, houve queda na proporção de investidores sociais privados com perfil híbrido (tanto apoiam terceiros quanto operam seus próprios projetos) de 52% para 38% e simultâneo aumento na parcela de organizações essencialmente financiadoras de 15% para 23%. Os respondentes essencialmente executores, que, em 2011, representavam 32% do total de organizações, em 2016 correspondiam a 43% dos investidores sociais privados, atingindo seu ápice. Em 2018, esse percentual caiu para 40%.

Dados como esses mostram que as práticas de grantmaking vêm adquirindo peso no campo do investimento social privado brasileiro e apontam uma tendência de atuação mais estratégica e em conjunto com as organizações de base para propor respostas e soluções aos diversos desafios sociais, mobilizando cada vez mais recursos privados para a produção de bem público.

Gráfico 1 – Organizações por forma de atuação (2011, 2014, 2016 e 2018)

Fonte: Censo GIFE 2018 (página 49)

Gráfico 2 – Organizações por forma de atuação e tipo de investidor social privado (2016 e 2018)

Fonte: Censo GIFE 2018 (páginas 49 e 50)

Conheça a visão de filantropos e executivos de organizações financiadoras sobre as tendências e a importância da prática de grantmaking nos próximos anos.

  • Aumento da visão e importância, no campo do investimento social privado, do fortalecimento da cultura de doação e das práticas de grantmaking para causas públicas da sociedade civil brasileira;
  • Apoio a temas mais contemporâneos e alinhados com as grandes questões do mundo atual: mudanças climáticas, água, equidade de gênero e racial, segurança pública, democracia, dentre outros, assim como a permanência e o fortalecimento do apoio a causas estruturantes como educação, cultura, inclusão produtiva e renda, etc.;
  • Aumento da prática de grantmaking nos países do Sul global;
  • ‘Profissionalização’ da doação: Teoria de Mudança clara, baseada em evidências e acompanhada de monitoramento e avaliação para tomada de decisões e geração de impacto;
  • Experimentação de atuação intersetorial, em vez de se especializar em temas específicos;
  • Maior colaboração e ação coordenada entre filantropos, como formação de redes para troca de experiências e aprendizados, bem como de iniciativas conjuntas de financiamento;
  • Aproximação do setor do investimento social privado com a agenda de organizações que possuem atuação comunitária e pela justiça social, o que tem incentivado institutos e fundações a apoiar de forma direta essas iniciativas;
  • ‘Boom’ de aceleradoras e programas de inovação abertos nas empresas, a fim de repensar modelos de negócio e de receita e promover melhorias incrementais no que já costumam fazer;
  • Maior consenso, no Brasil, sobre o papel do ISP no fortalecimento do ecossistema de investimentos e negócios de impacto, seja apoiando organizações intermediárias (aceleradoras, incubadoras, avaliadoras, etc.) ou experimentando novos mecanismos e serviços financeiros para além da doação (como empréstimo, dívida, etc.).
Importância do apoio institucional

A doação voltada ao desenvolvimento institucional de organizações da sociedade civil (OSCs) e outros tipos de grantees (donatários) tem despontado como uma das principais tendências na atuação dos financiadores.

A necessidade do fortalecimento institucional das OSCs apoiadas é incorporada, cada vez mais, à atuação dos investidores sociais privados, como mostram dados do Censo GIFE 2018.

A maioria dos respondentes (64%) repassou recursos para OSCs, totalizando R$ 511,3 milhões. A parcela dos investidores sociais que realizou apoio institucional (desvinculado de projetos/programas) passou de 24% para 30% entre 2016 e 2018.

Confira, a seguir, algumas reflexões sobre a importância do apoio ao fortalecimento institucional das OSCs:

  • O fortalecimento das OSCs faz com que suas reivindicações e posicionamentos sejam levados em conta na aprovação de leis, no direcionamento dos orçamentos e no desenho de políticas públicas;
  • As OSCs possuem grande capilaridade – tanto nos territórios, como nas causas de atuação -, de modo que os recursos podem ser aplicados de forma mais eficaz para o atendimento de populações que possam estar em situação de vulnerabilidade;
  • O repasse de recursos financeiros às OSCs reconhece o conhecimento específico desses atores para lidar com os desafios dos territórios e permite que as organizações tomem decisões acerca da melhor gestão e alocação dos recursos com base nesse conhecimento;
  • As organizações não vivem apenas de projetos e atividades que tenham começo, meio e fim. É necessário custear despesas administrativas, investir em comunicação, equipamentos, etc. e ter um corpo de lideranças estável, que aprende e se aprimora ao longo do tempo. É o apoio institucional que permite à organização se desenvolver como um todo e olhar de maneira mais global para sua missão e estratégias de ação;
  • O apoio institucional requer um doador capaz de reconhecer os resultados de seu apoio no conjunto dos resultados obtidos pela organização. É um financiador disposto a ser menos detalhista no monitoramento de cada doação, que dá mais flexibilidade e discricionariedade à organização e aposta na capacidade daquele grupo de pessoas de incidir sobre um determinado tema;
  • O apoio a projetos, no entanto, não é dispensável. É importante haver uma composição do apoio institucional e do repasse de recursos a projetos, pois permite que as organizações pensem em estratégias de curto e médio prazo, visualizando concretamente a transformação social almejada;
  • É importante encontrar convergência entre a agenda do financiador e a agenda das OSCs em um processo de escuta e diálogo e não de imposição – de parte a parte.

Vozes dos  grantmakers

“O grantmaking tem duas importâncias fundamentais: a primeira é o fortalecimento da sociedade civil e a segunda é o exercício da solidariedade.”
Ana Toni, diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS)

“Em todos os setores da sociedade, temos vivenciado tempos de transformação e de profundo questionamento dos modelos atuais vigentes frente à velocidade das mudanças, à urgência e à complexidade dos desafios sociais, ambientais, cidadãos e políticos. A filantropia, obviamente, não passa imune a esse contexto e vem procurando adensar reflexões que a permitam, de um lado, sintetizar um balanço dos principais legados de sua trajetória histórica e, de outro, dialogar com as críticas que tem recebido com vistas a reinventar-se.”
Fábio Deboni, gerente executivo do Instituto Sabin

“A tendência de filantropia colaborativa aumenta a chance de construção de um olhar de longo prazo, além de estimular um ambiente rico e aberto à inovação e à disseminação de conhecimentos. Essa tendência viabiliza, ainda, a mitigação dos riscos, o aumento da escala de recursos financeiros e humanos e a geração de maior impacto.”
Georgia Pessoa, diretora executiva do Instituto Humanize

“Estamos vivendo um momento de inflexão e crise e dois pontos são chave para o desenvolvimento das estratégias da filantropia de vanguarda ou aquela mais focada nos direitos humanos, políticas públicas e mudanças sistêmicas. Um é a pandemia de Covid-19, que está gerando uma demanda enorme por recursos e mudando paradigmas da sociedade. O outro ponto é que o contexto político mudou muito nos últimos anos e a filantropia estratégica estava ainda em processo de testar e desenhar as melhores alternativas nesse novo contexto quando veio a pandemia. Espero que sejamos criativos e reflexivos para implementar bons programas de financiamento que contribuam para o enfrentamento desses dois grandes desafios.”
Inês Mindlin Lafer, diretora do Instituto Betty e Jacob Lafer

“Uma sociedade civil sem organizações fortes resulta no empobrecimento de ações e ideias, na falta de escuta dos territórios e, principalmente, no aumento do esgarçamento do tecido e da coesão social. No atual contexto, todas essas considerações adquirem maior importância, desvelando, de forma contundente, que as desigualdades e as questões das periferias e dos movimentos sociais atingem toda a sociedade e não apenas os mais pobres. Aprenderemos isso de forma concreta no próximo período.”
Neca Setubal, presidente do Conselho de Governança do GIFE

Para saber mais

GIFE
O Grupo de Institutos Fundações e Empresas (GIFE) é a associação de investidores sociais brasileiros. O GIFE atua para o fortalecimento de práticas e ações a serviço do bem comum no país, trabalhando para expandir, qualificar e fortalecer o investimento social privado, diversificar e ampliar atores e recursos, criando referências e estimulando boas práticas de gestão, bem como articulando o setor com a sociedade e agenda pública.

Grantcraft
Plataforma de conhecimento que disponibiliza centenas de conteúdos sobre a prática de grantmaking.

Worldwide Initiatives for Grantmaker Support (WINGS)
Rede de associações filantrópicas, instituições acadêmicas, redes, organizações de apoio e financiadores de 45 países ao redor do mundo, cujo objetivo é fortalecer, promover e liderar o desenvolvimento da filantropia e do investimento social privado.

Instituto para o Desenvolvimento Social Privado (IDIS)
Organização que atua para aumentar o impacto do investimento social privado, construindo parcerias e projetos, bem como produzindo e compartilhando conhecimentos.

Contribuíram para a elaboração deste conteúdo: Ana Toni (Instituto Clima e Sociedade), Fábio Deboni (Instituto Sabin), Georgia Pessoa (Instituto Humanize), Inês Mindlin Lafer (Instituto Betty e Jacob Lafer) e Neca Setubal (Fundação Tide Setubal e GIFE).

O uso de ferramentas na gestão de grantmaking: a experiência do Instituto Clima e Sociedade

O episódio apresenta o uso de ferramentas na gestão do grantmaking, abordando – a partir da experiência do iCS – suas funcionalidades, vantagens e desafios, desde a etapa da seleção dos grantees até a fase de prestação de contas.

Os fundos independentes na promoção de grantmaking: a experiência da Rede de Filantropia para a Justiça Social

A pesquisadora fala sobre as especificidades e os aprendizados da atuação de fundos na prática de grantmaking e reflete sobre a importância desse tipo de iniciativa para o fortalecimento institucional das organizações e grupos da sociedade civil, especialmente durante o momento de pandemia e no pós-crise.

O grantmaking no contexto internacional: a experiência da Fundação Ford

O especialista reflete sobre a experiência de uma organização internacional com mais de oito décadas de atuação no mundo todo, como também aponta os caminhos e as diferentes estratégias adotadas pela Fundação ao fazer grantmaking no Brasil.

A importância do grantmaking: a experiência da Fundação FEAC

A entrevista aborda estratégias, desafios e aprendizados sobre a prática de grantmaking da Fundação FEAC. Leandro compartilha reflexões sobre a importância de realizar o repasse de recursos financeiros aos grantees, além de todas as outras formas de apoio.

Como terminar uma relação de financiamento de forma eficiente

Finalizar o apoio financeiro aos grantees (donatários) é parte inevitável de um processo de grantmaking. A tarefa, porém, não é simples. Para fazer isso da melhor forma, é necessário pensar com antecedência em uma estratégia que contemple as necessidades e expectativas de ambos os lados: grantees e grantmakers (financiadores). O guia The Effective Exit Managing the End of a Funding Relationship, do GrantCraft, reúne boas práticas e dicas de financiadores que encontraram formas exitosas para finalizar relações de apoio financeiro a organizações, amenizando e superando as tensões que costumam surgir nessa fase da parceria. Este infográfico foi inspirado na publicação, que apresenta uma série de aprendizados sobre como essa etapa pode ser uma oportunidade para aumentar a capacidade de um grantee encontrar novas fontes de recursos e até potencializar o valor doado pelo financiador.

Como desburocratizar a prestação de contas

Quando falamos em prestação de contas, a primeira palavra que vem à mente é ‘burocracia’. Por isso, a desburocratização desses processos tem sido tanto uma demanda recorrente entre os grantees (donatários), como também uma necessidade entre os grantmakers (financiadores) que busquem construir novas dinâmicas de relacionamento com as organizações apoiadas e ganhar mais agilidade e êxito nos projetos. Este infográfico apresenta um panorama de modelos, ferramentas, tendências, exemplos, recomendações e dicas que, além de facilitar a prática cotidiana, podem contribuir com a capacitação de financiadores e grantees no tema.

Como potencializar a captação de recursos em OSCs

Um dos principais desafios das organizações da sociedade civil (OSCs) é, sem dúvida, mobilizar recursos para sustentar sua atuação e, consequentemente, o impacto e os resultados de suas atividades no médio e longo prazo. Quais estratégias são mais eficazes? Quem são os potenciais financiadores e como se conectar a eles? Qual é a melhor narrativa para alcançar esse público? Responder essas perguntas pode ser o ponto de partida para as organizações apoiadas avançarem no tema. Neste infográfico, financiadores, especialistas e outros profissionais que pensam e lidam em seu dia a dia com a demanda das OSCs por recursos tecem um panorama de boas práticas, recomendações e dicas para a hora de oferecer e/ou apoiar a capacitação de organizações da sociedade civil e outros perfis de grantees (donatários) no tema.

Fundação FEAC: Programa Qualificação da Gestão de OSCs

O Programa Qualificação da Gestão de OSCs investe na formação de lideranças e profissionais de organizações da sociedade civil (OSCs) do município de Campinas/SP a fim de que as organizações adotem boas práticas para que possam atuar de forma autônoma, com processos de gestão eficientes, conformidade, regularidade e, principalmente, impacto social significativo.

O programa se dedica a provocar uma reflexão sobre propósitos, práticas e efetividade e a incentivar a avaliação continuada das estratégias adotadas a partir do que é preconizado pela missão das organizações.

A iniciativa é uma realização da Fundação FEAC e conta com diversos apoios e parcerias técnicas para a concretização de todos os projetos e etapas que compõem o programa.

Objetivos

Organizações da sociedade civil capazes de propor, desenhar, testar, implantar e escalar soluções geradoras de impacto social positivo e duradouro.

  • Desenvolver capacidade organizacional;
  • Reconhecer e disseminar boas práticas;
  • Incentivar a inovação social;
  • Promover a cultura institucional de monitoramento, avaliação e aprendizado contínuos, sistêmicos e cíclicos.

OSCs consolidadas e reconhecidas pela comunidade local e geradoras de desenvolvimento social.

  • Inspirar líderes sociais a serem críticos, articuladores, capazes de mobilizar recursos e engajar pessoas para uma causa;
  • Provocar organizações da sociedade civil a terem clareza de propósito, foco no impacto e na construção de legado;
  • Incentivar a adoção de processos estruturados e robustos de governança e transparência;
  • Promover a universalização dos mecanismos de sustentabilidade baseados na responsabilidade e ética das práticas de gestão.

Fomentar oportunidades de desenvolvimento do terceiro setor em Campinas/SP.

  • Estimular o empreendedorismo social;
  • Motivar a formação e estruturação de coletivos, movimentos e demais modelos de sociedade civil organizada;
  • Apoiar a atuação articulada entre as organizações;
  • Ampliar e intensificar projetos e iniciativas nas áreas de vulnerabilidade e risco social.

Na prática

A primeira etapa do Programa Qualificação da Gestão de OSCs consiste em um workshop sobre o cenário e tendências do terceiro setor. Nesse momento, as organizações também são desafiadas a conseguir, ao menos, um novo doador.

As organizações selecionadas seguem para a segunda etapa da iniciativa, um processo de certificação realizado a partir do envio de documentos, visitas técnicas e entrevistas. Além do certificado, o relatório proveniente desse diagnóstico é considerado relevante pelas organizações, pois aponta quais aspectos precisam ser aprimorados e melhor desenvolvidos.

As OSCs certificadas – que alcançam ou ultrapassam 70% da pontuação máxima – são encaminhadas ao projeto Gerir Estratégico, que oferece uma formação composta pelos módulos Sustentabilidade Econômica, Informação Pública, Captação de Recursos, Gestão e Governança e Responsabilidade Financeira.

Já as organizações não certificadas – ou seja, que não atingem a pontuação mínima de 70% – são direcionadas ao projeto Gerir, cuja formação contém os seguintes módulos: Gestão Administrativa-Financeira, Planejamento Operacional e Implantação e Comunicação de Resultados. Ao final da formação, essas organizações passam novamente pelo processo de certificação para terem a oportunidade de participar também do Gerir Estratégico.

Critérios da certificação

O processo de certificação do programa conta com a parceria técnica da Phomenta – negócio social com o propósito de levar educação em gestão e inovação às OSCs -, cujos princípios de avaliação são baseados em padrões internacionais de Transparência e Boas Práticas Sociais do International Committee on Fundraising Organizations (ICFO), um comitê composto por agências de monitoramento de OSCs de 21 países.

Alguns dos aspectos avaliados são: Gestão e Governança, Potencial de Impacto Social, Sustentabilidade Econômica, Transparência na Informação Pública e Responsabilidade Financeira.

Aprendizados

  • Foi observado que, muitas vezes, as OSCs já contam com um razoável nível de conhecimento, mas necessitam de incentivo para, de fato, mudar suas práticas;
  • Esse incentivo deve ser prático, interativo, integrado e colaborativo.

Conheça a seguir algumas das iniciativas que integram o Programa Qualificação da Gestão de OSCs:

Gerir

Projeto de formação voltado ao aperfeiçoamento da gestão e da operação de OSCs. A formação é composta por quatro módulos, 16 encontros e 14 temas.

Gerir estratégico

Projeto de formação que incentiva a adoção de estratégias que contribuam para a ampliação do potencial de impacto social positivo das OSCs por meio de uma atuação sustentável, efetiva e ampliada.

Ponto Org

Assessorias coletivas; produtos de conhecimento; e oficinas, palestras e workshops sobre temas relevantes que qualifiquem os processos de gestão, a operação e os projetos das OSCs.

Rodada Social

Promove a aproximação entre OSCs e empresas dispostas a realizar repasses financeiros por meio de projetos qualificados, gerando organizações capazes de transformar ideias em bons projetos, prospectar e engajar parceiros e mobilizar recursos para suas iniciativas.

Renova CEBAS

Assessoramento técnico e administrativo para renovação da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS) nas áreas de Assistência Social e Educação Infantil.

Incubadora Hub

Voltada a entidades de base comunitária, assessora grupos de pessoas ou organizações que realizam ações sociais e buscam meios para se constituírem em uma organização da sociedade civil, formalizando suas atividades e contribuindo para a geração de um impacto social significativo.

Saiba mais

Para mais informações sobre o Programa Qualificação da Gestão de OSCs, acesse a página da iniciativa no site da Fundação FEAC.

“Às vezes, nós focamos em transmissão de conhecimento, enquanto a dificuldade maior está em combinar conhecimento, atitude e prática.”

“A relevância das organizações da sociedade civil está diretamente associada à capacidade de fazerem frente a complexos desafios sociais e/ou ambientais, cujas soluções exigem mais do que boas intenções. Vontade de ajudar o próximo e habilidade para mobilizar recursos compõem apenas o ponto de partida deste percurso.”

“Organizações da sociedade civil devem se posicionar como articuladoras do processo de transformação social, buscando, de forma objetiva, resultados mensuráveis e impactos positivos e duradouros. Por isso, o Programa Qualificação da Gestão de OSCs propõe que as organizações passem cada vez mais a pautar sua atuação nas boas práticas, na inovação e em processos de gestão eficientes.”

Nathalia Garcia, líder do Programa Qualificação da Gestão de OSCs

Práticas e processos de monitoramento e avaliação em grantmaking

A avaliação é considerada um dos pilares para o fortalecimento e ampliação da legitimidade do campo do investimento social privado no Brasil. Em tempos de desafios sociais, econômicos e políticos, muitos institutos, fundações e empresas têm utilizado a avaliação como forma de assegurar que suas ações estejam cada vez mais alinhadas com a produção de bens públicos.

Impulsionadas por necessidades diversas – como correção de “rotas” e aperfeiçoamento dos projetos, prestação de contas para o Conselho, sistematização de métodos e aprendizados, comunicação dos resultados, orientação para a tomada de decisão, entre outras -, as práticas de monitoramento e avaliação podem ser processos promotores de intenso aprendizado organizacional e acúmulo de conhecimento no setor, bem como de estreitamento dos elos entre os diversos atores envolvidos, suscitando reflexões permanentes sobre o papel dos financiadores como agentes de transformação social e aproximando as instituições de seu sentido público mais amplo.

No entanto, de acordo com os dados do Censo GIFE 2018, monitoramento e mensuração de impacto são ainda algumas das principais dificuldades na percepção dos investidores sociais na hora de apoiar organizações da sociedade civil (OSCs). A mensuração do impacto dos projetos ou programas foi apontada por 36% dos respondentes, enquanto a dificuldade de monitorar e avaliar iniciativas de OSCs, por 14%.

Gráfico 1 – Organizações por duas principais dificuldades para apoiar OSCs

Fonte: Censo GIFE 2018 (página 59)

Ao mesmo tempo, percebe-se o quanto a prática tem avançado no campo. Quando perguntados sobre sua estrutura para monitoramento e avaliação de projetos ou programas, 76% dos respondentes do Censo GIFE 2018 afirmaram refletir sistematicamente sobre os processos de monitoramento e avaliação para poder melhorá-los e implementá-los nos próximos anos, e 71% deles preveem recursos para tal finalidade.

Quando o assunto são as dificuldades e barreiras encontradas por investidores sociais privados para avaliar projetos ou programas, o Censo GIFE mostrou que os altos custos de desenvolvimento de uma boa avaliação foram indicados como entrave por metade dos respondentes (50%). Em segundo lugar está a dificuldade de mensurar o impacto (46%), seguida de falta de tempo (38%) ou habilidade das equipes (25%). Questões relacionadas aos métodos de avaliação e aos recursos humanos disponíveis também foram mencionadas por uma parcela importante das organizações respondentes. Somente 11% não identificaram obstáculos para o desenvolvimento de avaliações de projetos ou programas.

Desafios ainda presentes

Membros de equipes de associados ao GIFE e outros especialistas no assunto elencaram os principais desafios na hora de gerir e monitorar a relação com os grantees (donatários), bem como de identificar e avaliar os resultados e impactos da parceria. São eles:

  • Estabelecimento e manutenção de um diálogo transparente e contínuo entre financiador e grantee;
  • Estratégia de monitoramento e avaliação alinhada entre financiador e grantee para nivelamento de expectativas e objetivos;
  • Construção de relações de confiança e transparência entre todos os envolvidos a fim de ser possível observar os efeitos, tanto positivos quanto negativos, da intervenção;
  • Crescente complexidade das intervenções sociais implementadas ou apoiadas, o que gera mais demandas no acompanhamento, monitoramento e avaliação da parceria por parte do financiador;
  • Graus de importância e níveis de instabilidade do contexto no qual atuam as iniciativas apoiadas, que podem afetar os resultados do financiamento;
  • Mudanças sistêmicas – que é o impacto de longo prazo que se espera de uma relação de financiamento – exigem trabalho de colaboração entre atores diversos;
  • Sistemas de monitoramento e avaliação que sejam contínuos, focados em aprendizado organizacional e na promoção da gestão adaptativa;
  • Distância entre atores da avaliação, seja das equipes ou avaliadores externos contratados pela organização financiadora, e públicos-alvo ou territórios das iniciativas;
  • Implementação de estratégias de monitoramento e avaliação cada vez mais personalizadas que consigam integrar os resultados;
  • Manutenção de indicadores e dados atualizados, especialmente quando a organização financiadora não detém uma equipe própria de monitoramento e avaliação para acompanhamento dos financiamentos e apoios aos grantees;
  • Dificuldade de consenso sobre o conceito de impacto (diretos, indiretos, resultados de curto, médio ou longo prazo, transformações sistêmicas, etc.) e diversos desafios de ordem metodológica dentro de cada um deles. Isso também pode ter relação com o nível de subjetividade que se percebe em grande parte das avaliações de impacto.

Lições e recomendações

A seguir, especialistas em monitoramento e avaliação e profissionais de instituições do investimento social brasileiro dão dicas e indicam conteúdos de referência para quem quer se aprofundar no assunto.

  • Estabelecer relações equilibradas, transparentes e de confiança mútua é um pano de fundo essencial para uma avaliação que potencialize ainda mais as ações em parceria;
  • Comunicar-se de forma clara: garantir alinhamentos e pactuações entre todos os envolvidos, bem como manter as lideranças a par de todo processo e das especificidades do apoio destinado ao fortalecimento institucional para alinhamento de expectativas;
  • Estabelecer um processo de monitoramento e avaliação mais qualificado permite uma gestão mais estratégica e uma comunicação mais efetiva sobre o programa. Esses pontos contribuem para o fortalecimento institucional das organizações de dois modos: de forma direta, com o aprimoramento das intervenções e, de forma indireta, com diálogo com outros financiadores para que também façam apoios nesses moldes;
  • Utilizar a avaliação para geração de aprendizados e aperfeiçoamento da ação e da própria prática de avaliação;
  • Estabelecer relação de corresponsabilidade quanto aos processos de monitoramento e avaliação com as equipes dos grantees;
  • Realizar acompanhamento próximo e personalizado para entender a dinâmica e o contexto de atuação de cada grantee;
  • Trabalhar o sentido do monitoramento e avaliação também em relação aos próprios contextos e necessidades dos grantees, alinhando-o às estratégias de comunicação e captação de recursos, para além do processo de ação-reflexão-ação. Isso pode trazer mais engajamento e adesão por parte das organizações apoiadas.

PARA SABER MAIS

Better Evaluation
Rede global que visa melhorar a prática e a teoria da avaliação por meio da co-criação, curadoria e compartilhamento de informações.

What Funders Can Do to Promote Impact Measurement
Artigo aborda estudo do New Philanthropy Capital (NPC) sobre práticas de medição de impacto de instituições filantrópicas do Reino Unido.

Whose Impact Are We Measuring? Proving the Efficacy of Participatory Grantmaking
Artigo sobre doações participativas, aquelas que compartilham o poder de decisões sobre estratégia e critérios com as comunidades ou organizações apoiadas.

Contribuíram para a elaboração deste conteúdo: Ana Lima (Conhecimento Social), Ana Maria Barbosa Carminato (Fundação Itaú Social), Camila Cirillo (GIFE) e João Martinho (Laudes Foundation).

Movimento Arredondar: Programa de Acompanhamento

De doação em doação, o Movimento Arredondar alimenta o caixa de dezenas de organizações da sociedade civil (OSCs) espalhadas pelo Brasil.

O sistema tem uma lógica simples: na hora de pagar a conta em um estabelecimento, o cliente é convidado a arredondar o valor total e doar os centavos para apoiar causas sociais.

A conta é arredondada em centavos até o próximo número cheio. Por exemplo, R$ 14,90 viram R$ 15,00. As doações nunca passam de R$ 1,00, mas com milhares de lojas oferecendo a opção, milhões de reais são revertidos em verbas para projetos e causas sociais nas mais diversas áreas. O total doado até hoje já contabiliza mais de R$ 4,7 milhões.

Na prática

O dinheiro arrecadado pelo Arredondar é distribuído entre organizações certificadas. O processo de certificação é realizado, em sua maior parte, em parceria com a Phomenta – negócio social cujo propósito é levar educação em gestão e inovação às OSCs. As organizações certificadas passam a integrar o portfólio do Movimento Arredondar e são indicadas para os varejistas parceiros. Elas também participam, muitas vezes, dos processos de treinamento a fim de que os profissionais do varejo conheçam mais de perto a atuação das organizações, assim como o impacto de cada doação realizada.

Para garantir esse monitoramento, o Movimento realiza um processo de acompanhamento das 33 organizações que hoje recebem recursos, com o intuito de avaliar os resultados e o impacto gerado pelas doações.

O Programa de Acompanhamento é composto por quatro ferramentas:

  • Prestação de Contas Financeiras (semestral)
    Planilha descritiva de custos abarcados pelo recurso doado pelo Movimento Arredondar.
  • Relatório da/o Beneficiária/o (com série histórica)
    Instrumento utilizado para avaliação do impacto qualitativo da organização apoiada. Neste documento, o grantee traz a história e o depoimento de um beneficiário impactado – independente se o recurso utilizado foi proveniente do Movimento Arredondar.
  • Webinar de Acompanhamento
    Videoconferências para sanar dúvidas e refletir colaborativamente sobre o Movimento e o fortalecimento das organizações beneficiadas.
  • Documentos de Revisão (anual)
    Documentos de base analítica para certificar a permanência da organização no Movimento: relatórios de atividades, auditoria, certidões de débitos, revisão de estatuto, etc.

Diálogos Redondos

Paralelamente, o Movimento Arredondar promove um modelo de formação que pressupõe um fortalecimento institucional em rede.

Os Diálogos Redondos tratam de temas de interesse dos grantees, tais como Liderança, Comunicação Institucional, Gestão de Parcerias, Avaliação de Resultados, Prestação de Contas e Transparência, entre outros.

Os encontros são realizados virtualmente e contam tanto com a participação de especialistas, como com exposições sobre a conjuntura e painéis organizados pelas organizações integrantes do Movimento.

Os debates são gravados e sistematizados para registro e compartilhamento com toda rede.

Resultados

Um dos principais resultados do programa é a possibilidade de estabelecer junto às organizações um processo de acompanhamento descomplicado e, ao mesmo tempo, confiável.

Em 2019, R$ 1.014.795,60 foram distribuídos entre 34 OSCs localizadas nos estados do Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Aprendizados

O trabalho em rede é a principal alavanca de aprendizados da iniciativa. No modelo de distribuição de recursos do Movimento Arredondar, uma organização apoiada arrecada para, pelo menos, mais duas organizações da sociedade civil, o que gera uma ampla colaboração entre as organizações. Assim, todo o esforço em campanhas de engajamento e prospecção de novos grantees agrega valor para toda a rede.

Saiba mais

Para mais informações sobre como participar do Movimento Arredondar, visite o site da iniciativa. Para conhecer melhor as organizações que fazem parte do Movimento, acesse aqui.

“Como movimento, queremos fazer junto com as organizações e pensá-las estrategicamente no médio e longo prazo.”

“O Programa de Acompanhamento permite às organizações prestar contas de forma ágil e, a nós, garantir a transparência e o engajamento da ação. É uma via de mão dupla que construímos juntos.”

Manuela Beserra, coordenadora de investimento social do Movimento Arredondar

Aprendizados no financiamento dos negócios de impacto

Para gerar o maior impacto positivo possível a partir de uma relação de financiamento, conhecer bem os diferentes tipos de grantees (donatários) e suas especificidades é fundamental para aprimorar a atuação de organizações financiadoras e qualificar suas práticas de grantmaking.

Um dos grantees que têm recebido cada vez mais atenção por parte de institutos, fundações e empresas são os negócios de impacto, que, segundo a definição da Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto, “são empreendimentos que têm a intenção clara de endereçar um problema socioambiental por meio da sua atividade principal (seja seu produto/serviço e/ou sua forma de operação). Atuam de acordo com a lógica de mercado, com um modelo de negócio que busca retornos financeiros, e se comprometem a medir o impacto que geram”.

Desde 2016, o GIFE mobiliza a Rede Temática de Negócios de Impacto, que se dedica a discutir as diferentes possibilidades de atuação das instituições do setor de investimento social privado com os negócios de impacto. A produção de conhecimento sobre o tema, no âmbito do Censo GIFE e por meio de publicações como Olhares sobre a atuação do investimento social privado no campo de negócios de impacto (2018), é outro indicativo da aproximação do setor com o ecossistema de impacto e serve de base para a tomada de decisões quanto aos grants, como mostram os dados do Censo GIFE 2018: entre 2016 e 2018 aumentou de 10% para 26% a porcentagem de respondentes que disseram repassar recursos para negócios de impacto ou aceleradoras e outras organizações intermediárias.

Gráfico 1 – Organizações por tipos de terceiros para os quais repassam recursos (2016 e 2018)

Fonte: Censo GIFE 2018 (página 51)

Conheça, a seguir, alguns dos aprendizados e caminhos percorridos por investidores sociais privados que apostam no financiamento desse tipo de iniciativa.

Desafios ainda presentes

Alguns entraves têm desafiado institutos, fundações e empresas a embarcarem de vez no apoio a negócios de impacto. São eles:

  • Pouco conhecimento sobre o tema;
  • Necessidade de convencimento das estruturas de governança da organização financiadora sobre a destinação de recursos aos negócios de impacto;
  • Dificuldade para definir a orientação estratégica e as trilhas metodológicas desse tipo de apoio;
  • Exigência em desenvolver novas habilidades e incorporar novos repertórios na capacidade já instalada das equipes para lidar com essa agenda;
  • Necessidade de buscar orientação jurídica especializada para lidar com as implicações e riscos envolvidos, que precisam ser bem conhecidos e mapeados.

Caminhos, aprendizados e dicas

  • A alocação orçamentária pode se dar de inúmeras formas. Uma das 15 recomendações da Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto sugere que, até 2020, 5% dos orçamentos de institutos e fundações sejam destinados para o desenvolvimento e fortalecimento deste campo;
  • Antes de financiar o setor, o grantmaker deve buscar compreender quem são os atores que compõem o ecossistema de impacto e quais são as principais demandas do campo. Um negócio de impacto pode ser uma organização da sociedade civil, um negócio social, uma cooperativa, uma startup, uma organização que reinveste no próprio negócio ou um negócio que distribui dividendos. Ao conhecer melhor todas as possibilidades, o financiador poderá decidir se deseja apoiar organizações intermediárias (aceleradoras, incubadoras, organizações de avaliação, estruturadoras de novos instrumentos) e/ou diretamente os empreendimentos;
  • Além dos empreendimentos e das organizações intermediárias, apoiar negócios de impacto implica alocar recursos financeiros (com e sem retorno) e não-financeiros também na produção de estudos, pesquisas e conhecimentos sobre o tema; na capilarização do setor nas diferentes regiões do país; entre outras demandas e possibilidades;
  • A aposta nas organizações intermediárias com base na crença de que por meio delas é possível, de forma rápida, gerar negócios qualificados, com maturidade e prontos para serem investidos tem se mostrado desafiadora: muitas vezes, essas organizações são elas mesmas frágeis em termos de equipe, orçamento e desenvolvimento institucional, e ainda necessitam de apoio financeiro e/ou técnico;
  • Experiências de coinvestimento, a exemplo do FIIMP – Fundações e Institutos de Impacto, podem gerar aprendizados e minimizar riscos. Durante 2017 e 2018, 22 organizações – entre fundações e institutos familiares, empresariais e independentes – se reuniram para experimentar conjuntamente diferentes formas de investimentos em negócios de impacto a partir de uma variedade de mecanismos financeiros. Em 2018, uma nova rede de organizações deu origem ao FIIMP 2;
  • A filantropia e o investimento social privado têm potencial para apoiar o fortalecimento do ecossistema de impacto atraindo também o capital privado que seria alocado em negócios tradicionais;
  • O Blended Finance, um mix de recursos não-reembolsáveis (doação) com recursos reembolsáveis (empréstimo e outros) é uma modalidade inovadora que assume a necessidade de unir os dois ‘bolsos’ para ampliar o leque de organizações e soluções de impacto aptas a ser beneficiadas por esses instrumentos. Já há perceptível avanço nessa agenda no Brasil e no mundo, bem como novas iniciativas emergindo a partir dela. Institutos e fundações podem ampliar as possibilidades de fomento ao campo, considerando esse tipo de mix como uma abordagem mais próxima das práticas que historicamente o investimento social privado já realiza;
  • Os negócios de impacto periféricos emergem com força e trazem à tona o desejo e a potência de pessoas de comunidades para empreenderem seus próprios negócios de impacto que atendam a pessoas de suas comunidades. A partir dessa inquietação, diversas iniciativas da periferia ganharam impulso nos últimos anos e seguem conquistando seu espaço dentro do campo dos negócios de impacto, contando cada vez mais com apoio de financiadores.

PARA SABER MAIS

As 15 recomendações da Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto para impulsionar o ecossistema brasileiro

A formulação é fruto de um processo de estudo e escutas para construir recomendações que pudessem, no período de cinco anos, fazer avançar a agenda de investimentos e negócios de impacto no Brasil.

Artigos publicados no site do GIFE:

Livros e publicações:

Contribuíram para a elaboração deste conteúdo: Celia Cruz (Instituto de Cidadania Empresarial) e Fábio Deboni (Instituto Sabin).

Como construir relações de confiança entre financiadores e grantees

A construção de uma relação contínua e colaborativa entre financiadores e grantees (donatários) é fundamental para promover vínculos que vão além do caráter estritamente financeiro ou de prestação de serviços.

É importante reconhecer que há saberes, capacidades e habilidades complementares entre esses atores. No fim do dia, aspectos como colaboração, cocriação, transparência e autonomia farão toda a diferença para a construção de relações saudáveis e produtivas que culminarão na produção de bens públicos para toda sociedade.

A confiança é ponto crucial neste processo e o setor tem valorizado este aspecto. Segundo dados do Censo GIFE 2018, por exemplo, a confiabilidade e a transparência no caso específico das organizações da sociedade civil (OSCs) são questionadas por uma parcela pequena dos investidores sociais respondentes. Quando perguntados sobre os motivos pelos quais não apoiam financeiramente as OSCs, apenas 1% deles declararam pouca confiança e outro 1% alegaram dificuldade de encontrar OSCs confiáveis e transparentes.

Gráfico 1 – Organizações por dois principais motivos para não apoiar OSCs

Fonte: Censo GIFE 2018 (página 61)

Há uma série de práticas e processos que tangibiliza essas relações de confiança. A seguir, confira algumas dicas e recomendações, voltadas principalmente a financiadores, que podem encurtar o caminho para tornar as parcerias com grantees mais próximas, fortalecidas e duradouras.

  • Iniciar a construção dessa relação de confiança mútua já no processo seletivo e ir fortalecendo-a a cada nova etapa: a assinatura do contrato, por exemplo, é um momento importante para alinhar expectativas – tanto em termos de compromisso como de entregas;
  • Fortalecer a transparência por parte do financiador: deixar claros elementos como estratégia, interesse, valores, etc. Definir e comunicar uma metodologia estruturada de como a relação de financiamento será acompanhada pode trazer credibilidade e confiança para o processo de grantmaking;
  • Estabelecer uma comunicação clara e objetiva com os grantees, lembrando que a forma como essa comunicação é feita exige atenção e cuidado para que a linguagem seja um canal de aproximação da realidade dos financiadores à realidade dos grantees, e não de distanciamento. O exercício da empatia é imprescindível;
  • Fomentar o diálogo constante e a escuta ativa: construir uma relação contínua e solidária transforma um vínculo estritamente financeiro em algo mais colaborativo, confiável e duradouro;
  • Promover interação e aprendizado compartilhados com retornos avaliativos que incentivem a crítica construtiva e a flexibilidade para mudanças de rota: é sabido que, em um primeiro momento, nem sempre as coisas dão certo no âmbito de um processo de inovação. Por isso, é preciso aprender para aprimorar;
  • Garantir abertura para receber devolutivas dos grantees, o que pode ser feito de forma propositiva como parte dos processos cotidianos ou por meio de survey anônimo;
  • Estabelecer processos dialógicos, que considerem não apenas a avaliação do financiador, mas também a autoavaliação do grantee, fomentando espaços em que o grantee se sinta à vontade para falar não só o que os financiadores tradicionalmente costumam querer ouvir, mas o que, de fato, acontece na realidade;
  • Garantir que não haverá sanção por parte do financiador ao menor sinal de fragilidade ou desafio demonstrado pelo grantee: quanto mais as organizações apoiadas compartilham seus dilemas, desafios e superações, mais se constroem as condições para apoiá-las e para aprender sobre o que, de fato, acontece na ponta;
  • Promover espaços permanentes de interação e suporte técnico contínuo, que permita o acompanhamento do progresso e apoie o grantee na superação dos desafios, instigando mais do que impondo. Isso pode ser feito, por exemplo, por meio de videoconferências e workshops presenciais;
  • Demonstrar a todo tempo a importância do grantee para a estratégia de investimento social do financiador: é fundamental reconhecer que há saberes, capacidades e possibilidades complementares dos dois lados – um ponto em que os interesses se encontram;
  • Enxergar os grantees como fontes de geração de conhecimento e experiência, incentivando um relacionamento colaborativo entre os grantees e a equipe de suporte técnico do financiador, a fim de promover aprendizados a partir dos esforços coletivos;
  • Estabelecer um ponto de equilíbrio na parceria sem criar dependência: o grantee precisa saber que pode contar com o financiador para rever estratégias, além de articular parcerias e contatos. Por outro lado, é importante que demonstre engajamento e busque apoio em outras redes;
  • Direcionar recursos ao fortalecimento institucional da organização apoiada, mesmo dentro de um projeto específico, estabelecendo, por exemplo, um repasse antecipado e flexível, de modo que o grantee decida como, onde e quando utilizar – saindo da lógica do controle e tutela para a lógica da corresponsabilidade;
  • Criar uma rede de financiadores que possa oferecer editais e fomentos que se complementem, em vez de se tornarem competitivos entre si.

PARA SABER MAIS

How foundations listen to the people they seek to serve: A field scan
Entrevista com representante da Fundação Hewlett sobre pesquisa que estuda a utilização dos feedbacks pelos grantmakers das pessoas e comunidades alvo do impacto das iniciativas financiadas.

More than Money: Making a Difference with Assistance Beyond the Grant
Publicação do The Center for Effective Philanthropy sobre a oferta de assistência para além do grant.

Contribuíram para a elaboração deste conteúdo: Ana Toni (Instituto Clima e Sociedade), Camila Feldberg (Itaú Social), Fábio Almeida (Laudes Foundation), Inês Lafer (Instituto Betty e Jacob Lafer), Luiza Souza (Instituto Clima e Sociedade), Isabel Pato (Instituto Jatobás), Mariana Luz (Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal), Marina Feffer (Generation Pledge e Fundação Arymax) e Wagner Silva (Fundação Tide Setubal).

When, Who, and How to Ask for Feedback from Your Partners

Grantmaking is a partnership, and you can’t know how effective a partnership is if you aren’t taking active steps to understand your partner’s experiences and needs. To optimize your grantmaking practices, it’s essential that you solicit direct, confidential feedback from your grantees, and then act on it as transparently as possible.

Not only does this process improve your methods, it builds respect and equity, and therefore stronger relationships. That’s what Narrow the Power Gap, one of the Principles for Peak Grantmaking, is all about.

Diversity, Inclusion and Equity Tools and Resources for Grantmakers

At the Ford Foundation, we believe a commitment to diversity, equity, and inclusion (DEI) is critical to the success of any social justice organization. We have created a toolkit to help funders, organizations and the philanthropic community at large identify and instill best practices for DEI-related issues.

The case studies and guides draw from four real-life scenarios to help grantmakers and grantees become more adept in establishing processes and policies in their own work.

The Funding Landscape: Nonprofit Perspectives on Current Issues in Philanthropy

The nonprofit perspective is an essential one for philanthropic funders to consider when it comes to any number of issues. After all, nonprofit staff and volunteers are the ones doing the critical work on the front lines, providing support and creating the change that philanthropy cares deeply about. Too often, unfortunately, the nonprofit perspective goes unheard.

In November 2019, CEP surveyed the <em>Grantee Voice</em> panel of nonprofit CEOs with questions about a number of current issues that have been hotly debated in philanthropy, including the pros and cons of donor-advised funds (DAFs), the use of gift acceptance policies, the impact of recent changes to the tax code, anticipated changes in nonprofit revenue, and concerns about a recession. The results are shown in this report.

What Makes an Effective Advocacy Organization: A Framework for Determining Advocacy Capacity

In an effort to develop frameworks and methodologies to be able to meaningfully evaluate policy change efforts, TCC Group conducted an evaluation of a cohort of advocacy organizations who were receiving general support from The California Endowment. This resulting paper draws on a variety of sources, looking at the context for policy and advocacy work and the distinctive characteristics of such work, outlining a model for evaluating organizational capacity and describing how this is adapted for advocacy organizations. Te paper also serves to benefit foundations who want to expand and improve their grantmaking to advocacy organizations but feel limited by their ability to understand how to assess potential grantees or their capacity to carry out the proposed activities; as well as provide insights to evaluators themselves.

The Philanthropy Framework

Rockefeller Philanthropy Advisors has released The Philanthropy Framework, a tool for analysis and planning to guide emerging and established philanthropies to better align resources for maximum impact. Created with input from leaders from more than 50 foundations worldwide, the tool seeks to address fundamental changes in philanthropy and the world such as generational shifts in attitudes, massive wealth creation, diversity of capital, new models for impact, and new operating environments among others.

Towards A More Responsive Philanthropy: Grantmaking For Racial Equity And LGBTQ Justice

In 2007, Funders for LGBTQ Issues (Funders) launched its LGBTQ Racial Equity Campaign, a multi-year initiative to increase grantmaking to and strengthen lesbian, gay, bisexual, transgender, and queer (LGBTQ) people of color (POC) organizations and communities. This effort was a natural step  after updating our mission the previous year to include advancing racial, economic, and gender justice as integral to achieving LGBTQ equality and rights. The intent was to forge a conversation among funders about the critical intersection of racial equity and LGBTQ justice and how institutional structures and grantmaking practices impact the resources available to diverse communities.

This report marks another step in the effort to advance work at the intersection of racial equity and LGBTQ justice by offering the stories of five foundations that have made an intentional commitment to do this work with their grantees. It presents their innovative efforts hoping that they’ll encourage others who are engaging in or considering similar efforts.

Understanding & Sharing What Works: The State of Foundation Practice

The Center for Effective Philanthropy (CEP) surveyed private and community foundation leaders regarding what they know about what is and isn’t working in their foundations’ efforts to achieve their goals. Drawing from 119 survey responses and in-depth interviews with 41 foundation CEOs, the report finds that while the majority of foundation CEOs believe they understand well what is working in their programmatic efforts, more than 40 percent believe their foundation is not investing enough time and money in developing that understanding.

The report is accompanied by a series of in-depth profiles, authored by Lowell Weiss of Cascade Philanthropy Advisors, to further examine what foundations are doing to understand and share their work. The profiled funders include Rockefeller Brothers Fund, Weingart Foundation, Communities Foundation of Texas, and Impetus-PEF. The data in this report, along with the insights in the profiles, can help foundation leaders determine the best methods for learning from their work and deciding what to be open about.

What You Need to Know: Comparing Grantmaking Strategies

There are many different strategies when it comes to grantmaking, and it’s difficult to know which one will be the most effective. It helps to think of grantmaking strategies along a continuum and to choose different approaches at different times, depending on the results you want to achieve. This report will present some of the most common grantmaking strategies—what they are, how they are used, and what questions organizations want answered.

Who Decides: How Participatory Grantmaking Benefits Donors, Communities, and Movements

The Lafayette Practice (TLP) conducted research and interviews to analyze and compare the practices of eight premiere international Participatory Grantmaking Funds (PGF). TLP examined existing qualitative and quantitative data regarding the funds and their grantees, including functions, roles, and budgets. Participatory Grantmaking emerges from a practice of grassroots activism, with assumed belief that decision-making participation of people impacted by the fund’s programs will guarantee that grants are allocated to those most deserving.

Grantmakers and Governments: The Possibilities of Partnership

This Philanthropic Foundations Canada (PFC) publication explores the potential opportunities for partnering with government. It looks at how foundations have moved policy agendas forward in the last few years and includes compelling case studies demonstrating the different ways in which philanthropic funders and networks can participate in public-private partnerships.

Working Well With Grantees: A Guide for Foundation Program Staff

CEP’s research shows that program officers can be the distinguishing factor between a foundation that makes a difference—and one that simply makes grants. This report offers program staff critical guidelines for building better relationships with grantees and its findings are based on data from tens of thousands of surveys of nonprofits conducted by CEP during the past decade.  For the first time, the research share some new data and analysis about what foundations might want to consider when declining funding to nonprofits, based on our surveys of declined applicants.

The Diversity, Equity and Inclusion Toolkit for Consultants to Grantmakers

This toolkit consists of key resources recommended by leading experts whose work focuses on diversity, equity and inclusion (DEI) and its significant impact in the philanthropic sector. It has two parts: the first is a concise collection of DEI resources,
highlighting areas where many grantmakers often use consultant support; and the second part highlights perspectives from the field, sharing how consultants have effectively partnered with philanthropy clients to advance diversity, equity, and inclusion. These case studies capture the heart of DEI, giving insights and advice in navigating the challenges of this crucial work.

Crucial Donors: How Major Individual Givers Can Best Support Nonprofits

Based on survey responses from 198 nonprofit CEOs on CEP’s <em>Grantee Voice </em>panel, this report provides insight into what support nonprofits already receive from major donors, what major donors can do to support nonprofits better, and how nonprofits’ relationships with major donors differ from their relationships with staffed foundations. This resource also includes questions to guide major donors in building relationships, addressing the understanding gap, and deciding what kind(s) of support to provide to nonprofits.

Governance and Grantmaking: Approaches to achieve greater diversity, equity and inclusion

As a first step to assisting foundations with their Diversity, Equity and Inclusion (DEI) journey, Philanthropic Foundations Canada (PFC) has created this toolkit to provide them with guidance and access to a broad range of tools and resources to support and deepen their commitment to social good through DEI.

Engaging Boards and Trustees in Strategic Learning

Effecting social change in a rapidly changing political environment and an increasingly interconnected world requires foundations to adopt a learning orientation. Without continuous learning, grantmakers—and thus boards and trustees—are unaware about what is working where, with whom, and why, as well as what changes or refinements are needed in order to achieve the grantmakers’ desired results.

Researched and written in collaboration with GEO, this toolkit provides a fresh set of resources for grantmaker CEOs, evaluation staff, and senior leaders to use to engage their boards and trustees in conversations about the importance of strategic learning in their decision-making and deliberation processes.

Emerging Information and Reporting Issues for Grantmaking Foundations

Information and reporting issues are most present than ever in an accountability context and grantmaking foundations in Canada are part of the development of better practices for the sector. The aim of this paper is to examine emerging information and reporting issues of grant-making foundations. To structure the analysis, a framework based on theory of stakeholders and information flows was developed and some general trends and issues regarding information are discussed before examining a number of forms of reporting, such as tax and regulatory, financial, social, and grantmaking.

Collaboration between Canadian grantmaking foundations: the expression of an increasingly ambitious and strategic philanthropic sector?

This article critically discusses the practice of foundation collaboration in Canada and describes the context, vehicles, and forms that it takes. It is based on data from interviews with 23 key informants and a literature review of over 100 publications from grey and scholarly literature. Over the last decade, Canadian grantmaking foundations appear to be working together more often, motivated by goals of information sharing, coordination, impact, and risk mitigation. In Canada, as elsewhere, this growing practice is closely related to the trend toward strategic philanthropy, in which foundations position themselves as agents of change. The article raises cautions and criticisms about foundation collaboration, related to considerations of strategic and cultural fit as well as to existing challenges concerning philanthropy’s power and legitimacy in society.

Finding Your Focus in Philanthropy

Many people come to philanthropy with their focus fully formed. They know what issues they want to take on, what they hope to achieve, and where they want their giving directed. For others, the process of choosing how to allocate their resources can be daunting — especially given the enormous range of opportunities. What challenges will you tackle, and what do you want to achieve? This guide, part of the Philanthropy Roadmap series, will help you narrow your focus to maximize your impact.

Giving in Challenging Times

In 2008, in the wake of the global financial crisis, Rockefeller Philanthropy Advisors (RPA) published the first version of the “Giving in Challenging Times” guide. That guide sought to help philanthropists chart a course forward in those uncertain circumstances, and this new one was made to provide them with updated and more detailed insights on giving thoughtfully in these challenging times.

Making Change Happen: Creating an Outcome-Based Strategy

Planning for a philanthropic journey starts with identifying the destination. In other words, donors create their giving strategy by clearly stating the outcomes they want to see, then identify the specific actions that they believe will produce those outcomes. This guide is intended to help them to do exactly that.

Big Philanthropy Faces a Reckoning, Too

It’s time to challenge philanthropists and their foundations to open up their grant-making decisions to those who’ve been marginalized.

For a few weeks this winter, in the time before social distancing, it seemed as if Michael Bloomberg’s vast spending might buy him the Democratic presidential nomination. In the end, the marketing couldn’t overcome the product flaws, but what Bloomberg also collided with was a deep distrust of the billionaire class that has been steadily building in our politics. From Occupy Wall Street’s spotlight on inequality to the growing recognition that the once-golden tech and social media companies led by whiz kids like Mark Zuckerberg are just today’s version of extractive industries—mining our personal data for their own enrichment instead of oil and gas—big money has been on the defensive.

Fit for the future: Can we emerge stronger from the COVID-19 crisis?

Civil society was not ready for COVID-19. In this, the first of a series of articles aiming to assess changes needed to ensure a stronger supporting environment for civil society, Benjamin Bellegy (WINGS), Chris Worman (TechSoup) and Lysa John (CIVICUS) discuss the investments needed in civil society and its philanthropic and technical infrastructure, and the actions we must take to emerge wiser and stronger from the current crisis and to be prepared for crises to come.

‘ Even where an official proclamation of emergency has been made, fundamental rights such as the right to life and freedom from torture and degrading treatment must still be upheld.’

Lysa John

It seems ironic that only a few months ago, we were celebrating 2019 as the ‘Year of People Power’ and a mass global uprising against autocratic regimes across the world seemed achievable. At a stroke, we have experienced the abrupt removal of fundamental freedoms that human rights defenders have fought to protect. And yet, civil society across the world has found new ways to respond to the outbreak. Organisations around the world have provided food, health care and other essential services to those in need. They have shared information, undertaken analyses and coordinated the actions needed to reinforce accountability and pursue responsive policy outcomes, all at a scale that we haven’t seen in years.

However, the pandemic is forcing us to tackle some glaring distortions in the way we operate as a sector. One such distortion that is painfully visible as a result of the pandemic is the extreme fragility of our support systems. The CIVICUS Monitor points to several alarming trends underlying the measures taken to contain the pandemic including unjustified restrictions on access to information; detention of activists for disseminating critical information; crackdowns on human rights defenders and media outlets; violations of the right to privacy and sweeping emergency powers.

Smarter Grantmaking Practices During—and Beyond—COVID-19

As a community of grantmakers advocating for philanthropy to put nonprofits and communities at the center of our work, we at GEO think the most important questions grantmakers should be asking center around how you can change your practices to be of greater service to your grantees and others serving communities during this time of crisis and beyond. We are heartened to see grantmakers signing pledges to embrace smarter, trust-based grantmaking practices, calling for increased funding and operating in ways that previously felt impossible for some. However, these practices are not only needed during times of crisis. We can make permanent changes that shift more power to people working on the ground to strengthen communities.

When the pandemic passes and the economic crisis eases—acknowledging that this recovery may take years—we should not expect to return to “business as usual.” The status quo was not working. Persistent systemic disparities will exist throughout this recovery in a way that will complicate and prevent a full, speedy recovery for marginalized communities. Some of our colleagues have already named ways funders can use a racial justice lens to address racism against Asian American communities and the disparate impacts of the pandemic we’re already seeing in Black, Native and Latinx communities. When grantmakers operate in traditional, transactional ways, we perpetuate inequitable systems and work against the goals we share with nonprofit and community partners. We need to embrace a new way of operating for the long haul.

GEO provides resources, peer communities and programs to support grantmakers in shifting cultures to embed better practices throughout our work. If you’re seeking inspiration to help you create change, here are some examples of smarter grantmaking during the COVID-19 and economic crisis, along with resources to help you get started.

Strengthening Relationships with Nonprofits and Community Leaders

When we center the perspectives of nonprofits and the communities we serve, we support better solutions. Building trusting relationships is critical to our success as grantmakers. During the COVID-19 pandemic, we are seeing that grantmakers with existing trust-based relationships are better able to pivot funding and support to respond quickly to the needs of their community. “Practicing in a trust-based way before the pandemic allowed the communities we work with to pivot more quickly. They had secure multi-year general operating support to respond in the way they needed. Once the pandemic hit, our grantees shifted to addressing needs created by COVID-19 and we trusted them to decide what was needed,” shared Philip Li, president and CEO of the Robert Sterling Clark Foundation, GEO board member and Trust-Based Philanthropy Project steering committee member. Read more about building stronger relationships with nonprofits and community leaders:

Flexible, Reliable Funding

Flexible, reliable funding, such as general operating support, multiyear grants and funds that cover indirect costs, gives nonprofits the resources to strengthen their organizations, respond to changes in our communities and make real progress. We are seeing many grantmakers immediately lift restrictions on current grants, but the need for general operating support is not limited to this current crisis. Carmen Rojas of Marguerite Casey Foundation urges grantmakers to universalize unrestricted funding and go beyond payout requirements. When this funding is provided consistently, nonprofits have the space to worry less about their own survival and focus more on achieving their missions. This can be even more critical for nonprofits led by and serving communities of color, which are less likely to have financial reserves and access to major funding streams. Read more about providing flexible, reliable funding:

Capacity Building

Grantmakers who put the work in to provide effective capacity-building support help ensure that nonprofits have what they need to deliver on their missions over the long term. During the COVID-19 crisis, these needs will inevitably shift and by holding the principles of making capacity building contextual, continuous and collective, funders can shift our efforts so they remain grounded in the needs of nonprofit and community partners, who are at the frontline of this crisis. Recognizing the needs of their partners would be shifting, the Hazen Foundation communicated directly with nonprofit leaders to better provide contextual support. Knowing that many would potentially be adjusting to remote work, they included an offer to provide each nonprofit with Zoom licenses. Read more about providing capacity building support:

Learning and Evaluation

To make lasting progress toward the goals we share with our nonprofit and community partners, we need to learn from our work. Learning and evaluation efforts, when done equitably, can help us know what is happening in the communities where we want to have an impact. Members of GEO’s Strategic Learning Network are reflecting on how they can support learning during the crisis response efforts within their organizations. Wanting to reduce reporting burden for grantees during this time, the Virginia G. Piper Charitable Trust created a template for program staff to use during touch points with grantees to support gathering consistent data without asking the nonprofit to spend critical time gathering reporting data. Read more about learning and evaluation:

Collaboration

No organization alone has the resources to address the complex issues facing our communities, including the latest challenges we face with COVID-19. Working together gives us an opportunity to create long lasting change. To leverage collective resources, a coalition of philanthropy, government and business partners in Seattle established the COVID-19 Response Fund, house at the Seattle Foundation, where they have issued over $17 million in rapid response grants. When we leverage joint resources and collaborate with other funders and nonprofit partners, we deepen the impact of our work. Funders can also support field-strengthening organizations: capacity builders, network-weavers, intermediaries with greater reach into marginalized communities and institutions that advocate for stronger social-safety nets to protect the most vulnerable. Read more about acting in collaborative ways:

Grantmakers can weave equity through each of these areas to keep it at the forefront as we respond to COVID-19. Explore these racial equity and social justice resources related to pandemic response to ensure you are attending to the structural forces that drive disparities.

Over the coming weeks, we will continue to bring you examples from the GEO community of what smarter grantmaking looks like in practice during this time and as a new normal. If you are looking for support in embedding these practices into your work or looking to connect with peers, please reach out to Nichole Hoeflich, [email protected]. We’d also love to hear how you are leaning on smarter grantmaking approaches during this time and what changes your organization has made. Share what you’re working on or what questions you still have here.

Are foundations equipped to help nonprofits survive the pandemic?

With close to 100,000 active foundations and collective annual giving of nearly $87 billion, America has the largest philanthropic sector in the world. While that pales in comparison to the trillions of dollars the federal government and Federal Reserve are pumping into the economy, it can be a lifeline to nonprofits, many of which have precious little cash to burn and are caught in the crossfire of overwhelming demand and an existential struggle for their own survival.

Leadership in a Time of Crisis

What does good leadership in crisis look like? In this time of unprecedented challenge related to COVID-19, what can we learn from the great leaders of the past?

In a webinar conversation last week, Nancy F. Koehn, business historian and James E. Robison Professor of Business Administration at Harvard Business School, and CEP President Phil Buchanan explored these and other key questions about leading in a time of crisis, with a particular focus on the challenges facing those in philanthropy and nonprofits right now. (CEP’s Grace Nicolette shared welcoming remarks and facilitated Q&A.) We hope that the insights from this hour-long conversation will be useful to philanthropic and nonprofit leaders alike as they seek to lead their organizations through a singularly difficult time and continue the vital work they do for their respective fields, communities, and/or populations.

10 Innovations in Global Philanthropy: Concepts Worth Spreading in the UK

Philanthropy has never been so important to address the complex social and environmental issues we face. In this report, it’s been highlighted ten exciting innovations from around the world which are helping to grow philanthropy both in scale and by ensuring resources are used most effectively.

The innovations have emerged from across the world: they are drawn from countries where philanthropy is already developed, such as the US and Canada, as well as those where it is at a different stage, such as India.

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2020 Consumers Guide to Grants Management Systems

This fifth edition of the <em>Consumers Guide</em> reviews 14 of the most widely used grants management systems against hundreds of requirements criteria developed with the expertise of consultants, vendors, foundation program officers, and system administrators. For the first time, the guide also includes an interactive digital version to make it easier than ever to compare features, systems, and pricing to help foundations choose the best software for its needs.

21st-Century Community Foundations: A Question of Geography and Identity

In this “Leadership Series” paper, Emmett Carson, CEO and president of Silicon Valley Community Foundation, provides a thoughtful examination of fundamental questions facing U.S. community foundations today. Acknowledging that a key characteristic of community foundations is their leadership and civic engagement within their stated geographies, Emmett explores how these institutions are engaging with donors who have a wide range of interests in diverse geographic areas. 21st-Century Community Foundations is intended to be a springboard for the ongoing conversation about the changing definition of community.

An Introductory Guide to Grantmaking

Philanthropy in Australia has grown enormously since the year 2000, due to a combination of factors including tax incentives, new philanthropic structures and (for part of that time) a burgeoning economy, but the general community is also far more aware of the concept of philanthropy. One result of this surge in both interest and practice is the demand for knowledge and expertise in this relatively fledgling discipline.

However, there are few materials available written for Australian foundations, which tend to be smaller and less well-staffed than their overseas counterparts, and who also have more professional development opportunities available to them. This Guide aspires to redress that balance by covering the very basics of grantmaking in an accessible manner.

Being the change: 12 ways foundations are transforming themselves to transform their impact

<p class=”font_9″>To achieve meaningful impact at scale, many foundations are aiming to in influence the actions and investments of the public and private sectors, as well as address the complex and deeply entrenched conditions that hold social problems in place. To do so, foundations are not only offering grant funding, but are also expanding how they apply their assets, knowledge, skills, networks, and people in new ways.</p>
<p class=”font_9″>There is a wealth of information on how to adapt strategies to create impact at scale and to change systems; however, less has been written about what internal practices are needed to make this happen. To find out, FSG interviewed 114 practitioners representing 50 funders and 8 philanthropic services organisations that have gone through or advised internal transformation. Regardless of the scale of budgets, it was agreed that new practices are needed in the areas of staffing, philosophy, structure and design, skill development, and supportive culture.</p>

Assessing the How of Grantmaking: Basic Questions and Critical Indicators

Grantmaking includes three primary components: what, who, and how. As grantmakers, most of us pay attention to what we fund—grantmaking strategy and impact—and who we fund—the grantees we support. But what about how we fund? PEAK Grantmaking contends that grantmakers should pay equal attention to how grants are made , evaluating and continually improving the practices used to make grants.

This resource identifies five core questions that every grantmaking organization should be able to answer about how its grantmaking works. Within each core question, we suggest sub-questions that further define the type of data to collect and provide guidance for how grantmakers might place the answers in context. We also suggest examples of  specific data that your organization can collect and track in order to answer the core questions.

Building Collaboration From the Inside Out

This publication focuses on the internal conditions and environments that enable successful projects. To partner with anyone for anything, an organization needs effective internal culture, practices and priorities that can open and orient its board, staff and volunteers toward being better collaborators. The study enables organizations to start a conversation about their efforts internally and externally to better understand their previous work and to assess their readiness for new efforts.

CEP’s Definition of Philanthropic Effectiveness

Philanthropy can take on pressing challenges that other actors in society cannot, or will not. Given the unique opportunity to deploy tax-advantaged dollars for good, individual and institutional givers alike have an imperative to maximize their effectiveness, and therefore, their impact. But what does effectiveness mean, and what does it look like? How do you know if you’re effective?

CEP’s definition of philanthropic effectiveness details four mutually reinforcing elements that are essential across all funders — no matter their goals and strategies or the issues and communities that they seek to support.

Collaborating for a cause: how cause-related networks can lead to more and better philanthropic giving

Many philanthropists strive to be more strategic and effective in how they address social problems. Cause-related networks for philanthropists offer a way forward, by bringing people together around a shared understanding of a cause and enabling them to share knowledge and resources through the power of inclusive networks.

In this report, the autors explore how to build effective cause-related networks that support more philanthropic giving in the United Kingdom and support people to give in ways that create more impact. It examines what elements of good practice can be applied to cause-related networks, to enable them to achieve scale and impact faster, and also provide practical advice, drawing on lessons from existing networks and the wider philanthropy ecosystem.

Courage in Practice: 5 Principles for Peak Grantmaking

For philanthropy to realize its potential, PEAK Grantmaking is helping members to move from talk to action. With a need to act with courage to advance big ideas like equity and inclusion, narrowing the power gap in the sector, being authentically engaged in the communities, listening and learning from partners, and living out values in their practice.

Created by and for members, the Principles for Peak Grantmaking is their call to action to transform the practice of philanthropy into the practice of principled grantmaking.

Daring to invest: how the early childhood initiative’s attitude towards risk impacted Pittsburgh philanthropy

This case study was developed as one of five companion pieces to stories shared through the Pittsburgh Philanthropy Project. In association with the University of Pittsburgh, the project showcases the rich and varied narratives of giving in the local area through comprehensive storytelling techniques, offering insight to the philanthropy landscape and approach for residents, researchers, and practitioners.

Deciding together: shifting power and resources through participatory grantmaking

In this study, the autors look at why and how funders are engaging in participatory grantmaking and shifting decision-making power to the very communities impacted by funding decisions. Through examples and insights from a diverse range of participatory grantmakers, the publication explores the benefits, challenges, and models of participatory grantmaking.

Donor Resource Guide: Funding Futures – Scholarships as Agents of Social Change

This resource guide is intended to illustrate how scholarship programs can make higher education more open and inclusive to all—and how they can fuel social change. The impact of well-designed scholarships can extend far beyond individual scholars, they can help recognize and cultivate untapped talent and address the inequality that too often thrives both in higher education institutions and in communities around the world.

This donor resource guide will be helpful to anyone who wants to start or improve a scholarship or fellowship program and we hope the guide—with its resources and examples from past programs like the foundation’s International Fellowships Program—inspires donors and institutions alike to take risks and initiate transforming programs.

Drowning in paperwork, distracted from purpose

It is no exaggeration to say that the current system of application and reporting has grantseekers and grantmakers alike drowning in paperwork and distracted from purpose. Indeed, that is the clear finding in the detailed scan of grant application and reporting practices in U.S. foundations today. Such practices may be only a small part of the bigger picture of grantmaking effectiveness, but they threaten to undermine other grantmaking effectiveness efforts by creating barriers to nonprofit success.

This report is the result  of a scan of grant application and reporting practices, their impact on grantseekers and grantmakers, and the implications for the field. Its goal is to spark thinking and dialogue on this topic across a wide range of grantmaking stakeholders of all shapes and sizes.

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Employing people with disabilities: lessons from Kessler Foundation’s Signature Employment Grants

From 2004 through 2019, Kessler Foundation has awarded more than $46.7 million to support national and local initiatives that create or expand opportunities for people with disabilities. This 2018 white paper assesses the diverse grants supported under the Foundation’s Signature Employment Grant (SEG) program in that period. The SEG program provides major funding for pilot initiatives, demonstration projects, and social ventures that generate new models to address the employment gap between people with and without disabilities.

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Frameworks for private foundations: a new model for impact

Philanthropy is evolving more quickly than ever with new societal challenges, new players, and new strategies. Funders are seeking to increase their effectiveness, and want clear, practical guidance for getting there. This GrantCraft leadership series paper produced in partnership with Rockefeller Philanthropy Advisors (RPA), explores the core frameworks that shape private foundations, and offers a roadmap for funders interested in reflecting on these frameworks to better align purpose, public benefit, and action.

From words to action: a practical philanthropic guide to diversity, equity, and inclusion

As communities worldwide are becoming more diverse, they are increasingly tackling the realities of systemic inequity. Philanthropy too must acknowledge its place in the context of transformative demographic changes. Addressing diversity, equity, and inclusion (DEI) has been an ongoing challenge within philanthropy, and while there has been progress, it requires continual work. This  paper  dives into those challenges and opportunities to explore how DEI can become more integrated into grantmaking practices and broader foundation ethos.

Funding Indigenous Peoples: Strategies for Support

This guide looks at how funders collaborate with and bring support to indigenous communities around the world. Through examples from a diverse range of foundations, this guide explores how grantmakers work with indigenous peoples, the approaches they take, and the practices they find effective. The publication was developed in collaboration with International Funders for Indigenous Peoples (IFIP).

Gather: The Art & Science of Effective Convening

This guidebook by The Rockefeller Foundation is organized around the most common building blocks of constructing any convening: deciding whether to convene, clarifying a “north star” purpose, and making a bevy of design choices that flow from that purpose. If offers a set of design principles, key questions, and critical issues to be considered and customized for each one’s situation.

Gender Transformative Giving: the next phase in feminist philanthropy?

Why should donors support gender transformative programming? This report makes the case that supporting gender transformative programming is crucial to effective giving. Gender transformative approaches are a low-risk, high-return opportunity to address gender inequality in greater depth and with more comprehensive solutions.

What it really takes to influence funder practice

Philanthropists are increasingly combining forces to improve grant making. But what it takes to match their “will to skill” in influencing practice can feel murky. Twelve multiyear initiatives of the past decade shed light on promising approaches and reveal four consistent proponents of change.

Innovations in Open Grantmaking

Innovations in Open Grantmaking seeks to provide inspiration and early proof of concept regarding innovative practices at every stage of the grantmaking process. The examples and lessons included can act as suggested guidelines for future research and experimentation around more openly and effectively providing access to public money.

Insight, Impact, and Equity: Collecting Demographic Data

Grantmakers occupy a powerful space of privilege in the social change sector. As such, they have a unique opportunity — and responsibility — to work proactively toward equity and inclusivity. Increasingly, grantmaking institutions are challenging themselves to live their values through their grantmaking practices.

For philanthropy to advance equity in all communities, especially low-income communities and communities of color, it needs to be able to understand the demographics of the organizations being funded (and declined), the people being served, and the communities impacted. That data should be used to assess practices and drive decision making.

Journalism and Media Grantmaking: Five Things You Need to Know and Five Ways to Get Started

This booklet is a starter guide for foundations interested in exploring how to make impactful journalism and community-information grants. Foundations do not need to have a formal journalism program to make grants that support healthy news and information flows. Nor does a foundation need large dollar investments to get started. Even a small grant may help citizens in a given community or demographic gain access to credible information that will help them participate in civic life.

Learning Together: Collaborative Inquiry among Grantmakers and Grantees

Many grantmakers champion the idea of using evaluation to improve grantee effectiveness or advance a field of practice. It’s a worthy endeavor, but how can you make it happen in the real world? This guide explores an increasingly popular method called “collaborative inquiry”. Grantmakers define the practice, consider potential benefits and grapple with common challenges. A mini-case study shows how collaborative inquiry was used to support growth in a new field.

Learning Together: Actionable Approaches for Grantmakers

This publication takes an in-depth look at what it means to open our learning and evaluation practices to grantees, other funders, community members, government agencies and others involved in the work. It addresses some of the big questions that grantmakers face in designing successful shared learning approaches and shares five case studies of how GEO members are putting these ideas <span class=”u-nowrap”>into practice.</span>

Leveraging Data And Technology For Healthy, Equitable, Sustainable Communities

Organizations in the social sector are increasingly exploring and applying new technology for data analysis to inform decision-making, build engagement, and track impact. In 2014, Kaiser Permanente and the W.K. Kellogg Foundation saw an opportunity to reach out to funders, organizations, innovators and developers in multiple sectors to identify gaps and opportunities for leveraging data and technology to support healthy, equitable, and sustainable communities. The foundations engaged Network Impact to surface and frame ideas, areas of alignment and leading opportunities for investment. Network Impact used a listening and ideation process to draw insights from key stakeholders and then synthesized their research into a series of recommendations for the field presented in this report.

Liberando o Potencial da Filantropia

Este guia destina-se a todos os financiadores – institutos, fundações, empresas e filantropos – que desejam compreender como podem contribuir para ampliar o potencial da filantropia de construir sociedades mais resilientes, sustentáveis e democráticas. É disso que se trata o ecossistema de apoio à filantropia, também chamado de infraestrutura de filantropia: desenvolver e mobilizar recursos privados para a produção de bem público, fortalecer a sociedade civil e a democracia, e promover o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O guia é fundamental para a missão de todos os financiadores visionários que querem aumentar o impacto e a sustentabilidade de seu trabalho.

Managing for Learning and Impact

Understanding there is a growing interest of foundations in Europe to evaluate the intended impact of their projects and programs, King Baudouin Foundation (KBF) began to develop this report to presente a more systematic approach and methodology for the evaluation of those projects. This is the fourth edition of this Evaluation Guide and itbuilds heavily on the prior versions from 2010, 2009 and 2008.

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More than Grants: How Funders Can Support Grantee Effectiveness

Trusts and foundations are increasingly looking to become agents of social change themselves as well as funders of it—asking themselves whether providing more than direct services might make more of a difference. Two common ways that funders do this are through providing support to help organisations develop their capacity, and by using a funder’s influence to advocate for change. Here we focus on the former, looking at organisational development support provided by funders from around the world—exploring the types of support given, the evidence for whether it works, and how funders can approach impact measurement.

New Perspectives, New Solutions: Funding Organising Led by Girls and Young Women

In order to increase awareness of the importance of funding girls’ and young women’s groups, and to create new models for supporting their activism, Mama Cash and the Central American Women’s Fund set up the Community of Practice (CoP) in 2011. Over three years of working closely with young women, exploring young feminist culture and reassessing their own internal systems, CoP members learned that it is not only necessary for funders to take notice of young women’s and girls’ groups, but vital. This paper lists seven recommendations to consider when venturing into this exciting sphere along with examples of how CoP members moved these ideas in action.

Personal Estrategy: Mobilizing Your Self for Effective Grantmaking

Whether it’s introducing new ideas into your foundation or offering constructive feedback to a grantee, grantmakers can develop personal strategies to meet the “soft” challenges of grantmaking. Effective personal strategy helps practitioners use their understanding of self and role – as learner, analyst, bridge builder – to manage the tensions that come with the job. In this guide, contributors discuss the elements of personal strategy and how it helps grantmakers to leverage their strengths in service to their objectives. The guide also explores why some grantmakers are able to think and work like “naturals” – and how the rest of us can emulate their style.

Preparing to Deepen Action: A Funder Collaborative Finds its Way

The formation of the Jewish Teen Education and Engagement Funder Collaborative was the result of a process begun by the Jim Joseph Foundation in 2013.  The first 24 months of this  process was thoughtfully documented in a case study issued in January 2015 by Informing Change, entitled, Finding New Paths for Teen Engagement and Learning: A Funder Collaborative Leads the Way.

This case study documents the next stage of the Funder Collaborative’s development, roughly the 21-month period from January 2015 through October 2016 and reflects the Collaborative’s commitment to share its process with others who may choose to embark on their own co-funding endeavor. The study explores the Collaborative’s experience as it deepens its work in the realm of action and slowly considers how to move toward impact.

Principles for Effective Education Grantmaking

In 2005, Grantmakers for Education announced eight education grantmaking practices – drawn from the experience and wisdom of successful grantmakers and donors – that lead to results in education. These Principles for Effective Education Grantmaking seek to promote the wisdom, craft and knowledge education funders need to achieve maximum results. The eight principles are outlined in this guide and are related to discipline and focus, knowledge,  outcomes, effective grantees, engaged partners, leverage, persistence, and innovation and learning.

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Responsive vs. Strategic Grantmaking: Exploring the Options

In philanthropy, there is much written about responsive and strategic approaches to philanthropy. Which approach is the most appropriate? Meaningful? Effective? While there is always room for both approaches, it’s important for foundations to understand each one to determine when one approach may be preferable to another. For that, this guide discusses:
<ul>
<li>The definition of responsive vs. strategic grantmaking</li>
<li>The pros and cons of responsive vs. strategic grantmaking</li>
<li>10 tips for getting started in strategic grantmaking</li>
<li>5 mistakes to avoid when focusing on your grantmaking</li>
<li>A board’s role in determining direction and strategy.</li>
</ul>

Saying Yes/Saying No to Applicants: Strengthening Your Decision Giving Skills

Most funders review more proposals than they can recommend for funding. Decision making about what to fund is challenging and so is decision giving to hopeful applicants. How do you say yes, or no, so that grant applicants understand your foundation’s rationale, feel that they’ve been treated fairly, and can make realistic plans about their next steps? This guide offers observations and suggestions from funders and grantees to make this task easier and more meaningful.

Smart Money: Recommendations for an Educational Technology and Digital Engagement Investment Strategy

This report is the result of a co-investment and includes a provocative set of recommendations for the Jim Joseph Foundation and William Davidson Foundations to consider and an illuminating landscape analysis of the educational technology field. The report was initially commissioned for the foundations’ internal purposes, without explicit plans to share it widely. However, after reviewing it, it was understood that the learnings here are highly relevant to others in the field: funders, practitioners, community leaders, and anyone interested in how tools of educational technology and digital engagement could advance cultural and religious learning and engagement. Because of the report’s substance, there is a desire and a responsibility to share it and also the belief that it offers an important look into the process foundations undertake to explore a new space in which to consider developing an investment strategy.

Speaking Up! Foundations and Advocacy in Europe

European countries have very diverse traditions in philanthropy, and many foundations not only fund advocacy but directly influence policy agendas through their operational programmes. This guide explores how foundations do so through interactions with local and national governments as well as the European institutions.

Supporting Grantee Capacity Strengthening Effectiveness Together

The report discusses how funders approach building capacity with grantees through examples from foundations ranging in size, mission, and geography, we explore various strategies for capacity building and the types of awareness that funders can choose to incorporate in decision making to facilitate informed, thoughtful judgments about strengthening organizations.

The Funder’s Guide to Investing in Volunteer Engagement

With UPS Foundation as the premier funder, the original version of this guide was developed in 2004 with contributions from more than 50 grant makers, nonprofit leaders and corporate executives from across the United States. This revised guide provides a platform for funders, corporations, government and other stakeholders to learn more about how and why investing in strategic volunteer engagement will increase the impact of the organizations they support. It features:
<ul>
<li>Current research and its implications for volunteer engagement</li>
<li>Tools and information to assess a nonprofit’s organizational capacity for volunteer engagement</li>
<li>Options for supporting volunteerism and volunteer engagement in local communities</li>
<li>Successful models of funder investment in volunteer engagement.</li>
</ul>

Black Grant Directors’ Roundtable: Lessons from a career in philanthropy

Five grants management leaders offer on-the-ground testimony to the challenges of Black professionals in the sector – from the complexities of practicing DEI to the ways race has affected perceptions of their leadership, to the realities of code-switching your way through the white-dominant workplace.

We offer our gratitude for the generosity and candor of Nicole Howe Buggs, Chief Administrative Officer and Corporate Secretary at the Carnegie Corporation of New York; Ify Mora, Director, Program Operations at Margaret A. Cargill Philanthropies, and PEAK Grantmaking board member; Miyesha Perry, Director of Grants Management at the Kenneth Rainin Foundation; and Timothy Robinson, AVP – Operations and Grants Administration at the Lumina Foundation, and PEAK Grantmaking board member; and Susan Hairston, Susan Hairston Consulting.

How This Crisis May Upend Grant Making for Good

As Covid-19 disrupts every aspect of our lives, the demands on foundations and nonprofits are already unprecedented. None of us can fully imagine what it will take for us to respond. But it is clear that philanthropy can’t engage in business as usual.

That’s why a group of us quietly joined forces to figure out how to ensure nonprofits have the resources to help all who are at risk from this unfolding health and economic crisis. In just a few days, more than 300 grant makers pledged to loosen or eliminate restrictions on our funding and trust in our nonprofit partners to find the best solutions for the people they serve. (Editor’s update on May 1: This number is now at 727.)  The pledge also commits us to learn from this crisis so that we can permanently and fundamentally change the way that philanthropy does business.

We Need a New Name for Grants Management Systems

With the recent release of the 2020 edition of the Consumers Guide to Grants Management Systems, we have a valuable new resource for foundations that are eager to switch to a new system.

The thing is, these are no longer simply the grants management systems of the past. In the past five years, these tools have evolved from back-office systems used primarily by grants management teams to beginning-to-end grantmaking systems that can – and should – be used by a foundation’s entire staff to support the complete grantmaking process, from strategy development to grant closure.

Trust-Based Philanthropy is Trending. What Will It Take to Sustain It?

Last week, over 200 foundations signed a pledge calling upon philanthropy to loosen restrictions on nonprofit partners amidst the mounting uncertainty of COVID-19. As steering committee members of the Trust-Based Philanthropy Project, we are heartened to see this outpouring of action and support from our colleagues, and thrilled that it’s sparked a growing trend toward trust.

As more and more funders recognize the importance of ceding and sharing power with an eye toward bringing some relief to our nonprofit partners and the communities they serve, we have reached an important inflection point. Will everything go back to the status quo after all this is over, or will our sector finally realize the long-term benefits of a trust-based approach?

Funders, the Time is Now to Talk Recession-Planning with Grantees

Most economists believe the U.S. economy will enter the next recession by the end of 2021. Though that date is already fast approaching, the spread of the novel coronavirus (COVID-19) across the world — and the disruption and uncertainty it has brought with it — has suddenly thrust the impending threat of a recession into urgent clarity, and on a global scale.

On Monday this week, stemming from fears of the U.S. economy shutting down or slowing operations in an attempt to contain the virus’s spread, U.S. markets saw the steepest single-day drop since 2008. As Neil Irwin wrote in The Upshot earlier this week, “These market prices are telling us that a recession is becoming more likely in the United States this year, and that it will probably leave scars on the economy for years to come.”

Relationships first, money after

Philanthropy can help restore the power and dignity of Indigenous Peoples and their cultures, but it takes more than writing cheques, having meetings and making the right noises

‘He aha te mea nui o te ao, he tāngata, he tāngata he tāngata’ – ‘What is the most important thing in this world, it is people, people, people.’ (Māori whakatauakī/proverb).

Māori are tangata whenua – the Indigenous people of Aotearoa New Zealand. As a Māori man chairing the board of a family foundation, I find myself in a very exclusive club. At the end of 2018, I was elected as the first Māori chair of the J R McKenzie Trust which also meant that I was the first Māori chair of a family foundation in Aotearoa. The very fact that this didn’t occur until 2018 might seem anomalous to those who see this country as a trailblazer when it comes to the advancement and recognition of Indigenous rights and freedoms.

Designing Partner-Centered Grantmaking Processes

Human-centered design is on the rise within the social sector. Governments, nonprofits, and social enterprises are increasingly generating products, systems, and processes that put the people primarily affected by a problem at the center of their design process. Called “design thinking,” this methodology enables the sector to tackle complex social problems and design innovative responses and solutions that better reflect the lived experience of a community.

The philanthropic sector can also apply design thinking to create grantmaking and capacity development experiences that more intentionally, authentically, and creatively meet the needs of nonprofit organizations. Starting from a place of empathy – the first step of design thinking – foundations can explore opportunities for more partner-centered grantmaking. As philanthropy continues to strengthen diversity, equity, and inclusion in the sector and shift power in grantmaking, design thinking is another tool in funders’ toolbox for social change.

Teaming up for advocacy: how to effectively use a collaborative to drive change

This guide captures the wisdom of philanthropic leaders who have participated in multi-party advocacy collaboratives. It synthesizes information to dig deeper and understand the pain points and levers of success tied to funding advocacy and donor collaboratives. Each bite-sized chapter is intended to make this work easy to reference and share, and to read as a full body of work or in pieces.

Getting Your Board on Board with Participatory Grantmaking

When I started talking to people in the UK funding sector about my fellowship, one of the questions that got brought up, again and again, was how to get boards and senior managers on board with participatory approaches. As the majority of foundations I met were set up as participatory funders this question was quite difficult for them to respond to. The tension between boards and approach was totally alien to them as their boards and senior management had been the instigators and biggest champions of participatory approaches.

For the few more traditional foundations I met with, they were likely to have only small pockets of participatory grantmaking within their portfolios either through one-off programs of funding or through testing smaller aspects of participation within their work, such as having a layperson on their decision making panels or recruiting staff from the communities they were trying to serve.

Segundo edital do Fundo BIS tem inscrições abertas até 31 de janeiro

Dois anos após seu primeiro edital, que financiou quatro projetos nas frentes de inovação, comunicação, produção de conhecimento e advocacy, o Fundo BIS está novamente em busca de iniciativas inovadoras que ajudem a solucionar entraves no que se refere à promoção da doação e do grantmaking no Brasil.

Nessa segunda edição, a iniciativa disponibilizará até R$ 240 mil para o financiamento de ações de desenvolvimento e criação de novas plataformas, ferramentas, soluções e serviços inovadores que possibilitem o mapeamento e a conexão estratégica e facilitada entre quem doa/financia e quem executa/realiza projetos sociais, ambientais, científicos e culturais de finalidade pública, incluindo negócios de impacto.

Além disso, são bem-vindas propostas para ampliação da confiança, qualidade e eficiência nas relações entre doadores, iniciativas e organizações da sociedade civil, o que se dará a partir da facilitação e otimização dos processos de aplicação às doações, monitoramento e avaliação dos projetos, comunicação das ações e prestação de contas. O edital apresenta alguns exemplos de propostas que poderiam ser contempladas em relação a esses dois eixos.

Critérios e etapas de avaliação

O segundo edital do Fundo BIS aceitará propostas enviadas por pessoas jurídicas. Coletivos, movimentos, redes e alianças também serão bem-vindos, desde que através de um Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ).

Podem se inscrever iniciativas de todo o Brasil. A diversidade geográfica será levada em consideração na composição e seleção do grupo de finalistas.

Os candidatos devem se inscrever preenchendo um formulário online para apresentação da proposta e de sua aderência aos princípios e critérios constantes do edital.

As melhores iniciativas serão selecionadas para a próxima fase, quando o proponente será convidado a preencher um novo formulário, mais completo. O detalhamento orçamentário para implementar o projeto também deverá ser informado nessa etapa.

A escolha dos projetos será realizada pelo comitê de seleção criado para a segunda chamada. Aderência ao foco do edital, impacto coletivo e desenvolvimento do ecossistema, histórico positivo dos proponentes e viabilidade e inovação e diversidade das iniciativas serão os critérios adotados para a seleção dos projetos.

O número de iniciativas selecionadas e o valor dos aportes dependerão da qualidade das propostas e dos recursos solicitados pelas iniciativas selecionadas.

Doação de pessoas físicas

Além das organizações que estão apoiando o Fundo BIS, nesta 2ª edição também existe a possibilidade de pessoas físicas contribuírem com suas doações. A primeira doadora individual do Fundo BIS é Joana Lee Ribeiro Mortari, Diretora da Associação Acorde, integrante do comitê coordenador do Movimento por Uma Cultura de Doação e do comitê de seleção do 2º edital do Fundo BIS.

“O Fundo BIS tem como missão fortalecer a cultura de doação no Brasil e não há nada mais transformador do que sermos a mudança que queremos ver no mundo. Doar é acreditar e confiar”, afirma Joana.

Inscrições e cronograma

As inscrições para participar do 2º edital do Fundo BIS se encerram em 31 de janeiro. As iniciativas selecionadas serão divulgadas no site do Fundo BIS no dia 30 de abril de 2020. Os projetos serão acompanhados entre maio de 2020 e maio de 2021.

Mais informações podem ser conferidas no regulamento, disponível no site da iniciativa. Para saber como ser um(a) doador(a) individual do Fundo BIS, envie uma mensagem para o e-mail [email protected]

A Call to Action: Philanthropy’s Commitment During COVID-19

The rapid spread of COVID-19 has created a global health and economic crisis that is testing every one of us. We know that the shocks of this “new normal” are severe and unanticipated for our sector and grantee partners.

As leaders in philanthropy, we recognize the critical need to act with fierce urgency to support our nonprofit partners as well as the people and communities hit hardest by the impacts of COVID-19.

We invite funders and other leaders in the philanthropic sector to join us in making these commitments and collectively holding ourselves accountable to them by signing this pledge of action.

Understanding the organizational needs of our grantees

A key part of our BUILD grants is the Organizational Mapping Tool (OMT), an open-source assessment tool to help nonprofits identify and prioritize where they need strengthening as organizations. The tool is designed to provide clear qualitative markers of development, creating an assessment of an organization’s current state as well as a roadmap for its improvement. BUILD grantees use the tool at the beginning of their grant period, and, now that almost 200 of them have participated, we’re seeing it become an essential source for learning not just here at Ford but hopefully for funders and nonprofits alike.

Diversity, Inclusion and Equity Tools and Resources for Grantmakers

At the Ford Foundation, we believe a commitment to diversity, equity, and inclusion (DEI) is critical to the success of any social justice organization. We have created a toolkit to help funders, organizations and the philanthropic community at large identify and instill best practices for DEI-related issues.

The case studies and guides draw from four real-life scenarios to help grantmakers and grantees become more adept in establishing processes and policies in their own work.

Rethinking “Us” and “Them” in Family Philanthropy

In the past few weeks, we have been inundated with information about how philanthropy can respond to this pandemic. Many emergency and collaborative funds are being formed by reputable intermediaries, making it easier to get money into the hands of those who need it most. It’s heartening to see the clear and consistent messages coming from all parts of the sector: assure your grantee partners that you have their back; keep your funding flexible; support both immediate needs and long-term recovery; and focus on the most vulnerable. We’ve learned these lessons from other crises and need to apply them now.

RT de Grantmaking faz balanço do ano, anuncia novidades e dá início a planejamento para 2020

O último encontro da Rede Temática (RT) de Grantmaking, realizado no dia 4 de dezembro, no Centro de Pesquisa e Formação Sesc, deu seguimento às conversas sobre a relação entre grantmakers e grantees por meio da experiência de rede de coletivos e organizações Potências Periféricas, que compartilhou os aprendizados sistematizados a partir da interlocução com investidores sociais. Também foi realizado um balanço de 2019, retomando as principais discussões e realizações do ano.

Dados da nova edição do Censo GIFE, lançado em novembro, mostram que cresceu a porcentagem de organizações com perfil financiador: de 16%, em 2016, para 23%, em 2018. Outro número que apresentou aumento, segundo os 133 respondentes, foi a proporção de investimentos em projetos de terceiros: de 21%, em 2016, para 35%, em 2018, com aumento de R$ 1,1 bilhão.

José Marcelo Zacchi, secretário-geral do GIFE, reforçou que esses dados conversam diretamente com o chamado persistente feito durante a última década para que institutos, fundações e empresas incrementem suas práticas de grantmaking. “No último Censo já víamos uma fala de que os respondentes tinham a intenção de fazer mais grantmaking, mas isso não se refletia tanto na prática. A existência de um espaço como essa RT que tratasse não sobre a necessidade de fazer grantmaking, mas sobre o seu dia a dia, nos parece algo que incrementa o setor. Apesar desse aumento, nossa missão não está cumprida, pois o ponteiro precisa se mover ainda mais ao longo dos anos.”

Com o objetivo de ter um espaço que reúna sites e materiais de referência sobre a prática, José Marcelo comentou sobre a criação de um portal online, com previsão de lançamento até a 11ª edição do Congresso GIFE, que acontecerá em maio de 2020. Com a parceria de Instituto Clima e Sociedade, Instituto Humanize, Instituto ACP e Instituto Sicoob, a ideia é, segundo o secretário-geral, criar um site que reúna conteúdos em um esforço de difusão de práticas e ferramentas e atualização de plataformas disponíveis.

O lado dos financiadores 

Representantes do Instituto Jatobás e Fundação Tide Setubal, organizações que atuaram com o Potências Periféricas, comentaram vantagens, aprendizados e desafios quando o assunto é apoiar organizações em parceria.

Isabel Pato, coordenadora de projetos do programa Rede Comunidade de Inovação Social, do Instituto Jatobás, explicou o funcionamento da Rede Comunidade, criada em 2016 com o objetivo de apoiar e incentivar grupos que queiram enfrentar desafios socioambientais por meio da inovação social.

Baseada em três pilares – apoio a grupos, animação de rede e gestão de conhecimento – a Rede agrupa o lançamento de editais anuais com apoios financeiros e técnicos, além do fortalecimento de coletivos e redes. Isabel explica que apenas o primeiro edital, lançado em 2018, foi uma iniciativa solo.

“Fazer uma chamada em parceria potencializa e fortalece as expertises de cada um. A Fundação Tide Setubal, por exemplo, com quem lançamos um edital, tem todo um mapeamento de coletivos, então nós entramos com o recurso e a formação e eles entraram com a rede de contatos e cederam o espaço do Galpão ZL.”

Entre as vantagens do trabalho em conjunto, a coordenadora pontuou a ampliação da rede de conexões, otimização de recursos e maior possibilidade de testes. Os aprendizados, que são vários, incluem capacidade de escuta, aprender a ceder e alinhamento entre estratégia e ações.

Wagner Silva, coordenador de mobilização social e redes da Fundação Tide Setubal, reforçou a necessidade de pensar potencialização e mentorias voltadas ao desenvolvimento institucional e das lideranças periféricas – considerando a atuação da Fundação -, investir em processos de escuta e inclusão dos conhecimentos dos territórios e repensar o sistema de financiamento.

“Uma questão que surge nas periferias é que nossos editais geram um sentimento de competição. Enquanto esses territórios têm atuado de forma mais horizontal e orgânica, nós temos estimulado a competição, pois trata-se de um recurso finito, então é importante pensar nisso.”

Entre os aprendizados, o coordenador pontuou seis pilares: cocriar, reduzir burocracia para atender um grupo mais diverso de organizações – como aquelas que não são formalizadas -, simplificar processos de prestação de contas que possibilitem aprendizados às organizações, flexibilidade, autonomia financeira e confiança. “Precisamos pensar de que maneira podemos incorporar e olhar as reais necessidades dessas organizações para pensar em programas que estejam alinhados com as iniciativas e não apenas para responder aos nossos investimentos. Em autonomia financeira, devemos possibilitar que a organização faça aquilo que atende à necessidade do território, não o que eu, enquanto financiador, acho que deve ser feito”, exemplificou.

Os apoiados: Potências Periféricas 

Anderson Meneses e Ana Paula Oliveira apresentaram o Potências Periféricas, coletivo criado com o objetivo de cocriar e fomentar um ecossistema de cultura sustentável das potências periféricas, apoiado pela Fundação Tide Setubal e Instituto Jatobás. “Nos propomos a conversar, abrir portas e caminhos para movimentar um ecossistema, o qual queremos que seja feito com e para as periferias. Além disso, queremos pensar em um modelo sustentável porque, apesar de ficarmos muito felizes quando ganhamos um edital, sabemos que a grana irá durar alguns meses. Então, precisamos pensar em como fazer esse dinheiro girar e gerar mais dinheiro”, comentou Anderson.

Um elemento que marca presença tanto nos objetivos do Potências Periféricas, quanto no caminho para atingi-los é uma maior participação de líderes, pessoas e potências das diversas periferias brasileiras em ações, editais, programas, projetos e iniciativas que serão desenvolvidos nesses territórios.

Para que alguns sonhos do Potências Periféricas se realizem – como ter editais acessíveis construídos com e para a periferia e as próprias periferias criando formas de financiamento local e alcance da autonomia financeira – é necessário dar um passo atrás e pensar em algumas etapas, como aumento de organizações financiadoras criando oportunidades para as periferias, rede ampliada e grupos periféricos com mais autonomia financeira para gerir recursos por meio de um círculo afetivo natural para trocas, além do aumento da qualidade da circulação de informação e formação dentro do campo social.

Para que tudo isso aconteça, Anderson pontuou que é necessário que investidores sociais repensem suas estratégias de apoio e disponibilizem recursos mais flexíveis. “Se nós tivéssemos que apresentar uma planilha fechada com todos os nossos custos para receber o apoio da Tide e do Jatobás, talvez não estivéssemos aqui hoje. O investimento para testar e arriscar é uma forma de inovar as potências que existem nas periferias.”

Anderson comentou ainda que, para facilitar todo esse ‘meio de campo’ para que organizações financiadoras conversem e acessem mais as iniciativas periféricas, o Potências pretende lançar um conjunto de materiais e informações que ajudem os investidores a chegar nas periferias. O coletivo também está estudando a criação de uma caixa de ferramentas com dicas para o outro lado, ou seja, apoiar as iniciativas periféricas a terem acesso aos recursos.

Encaminhamentos 

O terceiro e último bloco da reunião foi destinado a um balanço da participação dos membros nas quatro reuniões realizadas em 2019 e à escuta sobre possíveis contatos e parcerias criadas em função do convívio e da troca de experiências realizada durante os encontros.

Representantes do Instituto Samuel Klein, por exemplo, comentaram que as reuniões da Rede ajudaram a ter mais clareza sobre a importância de pensar investimentos não vinculados à realização de um projeto, mas sim destinado ao apoio institucional.

Os participantes puderam ainda anotar sugestões para 2020 entre temas a serem debatidos, cases específicos a serem convidados, propostas de novos formatos e dicas em geral. O material será utilizado pela coordenação da RT para apoiar a realização de um planejamento estratégico no início de 2020.

GIFE lança segundo edital do Fundo BIS

A cultura e as práticas de doação no Brasil têm bastante espaço para crescimento: enquanto nos Estados Unidos a doação representa 2% do PIB (Produto Interno Bruto) do país, aqui esse número corresponde a apenas 0,23% do PIB nacional, segundo dados das pesquisas Doação Brasil (2015) e ‘Eficácia dos Investimentos Sociais’, da McKinsey (2008).

O Brasil também tem potencial para expandir suas práticas de grantmaking. Segundo os dados do Censo GIFE de 2018, ainda que o percentual de investidores sociais que predominantemente doam para organizações ou projetos de terceiros tenha aumentado de 16% para 23% e que o percentual das organizações executoras de projetos próprios tenha tido uma queda, passando de 43% em 2016 para 40% em 2018, os executores ainda prevalecem tanto em relação aos doadores quanto em relação aos investidores híbridos (38%), que combinam o aporte de recursos em suas próprias iniciativas com o apoio a organizações da sociedade civil.

Com o intuito de contribuir com essa expansão, o GIFE lança o segundo edital do Fundo BIS. A iniciativa visa apoiar soluções inovadoras que criem um ambiente cada vez mais favorável e estimulante para que todos os brasileiros sejam doadores – o que significa tanto facilitar a conexão entre doadores e donatários de recursos, como estreitar e aprofundar as relações de confiança entre eles, reconhecendo e legitimando o papel das OSCs na promoção e defesa de temas da agenda pública e enquanto atores que revigoram o espaço cívico e democrático brasileiro.

O Fundo BIS é uma iniciativa de um grupo de organizações e indivíduos interessados em incentivar e facilitar a ampliação da cultura de doação no Brasil. O GIFE é responsável pela gestão do Fundo.

Dois anos após o primeiro edital, que financiou quatro projetos nas frentes de inovação, comunicação, produção de conhecimento e advocacy, o Fundo BIS está, mais uma vez, em busca de iniciativas inovadoras, inéditas ou já existentes, que ajudem a solucionar entraves no que se refere à promoção da doação e do grantmaking no Brasil, a fim de mobilizar cada vez mais recursos privados para produção de bem público. Nesta segunda edição, a iniciativa disponibilizará até R$ 240 mil no total para o financiamento dos projetos selecionados.

José Marcelo Zacchi, secretário-executivo do GIFE, explica que o segundo edital faz parte de uma estratégia mais ampla da instituição, em parceria com diversas organizações, composta também por ações de produção de conhecimento, comunicação, articulação e advocacy no âmbito do projeto Sustentabilidade Econômica das OSCs (Sustenta OSC) e da RT de Grantmaking – esta última prevendo para o próximo período a construção de uma plataforma com conteúdos que servirão de referência para que doadores e organizações possam aprimorar suas práticas.

“Não se trata de um desafio conjuntural, mas de longo curso. Com o esforço de um movimento pela cultura de doação, produzimos avanços no que se refere à expansão e ao fortalecimento da mobilização de recursos privados para o impulsionamento de causas públicas, mas temos mais a avançar.”

Segundo o secretário, o novo edital do Fundo BIS se insere como um passo adiante nesse trilho com uma convocação específica por soluções inovadoras que ajudem tanto a fazer com que doadores e organizações possam se encontrar, quanto para que, uma vez que um identifique o outro, essa relação possa ser de mais qualidade, menos burocratizada, mais eficiente, transparente e fluida, com confiança e parceria fortalecidas no dia a dia.

“A iniciativa do Fundo BIS tem uma conexão grande com a premissa de que uma democracia forte passa necessariamente por um espaço de ação coletiva fortalecido. Essa malha de ação pública é o que vai dar lastro para a capacidade da sociedade de se mobilizar para responder a seus desafios.”

Propostas

O segundo edital do Fundo BIS pretende apoiar iniciativas de desenvolvimento e criação de novas plataformas, ferramentas, soluções e serviços inovadores que possibilitem o mapeamento e a conexão estratégica e facilitada entre quem doa/financia e quem executa/realiza projetos sociais, ambientais, científicos e culturais de finalidade pública, incluindo negócios de impacto. Além disso, são bem-vindas propostas para ampliação da confiança, qualidade e eficiência nas relações entre doadores, iniciativas e organizações da sociedade civil, o que se dará a partir da facilitação e otimização dos processos de aplicação às doações, monitoramento e avaliação dos projetos, comunicação das ações e prestação de contas.

A título de ilustração, o edital apresenta alguns exemplos de propostas que poderiam ser contempladas em relação a esses dois eixos:

  • Serviços, mecanismos, plataformas e aplicativos que promovam e facilitem a identificação e o acesso a projetos/organizações pelos doadores e/ou o acesso a potenciais doadores por quem busca recursos, para que haja maior alinhamento às estratégias e focos de atuação de ambas as partes;
  • Plataformas, mecanismos e ferramentas que acoplem tecnologia e informação para incentivar novas práticas e evidenciar uma maior transparência dos processos de doação e gestão das doações, seja na forma como as OSCs apresentam seus projetos e comunicam suas ações, seja como constroem e divulgam suas prestações de contas;
  • Plataformas, instrumentos e ferramentas de aprimoramento de fluxos e processos da gestão do grantmaking; de integração da prestação de contas das OSCs para diferentes financiadores; automação de processos por meio da implementação de novas tecnologias e de estímulo ao uso eficiente dos recursos doados, eliminando desperdícios.

O segundo edital do Fundo BIS aceitará propostas enviadas por pessoas jurídicas, que poderão ser: organizações da sociedade civil (associações e fundações), empresas e cooperativas. Propostas advindas de coletivos, movimentos, redes e alianças também serão bem-vindas, desde que através de uma pessoa jurídica, incluindo a possibilidade do formato MEI (Microempreendedor Individual), sempre e quando possam atender os termos deste edital e as demandas de prestação de contas do Fundo.

Critérios e etapas de avaliação

Aderência ao foco do edital, impacto coletivo e desenvolvimento do ecossistema, histórico positivo dos proponentes e viabilidade e inovação e diversidade das iniciativas serão os critérios adotados para a seleção dos projetos.

Podem se inscrever iniciativas de todo o Brasil. A diversidade geográfica será levada em consideração na composição e seleção do grupo de finalistas.

O processo de seleção prevê três fases. Na primeira, os candidatos devem se inscrever preenchendo um formulário online para apresentação da iniciativa e de que forma ela tem aderência aos princípios e critérios constantes do edital.

As melhores iniciativas serão selecionadas para a próxima fase, quando o proponente será convidado a preencher um novo formulário, mais completo, em que poderá detalhar como sua iniciativa foi/será concebida, seus principais diferenciais e que resultados alcançou/alcançará com ela, entre outras informações relevantes. O detalhamento orçamentário para implementar o projeto também deverá ser informado nessa etapa.

Na terceira e última fase, a escolha dos projetos será realizada pelo comitê de seleção criado para o edital, que poderá contar com o auxílio de especialistas externos de diversos setores (acadêmico, empresarial, governamental e/ou da sociedade civil), a depender do perfil dos projetos selecionados.

O número de iniciativas selecionadas e o valor dos aportes dependerão da qualidade das propostas e dos recursos solicitados pelas iniciativas selecionadas.

Inscrições e cronograma

As inscrições para participar do 2º edital do Fundo BIS têm início no dia 28 de novembro e se encerram em 31 de janeiro de 2020. As iniciativas selecionadas serão divulgadas no site do Fundo BIS no dia 30 abril de 2020.

Os projetos serão acompanhados entre maio de 2020 e maio de 2021.

Mais informações podem ser conferidas no regulamento, que estará disponível no site a partir da data de abertura das inscrições. Dúvidas podem ser enviadas para o e-mail [email protected].

RT de Grantmaking retoma discussão sobre apoio institucional com exposição de cases

O 5º encontro da Rede Temática (RT) de Grantmaking, realizado no dia 9 de outubro, na sede da Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep), em São Paulo, deu continuidade a uma demanda dos próprios membros de conhecerem melhor a atuação uns dos outros. Para além dos repasses financeiros, as organizações que compõem a rede manifestaram o desejo de saber como seus pares estão atuando para o fortalecimento institucional das organizações da sociedade civil (OSCs) que apoiam.

O 4º encontro deu início a essa iniciativa, com a exposição de quatro cases. O 5º contou com a contribuição de outras duas organizações: Fundação FEAC e Instituto C&A.

Karen Polaz, coordenadora de fomento e inovação do GIFE, repercutiu alguns dados sobre práticas de grantmaking mapeadas pelo último Censo GIFE. A maioria dos associados classifica-se como predominantemente executora: 60% dos R$ 2,9 bilhões destinados pelas instituições respondentes da pesquisa foram aportados em ações e programas próprios. Se comparado ao montante de 2014, o volume de investimento em ações e patrocínios a terceiros diminuiu 33%.

Apesar disso, o Censo de 2016 apontou aumento não só no apoio ao fortalecimento de OSCs – de 21% para 35% dos associados -, mas também do reconhecimento do trabalho que essas organizações realizam.

Conhecimento aliado à prática 

Leandro Pinheiro, superintendente socioeducativo da Fundação FEAC, dividiu com os presentes os aprendizados do Programa Qualificação da Gestão de OSCs, que tem como objetivo investir em formações para que as organizações de Campinas consigam operar de forma autônoma, com processos de gestão eficientes, conformidade, regularidade e impacto social significativo.

O superintendente observou que o modelo atual do programa, entretanto, não foi alcançado na primeira tentativa. Foi necessário reunir aprendizados e remodelar o curso de gestão oferecido pela Fundação. Depois de uma pesquisa de satisfação sobre a formação, a FEAC percebeu, entre outros pontos, que, muitas vezes, as OSCs já contam com um razoável nível de conhecimento, mas necessitam de incentivo para mudar suas práticas. “Às vezes, nós focamos em transmissão de conhecimento, enquanto a dificuldade maior está em incidir em uma combinação entre conhecimento, atitude e prática”, explicou Leandro.

Atualmente, a nova estratégia contempla, a uma primeira etapa de engajamento. As OSCs participam de um workshop sobre cenário e tendências do terceiro setor. Além disso, recebem o desafio de conseguir ao menos um novo doador.

O resultado da primeira turma após a mudança surpreendeu: 41 organizações conseguiram completar o desafio e avançaram para a etapa de certificação, realizada pela Phomenta, com base em padrões internacionais de Transparência e Boas Práticas Sociais do International Committee on Fundraising Organizations (ICFO).

Nesse ponto, as organizações se dividem entre certificadas – essas encaminhadas para o projeto Gerir Estratégico, composto por módulos de sustentabilidade econômica, informação pública, captação de recursos, gestão e governança e responsabilidade financeira e não certificadas – encaminhadas para o Gerir, projeto composto pelos módulos gestão administrativa financeira, planejamento operacional, implantação e comunicação de resultados, para que passem novamente pelo diagnóstico.

Leandro afirma que além do certificado, o relatório desse diagnóstico foi muito relevante para as organizações pelo fato de apontar quais pontos precisam ser melhorados. Outras iniciativas integram o programa, como a Incubadora de OSC e a Rodada Social. Conheça mais neste link.

Instituto C&A

Após atuar em educação por mais de 20 anos, o Instituto C&A assumiu uma nova diretriz: a indústria da moda.

Fábio Almeida, gerente de desenvolvimento institucional e redes do Instituto C&A, explicou que muitos foram os cuidados para que a mudança não significasse o fim dos projetos apoiados. Para isso, estruturou-se um “programa de saída” e extensão dos apoios por até três anos. Com essa remodelação, o Instituto C&A passou a ter como missão ‘Inspirar a crença de que a indústria da moda pode mudar e apoiar iniciativas que irão fazer isso acontecer’ e a atuar em quatro programas: Incentivo ao Algodão Sustentável, Moda Circular, Direitos e Trabalho e Fortalecimento de Comunidades. As quatro iniciativas têm em comum duas lentes transversais: o desenvolvimento institucional e redes e justiça de gênero.

“A C&A Foundation percebeu que precisava investir mais em desenvolvimento institucional depois de realizar um processo de entrevistas com os parceiros. Muitos deles apontaram que era necessário melhorar a relação, com mais confiança por parte da Fundação nas organizações apoiadas. Além disso, percebemos que concedíamos menos apoio institucional do que outros parceiros que também realizam grants”, explicou Fábio.

Dessa forma, o instituto desenhou uma estratégia que se divide em quatro linhas de atuação. A primeira, Core Support, investe no desenvolvimento organizacional e fornece apoios flexíveis e desvinculados de projetos. Já a linha Collective Action financia redes e alianças.

Com o objetivo de olhar para o campo e apoiar seu desenvolvimento, a linha Field Building prioriza apoios à sociedade civil democrática, filantropia colaborativa e indústria. Atualmente, essa linha só é desenvolvida no Brasil, mas há planos de expandi-la para outros territórios.

“Atuamos, em linhas gerais, como grantmakers de organizações sociais. Se não tivermos uma sociedade civil democrática e um espaço cívico garantido no Brasil, o Instituto e, provavelmente, todos nós aqui nessa sala não alcançaremos nossos objetivos. Dessa forma, mesmo considerando a complexidade e imensidão do campo, conseguimos fazer alguns investimentos que fogem da temática da moda. No tema de filantropia colaborativa, apoiamos, tradicionalmente, o GIFE, por exemplo.”

Por fim, na linha Partner Support Funds, o Instituto C&A atua por meio de dois fundos: o fundo de aprendizado – dedicado a custear viagens de parceiros, por exemplo, para que conheçam iniciativas de outras regiões ou países – e um fundo para situações emergenciais.

“O mais óbvio quando falamos de desenvolvimento institucional é olhar para as camadas de fora. Quando questionamos as organizações sobre o que precisam, na maioria das vezes, a resposta é investir em comunicação e financiamento. Mas, conforme vamos ‘adentrando as outras camadas’, devemos olhar para as competências da equipe, regimes que regem a organização, até sua missão, visão e valores. Acredito que esse é o grande ‘gol’ do desenvolvimento institucional.”

Encaminhamentos e próximos passos 

Como forma de repercutir os aprendizados a partir das duas exposições, os participantes dividiram-se em dois grupos e debateram sobre a importância de as organizações definirem o que é fortalecimento, assim como os resultados que desejam obter com seus apoios. Também foi mencionada a importância do engajamento e da vontade, por parte das organizações apoiadas, de não só receberem repasses financeiros, mas também de participarem de formações e capacitações.

Com o intuito de somar expertises e trabalhar em conjunto, a rede refletiu sobre algumas ideias, como, por exemplo, a criação de uma planilha online na qual cada membro da RT poderá explicar brevemente os apoios institucionais que realiza. A ideia é que a ferramenta permita que os membros da rede se conheçam mais e melhor quanto às suas formas de atuação e que ajude a dar origem a iniciativas conjuntas.

O próximo encontro da rede está previsto para o início de dezembro.

RT de Grantmaking discute apoio institucional em 4º encontro da Rede

Com o objetivo de aprofundar a discussão sobre apoio institucional às organizações da sociedade civil (OSCs) para além do repasse de recursos financeiros, a Rede Temática (RT) de Grantmaking promoveu seu 4º encontro no dia 11 de julho, no Centro Ruth Cardoso, em São Paulo.

Criada em 2018 como um espaço de troca para o debate sobre práticas de grantmaking, assim como a relação entre grantmakers e grantees e as diversas formas de apoiar OSCs, a RT concebeu o encontro a partir de um evento anterior, onde os membros foram questionados sobre como têm trabalhado o fortalecimento institucional das instituições que apoiam.

“Saímos do encontro com duas percepções: vimos que a Rede queria discutir o apoio às organizações para além do financeiro, como apoio técnico e mentorias, por exemplo, e também que os membros desejavam se conhecer melhor, saber o que cada um está fazendo”, comentou Karen Polaz, coordenadora de fomento e inovação do GIFE.

Oito organizações responderam positivamente a um formulário disseminado no e-mail da Rede questionando quais delas desejavam apresentar as práticas de fortalecimento institucional de seus grantees. O 4º encontro foi, portanto, a primeira parte desse movimento, com exposição de quatro cases.

Fundação Lemann

Para Aline Okada, da área de relacionamento institucional de parcerias da Fundação Lemann, em primeiro lugar, é preciso definir internamente o que se entende por desenvolvimento institucional. Ao longo dos anos, o trabalho da Fundação junto a organizações da sociedade civil ajudou a entender seu papel não como financiadora, mas viabilizadora das propostas.

Atualmente, a Fundação oferece apoio variado a mais de 50 OSCs com atuações diversas. Para atender às demandas e responder às necessidades de cada uma, são realizados desde workshops mais gerais até consultorias personalizadas sobre os temas mais solicitados, com destaque para avaliação de impacto e captação de recursos. “Entre os aprendizados, percebemos que é importante promover trocas que se espalhem dentro das organizações; criar uma rede que irá se autoengajar, o que é um desafio; ter um olhar da Fundação sobre o que o parceiro declara como importante em seu atual momento; e entender que o apoio institucional é tão importante quanto o apoio financeiro”, pontuou.

Fundação Itaú Social 

O trabalho da Fundação Itaú Social (FIS) junto a organizações de base comunitária comprometidas com o desenvolvimento de crianças e jovens e do território onde estão inseridas foi apresentado por Camila Feldberg, gerente de fomento da FIS. Depois de uma reestruturação de sua atuação, foi criado o Missão em Foco, projeto que seleciona organizações que já participaram de editais pontuais da FIS e que, além de estarem em um estágio mais maduro, tenham potencial de desenvolvimento.

São três os eixos do acompanhamento, que ao todo dura cinco anos: recursos flexíveis para a organização empregar da forma que achar melhor; formação e assessoria técnica, com a presença de um consultor na organização para entender a fundo suas necessidades; e monitoramento e avaliação do quanto a organização avança na ferramenta que mede o desenvolvimento institucional, preenchida pelo próprio grantee no começo do processo. “Nós começamos o primeiro ciclo do Missão em Foco em 2017. Com quase dois anos de programa, percebemos que as organizações se abrem depois de receber o recurso. É interessante notar como ficam relaxados e assim conseguimos estabelecer uma relação de confiança.”

Instituto Clima e Sociedade

Silvia David, gerente de doações do Instituto Clima e Sociedade (iCS), apresentou um panorama do trabalho do iCS em seus cinco portfólios: política climática e engajamento, transporte, energia, economia de baixo carbono e uso da terra. Em 2017, a organização realizou uma pesquisa para entender como os grantees enxergavam o apoio que lhes era concedido. Entre os resultados, as organizações beneficiárias apontaram que a maior demanda era apoio à gestão e estratégia.

Com um recurso recebido de uma de suas mantenedoras especialmente para capacitação institucional, o iCS implementou a Organization Mapping Tool (OMT), ferramenta composta por 70 perguntas dentro de 14 temas para apoiar a realização de um mapeamento institucional. “Nós aplicamos o questionário com 19 organizações em 2018. Entre os 14 temas, aqueles apontados como prioritários foram missão e estratégia, comunicação externa, governança, captação e relações com doadores, recursos humanos, segurança e cultura organizacional”, contou a gerente

Para ajudar a suprir essa necessidade, o iCS promoveu workshops e ações para cada um dos temas. Para apoiar a captação, por exemplo, custeou a participação de mais de 30 pessoas no Festival ABCR 2019.

Movimento Arredondar

Francisco Santos fechou a rodada de apresentações ao falar sobre o Movimento Arredondar, que passou a realizar um processo de acompanhamento das 33 organizações para as quais o recurso arrecadado com os arredondamentos é repassado. Ao todo, são quatro fatores principais de acompanhamento: prestação de contas financeiras e relatório do beneficiário (utilizado para avaliar o impacto qualitativo do Movimento no grantee) – ambos dentro do eixo monitoramento -, e realização de webinars de acompanhamento e entrega de documentos anuais de revisão.

Além disso, como forma de oficializar um suporte formativo para as organizações, o Movimento criou o Diálogos Redondos, que trata de temas de interesse dos grantees, como liderança, comunicação institucional, gestão de parcerias, avaliação de resultados, entre outros. “Quando nos chamamos de Movimento, queremos fazer junto com as organizações e pensá-las estrategicamente em médio e longo prazo. Hoje, os Diálogos Redondos são online e estão estruturados com a participação de especialistas, de uma exposição sobre a conjuntura e um painel de uma organização beneficiária.”

Troca de experiências

Em seguida da exposição, os presentes dividiram-se em três grupos temáticos para discutir diferentes aspectos da prática de grantmaking.

O grupo de formação e apoio técnico ressaltou pontos como as próprias organizações entenderem a importância do desenvolvimento institucional e o quanto o diagnóstico é relevante nesses processos, pois é uma forma de autoavaliação. A participação das lideranças nos processos também é fundamental, assim como a definição conjunta entre grantmakers e grantees de metas tangíveis de desenvolvimento institucional para que a organização sinta-se parte do monitoramento e avaliação.

Em formação e articulação em rede, foram discutidas diferentes perspectivas de rede: formações em rede e formação das redes tanto de grantmakers como de grantees. Os participantes apontaram que para um trabalho em aliança, é preciso a priorização de um desenvolvimento comum e uma figura que atue como ponto focal, além de ações que possam caminhar na direção contrária de alguns paradigmas, como a competição por recursos. Nesse sentido, a ideia é pensar como as instituições grantmakers podem criar uma cadeia de desenvolvimento institucional que mude a lógica de competição e propague a lógica de rede.

Por fim, o grupo de processos de gestão interna para implementação dos apoios institucionais apontou a importância de, ao mesmo tempo, ter processos estruturados e investir na relação entre grantmakers e grantees, amenizando as relações de poder entre quem doa e quem recebe. É a partir de relações consolidadas desde o início de uma parceria e/ou financiamento que se estabelece confiança e transparência. Entender que é preciso revisitar metodologias e que essas não são mais importantes do que o resultado que se pretende alcançar são outras atribuições dos doadores apontadas pelo grupo.

 Próximos passos

O encontro também foi palco de um convite para que os presentes participem da Plataforma Cases. Lançada pela Rede Temática de Gestão Institucional, a iniciativa, que ainda está em versão beta e inclusive conta com um nome provisório, tem a proposta de reunir casos sobre gestão de talentos, governança, indicadores de monitoramento, políticas, prestação de contas e outros temas.

O próximo encontro da RT de Grantmaking está programado para acontecer ainda em 2019 com data a ser definida e contará com a segunda rodada de apresentação de casos.

Greater Good: Lessons from Those Who Have Started Major Grantmaking Organizations

To learn more about what it takes to effectively get a grantmaking organization off the ground, CEP interviewed 35 leaders — including trustees, CEOs, program staff, and operations staff — of 14 grantmaking organizations that were established, or that experienced significant growth, in the past 20 years and that hold at least $350 million in assets. <em>Greater Good: Lessons from Those Who Have Started Major Grantmaking Organizations</em> distills insights gleaned from those interviews, offering guidance for a new wave of philanthropic leaders as they seek to build <span id=”hs-cta-wrapper-069a2cdb-2619-4c7a-886a-0ffdddfbf80a” class=”hs-cta-wrapper”><span id=”hs-cta-069a2cdb-2619-4c7a-886a-0ffdddfbf80a” class=”hs-cta-node hs-cta-069a2cdb-2619-4c7a-886a-0ffdddfbf80a” data-hs-drop=”true”></span></span>thriving grantmaking organizations that can best support nonprofits to achieve shared goals. While there is no single blueprint for those new to philanthropy to follow, across CEP’s interviews emerged three key elements for effectively getting grantmaking organizations up and running.

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How To Prepare For These 5 Grantmaking Challenges

Do more than ready yourself for the unexpected.

We have been told for most of our lives to prepare for the unexpected—save for a rainy day, have a Plan B and apply to some “safety schools” in case you don’t get accepted by your top-choice university. While being prepared for the unexpected is smart, it’s not as important as being prepared for the expected.

As a philanthropist, your ultimate goal is to make the world a better place. To put ideas into action and create change where it is needed. One way to achieve this impact quickly and effectively is to be prepared for the expected.  Problems will arise—that’s a guarantee—so you might as well be ready to deal with them. Here are five common challenges you can expect as a donor and what you can do to prepare for them:

1. There will be a lack of patience and a lot of pressure during planning. You’re designing a new grant program. Everyone is on board, your team is enthusiastic and planning efforts are underway. But the board will want to see grantmaking activity before you’ve finalized your goals. It doesn’t matter that they already agreed on a timeline for you to develop your strategy and to assemble the right partners to implement it—they will put on pressure for proof of progress. Prepare early by identifying some low-hanging fruit.  Award a few grants to pilot some of your ideas. You can learn from the results while also meeting your board’s need to “do something.”

Rede Temática de Grantmaking dá início à articulação em 2019 com encontro em São Paulo

Para abrir os trabalhos de 2019, a Rede Temática (RT) de Grantmaking realizou a primeira reunião do ano no dia 29 de março, no Instituto InterCement, em São Paulo, para discutir a relação entre grantmakers e grantees.

Lançada durante a mesa “Cultura de doação e grantmaking: superando barreiras para um país mais doador”, realizada em abril de 2018, durante o X Congresso GIFE, a RT tem como objetivo ser um espaço onde instituições doadoras possam compartilhar experiências, dados e soluções e também falar sobre as dificuldades no processo de doar mais e melhor no Brasil.

Karen Polaz, coordenadora de fomento e inovação do GIFE, usou o momento da abertura institucional da reunião para embasar a discussão com dados do Censo GIFE 2016. Realizada anualmente, a pesquisa classifica os investidores em predominantemente doadores, predominantemente executores e híbridos (tanto doam como executam em proporções representativas).

À época com 135 associados, o GIFE alcançou uma taxa de resposta ao Censo de 90%, o que corresponde a 116 instituições. O número de investidores sociais executores de projetos próprios (43%) prevaleceu, pela primeira vez, em relação aos investidores híbridos (41%) que combinam o aporte de recursos em suas próprias iniciativas com o apoio a organizações da sociedade civil.

Esse momento de contexto também contou com a fala de Fábio Almeida, gerente de desenvolvimento institucional e rede do Instituto C&A, que, juntamente com a Fundação Lemann e o Instituto Humanize, compõe a coordenação da RT.

Representante de uma organização totalmente apoiadora, ou seja, que não executa nenhum tipo de projeto próprio, Fábio afirma que fazer parte da rede constitui um movimento dividido em três pilares: aprender a partir do compartilhamento de experiências, estar em contato com pares e inovar a partir da atuação conjunta e manter o assunto em pauta para que cada organização possa aproveitar melhor suas práticas de grantmaking.

Dentro do grande tema que guia a rede, o gerente ressalta as diferentes formas de fazer grantmaking e a importância de criar um espaço de discussão sobre o assunto. “Outro tema fundamental que já está sendo abordado é o apoio institucional. O tradicional do grantmaking é o apoio a projetos e atividades programáticas, mas acredito que é importante trazer para a pauta uma reflexão sobre como equilibrar esse apoio e o apoio institucional, a fim de fortalecer as organizações da sociedade civil e fomentar um ambiente mais democrático de atuação dessas organizações”, afirma Fábio.

A relação entre grantees e grantmakers

Os participantes da RT contaram com uma exposição de Leandro Pinheiro, superintendente socioeducativo da Fundação FEAC, sobre a relação entre instituições doadoras e receptoras de recursos, os grantmakers e grantees, sob a ótica do apoio institucional.

Como introdução, Leandro citou algumas das muitas estratégias da prática de grantmaking, como apoio institucional, apoio a projetos por editais e chamadas, apoio a projetos de organizações da sociedade civil (OSCs) via contratação direta ou cocriação, investimentos próprios executados por OSCs técnicas, execução direta de projetos, entre outras.

O superintendente também comentou os processos de tomada de decisões de investimento, que podem acontecer a partir de decisões prévias, como um alinhamento do negócio ou causas e temas já definidos pelo grantmaker, ou a partir de processos de pesquisas e estudos nos territórios e escuta ativa da sociedade civil, que poderá ajudar no apontamentos das necessidades de determinada região.

Entre as instituições receptoras de recursos – os grantees – estão movimentos sociais; coletivos não formalizados ou com formalização incipiente; organizações de base e comunitárias; organizações técnicas sem agenda própria; negócios sociais com diferentes níveis de maturidade; organizações técnicas com causa definida, mas sem agenda ou território de atuação; e as organizações de referência.

Um viés aplicado em toda a exposição de Leandro foi a troca com o auditório. Uma das reflexões levantadas foi o papel dos grantmakers nas atitudes e posições assumidas pelos grantees. Um exemplo palpável é a aceitação do erro. Leandro explicou a importância de instituições doadoras refletirem sobre como aceitam o erro ou a necessidade de reformulação de um projeto e as consequências dessa postura.

“Muitas vezes, a postura do grantmaker faz com que as organizações receptoras empurrem o erro para ‘baixo do tapete’, o que acarreta em relações pouco transparentes. Algumas organizações podem acabar exagerando nos resultados que pretendem entregar porque se dissessem a entrega real, essa não seria considerada suficiente para fechar o negócio. Em última análise, isso tira o foco da organização do projeto, sabotando em parte o resultado dos investimentos”, explica.

Muitos dos presentes expuseram suas vivências, inclusive mencionando que nem sempre as organizações selecionadas para receber um recurso são as que desenvolvem os melhores projetos. Muitas vezes, essas instituições aprendem a lidar melhor e a falar a mesma língua dos investidores, o que passa a sensação de consistência e profissionalismo, aumentando as chances de conseguir um repasse.

Apoio institucional

A discussão sobre apoio institucional também rendeu bons debates. Antes de trazer exemplos práticos e questionamentos para os participantes, Leandro explicou que a modalidade consiste em um repasse flexível que pode ser investido na missão, causa, projetos ou ações de uma organização; que permite atender necessidades ditas não-finalísticas – ou seja, não é necessariamente ligado a um projeto -, como aspectos da gestão e melhoria da infraestrutura; e que não tem uma contrapartida objetiva.

Como provocação aos presentes, citou um exemplo hipotético de uma organização que recebe um apoio institucional e o direciona para seu fundo de reserva. “Nesse caso, o grantmaker poderia argumentar que a organização receptora não precisa do dinheiro, frente a muitas outras que precisam. Por outro lado, o grantee poderia questionar porque está sendo penalizado com a diminuição e até mesmo interrupção do repasse por ter feito uma boa gestão dos recursos”, expôs Leandro.

Vários participantes argumentaram que, nesse caso, se a prática já estivesse previamente combinada entre as duas partes, isso não seria um problema. Camila Aloi, assessora de relacionamento do GIFE, pontuou a relação direta do tema com a sustentabilidade financeira de organizações. “Uma construção em conjunto com as organizações é fundamental para uma relação de confiança em longo prazo.”

A forma de aplicação do recurso por parte do grantee, como no caso citado acima, gerou discussões. Um dos pontos levantados é que existem diversos modelos de apoio institucional que, segundo apontado por Leandro, têm um quesito comum: trata-se de um recurso que não tem plano e permite, por exemplo, seu uso em situações emergenciais. Essa prática é muito diferente de recursos repassados por organizações grantmakers com cunho de fortalecimento institucional. Nesse caso, os aportes são diretamente conectados a planos de desenvolvimento como de governança, por exemplo.

Próximos passos

Muitas das organizações presentes no evento dividiram pontualmente suas experiências como doadoras de recursos. Fábio Almeida, entretanto, apontou a possibilidade de incluir na agenda dos próximos encontros um espaço destinado à exposição mais direcionada das ações de cada instituição, de forma a reforçar a troca de experiências e cases de sucesso.

Como um dos coordenadores da RT, Fábio está otimista para as reuniões de 2019. “Estamos formando um grupo com organizações muito relevantes na temática de grantmaking. O nível de participação e engajamento tem sido bastante alto. A expectativa é que a gente continue nessa trilha, faça essa troca de aprendizados e consolide a RT como um grande espaço de discussão, compartilhamento e relacionamento das organizações que atuam por meio do grantmaking.”

Para dar sequência ao debate, o próximo encontro da RT acontecerá no mês de julho em São Paulo.

Strengthening Grantees: Foundation and Nonprofit Perspectives

Based on survey responses from 170 nonprofit CEOs on CEP’s Grantee Voice panel and 187 foundation leaders who primarily oversee programmatic work at their organizations, this report provides a comprehensive examination of foundations’ efforts to strengthen grantee organizations and leaders.

The data reveals that foundations are not as in touch with nonprofits’ needs as they think they are, and that both foundations and nonprofits alike have a role to play in closing the gap between the support nonprofits need and the support foundations provide. These findings can help foundations and nonprofits better understand how they can work together to build organizations that are well positioned to make a difference.

Novas narrativas para o investimento social e acesso a recursos nas periferias

Em se tratando de investimento social privado (ISP), muitas histórias existem sobre a transferência de recursos entre financiadores e organizações da sociedade civil, mas pouco se fala sobre como essas parcerias se dão da perspectiva de quem é financiado e menos ainda quando se trata de movimentos sociais e coletivos das periferias. Nesse contexto, este artigo investiga os fatores críticos de acesso a recursos a partir da perspectiva de lideranças periféricas da cidade de São Paulo. Para isso, acompanhou-se, ao longo de um ano, o grupo Potências Periféricas, que propõe espaços de diálogo entre coletivos, empreendedores, movimentos sociais e organizações sociais das periferias e financiadores, visando trocas horizontais que quebrem barreiras de entendimento mútuo. Com base na sistematização de três encontros e uma imersão, identificaram-se dois fatores e 24 subfatores críticos de sucesso para o ISP: o primeiro relacionado a mudanças de aspectos culturais e comportamentais por parte dos financiadores (mudanças de paradigma e de know-how e visão empática); o segundo a respeito de aspectos técnicos e táticos do cotidiano da parceria entre investidores e investidos (comunicação, processos de seleção e relacionamento). São esses elementos que, do ponto de vista de lideranças da periferia, podem qualificar a relação com investidores sociais.

Este artigo integra a publicação seriada Artigos GIFE , que publica reflexões e análises de pesquisadores brasileiros de diferentes áreas do saber com o objetivo de estimular, ampliar e disseminar a produção de conhecimento qualificado sobre o campo da filantropia, do investimento social privado e da sociedade civil no Brasil.

Trust-Based Philanthropy: An Approach

The Trust-Based Philanthropy Project reimagines traditional funder-grantee relationships. They work with foundations to create a philanthropic ecosystem that is trust-based. They build and curate the tools and resources to engage grantmakers around ways to embody this approach, and why it matters. And they invite others to join them by connecting new and experienced practitioners to learn from each other and help grow their trust-based muscles. This guide presents six key principles that put trust-based values into action.

Open for Good: Knowledge Sharing to Strengthen Grantmaking

In this GrantCraft guide, grantmakers share how and why their foundations openly share knowledge as an integral and strategic aspect of philanthropy. Learn from their firsthand experience how to grow organizational capacity and culture for knowledge sharing, address common concerns, and use knowledge exchange to advance your mission and impact.

Organizações refletem sobre sua atuação em segundo encontro da Rede Temática de Grantmaking

No dia 30 de outubro, a Rede Temática (RT) de Grantmaking realizou, na sede da FTD Educação, em São Paulo, seu segundo encontro.

Lançada em abril, durante o X Congresso GIFE (confira matéria aqui), com o objetivo de ampliar a prática do grantmaking e ser um lugar dedicado à troca de conhecimentos, saberes e modos de fazer, a RT teve seu primeiro encontro em julho para pensar coletivamente os modos de fazer grantmaking no Brasil e os desafios e oportunidades de atuação das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) no que se refere ao aprimoramento do acesso aos recursos disponíveis.

O segundo encontro, por sua vez, serviu para que as organizações presentes pudessem fazer uma reflexão e autocrítica sobre sua atuação e a relação com os receptores de apoio, seja ele financeiro ou técnico.

“O José Marcelo Zacchi, secretário-geral do GIFE, sempre nos fala sobre a importância de saber onde ‘emperra’ para organizações, institutos e fundações quando querem fazer grantmaking. Quais são os desafios? O que é difícil? Quais boas práticas podem ser compartilhadas? A RT surgiu para ser esse espaço de troca e construção de conhecimento. Na hora de fazer grantmaking, os institutos e fundações muitas vezes se veem sozinhos, não há tanto material produzido aqui no Brasil”, explica Karen Polaz, coordenadora de fomento e inovação do GIFE e responsável por ajudar os coordenadores da Rede (Fundação Lemann, Instituto Humanize e Instituto C&A) a organizarem as pautas, discussões e datas dos encontros.

A pauta do segundo encontro foi pensada a partir da sistematização das discussões do primeiro, onde os participantes expuseram o que as organizações associadas ao GIFE, muitas delas predominantemente doadoras, esperam dessa articulação em rede.

“O intuito dessa segunda atividade foi causar uma reflexão sobre como as instituições doadoras estão repassando recursos para que a gente identifique quais são as lacunas para o fortalecimento da OSCs, de forma que elas consigam de fato se fortalecer e estar ativas, ser provocadoras e propositivas de políticas públicas”, conta Natália Leme, responsável pela área de relações institucionais e parcerias do Instituto Humanize e uma das coordenadoras da RT.

Dinâmica

Uma dinâmica foi preparada para o segundo encontro. Estavam presentes representantes da Fundação Arymax, Prosas, Itaú Social, SITAWI Finanças do Bem, Fundação Lemann, Instituto Clima e Sociedade, RaiaDrogasil, Instituto Samuel Klein, FTD Educação, Associação Samaritano, Instituto Humanize, Insper e Mattos Filho Advogados.

Quatro perguntas-chave guiaram o debate: 1. O nosso grantmaking está alinhado com os objetivos da nossa organização?; 2. Somos eficientes em nossos processos internos? Quanto nos custa fazer cada doação?; 3. Estamos nos comunicando de forma eficaz? e 4. As nossas doações estão estruturadas para serem bem-sucedidas?.

A dinâmica foi dividida em três perguntas, que seguiram a mesma estrutura: inicialmente os participantes pensavam individualmente sobre a proposta, depois dividiam suas percepções com colegas em pequenos grupos e em seguida cada mesa expunha uma síntese de sua discussão para o grupo todo.

Na primeira parte, as organizações foram convidadas a pensar em um ou mais resultados indesejados que envolvessem o seu processo de grantmaking. Os participantes levantaram pontos em comum sobre a relação entre financiador e financiado como a preocupação de não gerar dependência do recurso repassado – e, nesse sentido, apoiar a construção de um plano de sustentabilidade financeira -, e nem inequidade, ou seja, enquanto algumas organizações são aportadas por vários atores, outras realizam um bom trabalho, mas têm dificuldades em receber um único apoio.

Saber quanto do recurso realmente chega na ponta, garantir que o projeto mantenha critérios importantes para que a doação seja realizada, comunicação mais clara em editais, aumentar o leque de temas apoiados e alinhar expectativas do financiador e financiado foram outros elementos apontados pelo debate. A necessidade de transparência entre os envolvidos em uma relação de financiamento também foi destacada como um passo a ser obedecido para que a relação seja saudável para os dois lados.

Já para a segunda parte da dinâmica, as organizações precisaram se desafiar a pensar quais ações elas próprias realizam no seu dia-a-dia que acabam contribuindo para obter os resultados indesejados citados na primeira parte. Entre os pontos mencionados está a importância de uma construção em conjunto com os gerentes das organizações, apostar na conversa sobre grantmaking dentro das próprias instituições (o que alguns participantes apontaram que não acontece com regularidade atualmente), além de pensar em como fortalecer o setor das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) como um todo, e não limitar-se a apoiar temas específicos.

Apoiar projetos que apresentam outros financiadores, dar feedback a organizações e projetos não selecionados em um processo e determinar desde o começo por quanto tempo a organização vai receber o recurso também são passos que tornam a relação financiador-financiado mais saudável.

A terceira parte fechou a dinâmica com a proposta de pensar o que as organizações podem fazer para reduzir algumas dessas práticas prejudiciais. Manter um diálogo para além dos encontros presenciais da RT, usando o grupo como uma rede de apoio e consulta, além de instrumentalizar e incentivar o crescimento das organizações e também ouvir o que os próprios grantees têm a dizer sobre o processo de recebimento de apoio financeiro ou técnico são etapas que podem ajudar a construir um ambiente de grantmaking mais próspero no Brasil.

O grantmaking no contexto brasileiro

Cosme Bispo, analista de projetos da Fundação Lemann e um dos coordenadores da RT, trata o setor de duas formas: micro e macro. Com um olhar micro, o analista destaca a necessidade de as organizações apoiadoras terem um processo de grantmaking eficiente. “Ao final do dia, [o grantmaking] responde a boa parte do orçamento das organizações e ao modo como elas conseguem gerar valor para a sociedade, demonstrar suas metas estratégicas e entregar ações que as auxiliam nos seus objetivos.”

De maneira mais macro, o analista defende que organizações que executam o processo de grantmaking na posição de apoiadores precisam entender que têm uma responsabilidade cruzada no processo de consolidação do setor, fortalecendo o cenário brasileiro como um todo.

Segundo Cosme, é importante que os financiadores tenham uma visão clara da importância não só do apoio financeiro, mas também do técnico, o que contribui para o desenvolvimento das OSCs de uma maneira mais ampla. “É por isso que a questão de transparência, de ter uma determinação específica sobre o que você faz e não faz, deixa claro para os grantees quais expectativas podem ter sobre o processo de grantmaking.”

Cenário para 2019

Em um contexto de pós-eleições e uma nova conjuntura política a partir de janeiro, o cenário para OSCs e grantmaking no Brasil ainda é incerto. Karen, Cosme e Natália concordam que é uma missão difícil prever como as coisas se darão no ano que vem quando o assunto é repasse financeiro e captação de recursos. Entretanto, concordam que, de alguma forma, o grantmaking, essencial para a sustentabilidade de organizações da sociedade civil, precisa continuar.

“Um desafio para 2019 é entender qual será o papel desses grandes institutos e fundações em um cenário que ainda não sabemos se poderá vir a ser de maior instabilidade para o campo do terceiro setor no Brasil”, argumenta Karen.

Cosme por sua vez, acredita que o Brasil possivelmente enfrentará um novo cenário em relação ao investimento social, ressaltando, portanto, a importância dos grantmakers se reunirem para conversar, trocar práticas e até mesmo focar em áreas de atuação que hoje têm menos recurso e que poderiam receber mais investimento para que prosperem. “Ainda não sabemos como esse novo cenário se desenhará, mas talvez apenas reforce a necessidade e importância de continuarmos discutindo e tematizando em conjunto, mas também executando e sendo propositivos.”

Já Natália ressalta que muitas temáticas que instituições do terceiro setor estão trabalhando terão grandes desafios daqui para frente. “Eu acho que é o momento de o terceiro setor estar cada vez mais unido, tanto as organizações doadoras quanto as organizações que recebem esses recursos. É um assunto sensível, mas que precisa ser debatido.”

Nonprofit Diversity Efforts: Current Practices and the Role of Foundations

Various institutions have published articles and reports on topics such as the barriers to achieving diversity in nonprofit leadership, the benefits of having a diverse board and staff, and the importance of foundation transparency about diversity data. Other organizations focus exclusively on advancing diversity, equity, and/or inclusion within the philanthropic and nonprofit sectors.

This report published by The Center for Effective Philanthropy (CEP) based on a survey sent to leaders of nonprofit organizations with annual expenses between $100,000 and $100 million dollars, has sought to understand the efforts of nonprofit organizations when it comes to diversity and the ways in which their foundation funders are interacting with and/or supporting those efforts.

In what ways is diversity relevant to nonprofit organizations’ goals? What demographic information are nonprofits collecting, and how is that information used? How are foundations involved in the diversity efforts of grantees, and how would those grantees like their funders to be involved? Those are some of the questions the study aims to discuss based on the 61% response rate of the survey.

Donors: 5 Things Nonprofits Want You to Know

The Center for Effective Philanthropy (CEP) has collected candid, anonymous feedback over 15 years from more than 100,000 nonprofit leaders and gathered five relevant topics that nonprofits want their donors to know but may not be telling them directly.

The repport details these findings.

A co-criação do grantmaking e filantropia de risco marcam primeira reunião da nova rede temática

Pensar coletivamente os modos do fazer grantmaking no Brasil e os desafios e oportunidades de atuação das organizações da sociedade civil no aprimoramento do acesso aos recursos disponíveis guiaram as discussões da primeira reunião da Rede Temática de Grantmaking, no dia 10 de julho, na sede da Fundação Lemann, em São Paulo. O objetivo foi abordar questões práticas a partir da escuta das percepções, interesses e visões do grupo pensando no desenvolvimento e na agenda de trabalho da rede.

Anunciada em abril, durante a mesa de debate Cultura de doação e grantmaking: superando barreiras para um país mais doador, no X Congresso do GIFE,  a Rede, que pretende ampliar a prática do grantmaking no setor e desenvolver e fomentar ferramentas que apoiem a construção de novas formas e estratégias desta prática, sabe do cenário desafiador que enfrentará. Dados do Censo GIFE 2016 apontam que, dos R$ 2,9 bilhões investidos, foram aportados 60% em ações e programas próprios e 21% foi investido em ações e patrocínios de terceiros, o que equivale a R$ 595 milhões, 33% menos se comparado a 2014.

A prevalência é do perfil executor de projetos próprios entre as organizações que responderam o Censo: 43% perfil executor, 41% híbrido (doa e executa projetos próprios) e apenas 16% doador. Entre 2014 e 2016, houve uma queda de 33% dos recursos doados para projetos de terceiros. Em números absolutos foram R$ 894 milhões, em 2014, e R$ 595 milhões dois anos depois. Porém, cresceram a importância dada para o fortalecimento das OSCs – em 2014 era de 21% e saltou para 35% em 2016 – e o reconhecimento do trabalho que realizam: de 1% para 10%, respectivamente.

Para José Marcelo Zacchi, secretário-geral no GIFE, uma das lições de casa não cumpridas durante a construção democrática do país nos últimos 30 anos é a capacidade da sociedade brasileira de mobilizar recursos próprios para a manutenção de organizações cidadã, autônomas, sustentáveis. “Ainda há uma enorme fragilidade dessa teia de instituições para construirmos esse campo que não é governamental nem do mercado e que ainda depende muito mais de recursos governamentais ou internacionais do que seria o ideal. Do ponto de vista da Rede, nosso objetivo é pensá-la como sequência do esforço que fazemos para garantir que o GIFE tenha ambientes perenes de discussão, de troca, de aprimoramento contínuo em temas que são também perenes na agenda dos atores de investimento social privado. Está expresso no Censo GIFE que há um desejo de fazer mais pelas doações, mas ainda não se reflete nos números. Então, tem uma questão aqui que é: temos um acúmulo, vontade, mais quais são os obstáculos? Quais são as ‘porcas’ e ‘parafusos’ do dia a dia do fazer o grantmaking?”, provocou.

Capacidade de se aventurar

Como nas demais Redes Temáticas, há duas instituições que estão à frente da coordenação, sendo o Instituto Humanize e a Fundação Lemann responsáveis pela de Grantmaking. Segundo Georgia Pessoa, diretora executiva do Instituto Humanize, existe uma movimentação de grupos dentro e fora do Brasil que, nos últimos dez anos, vem construindo o conceito de Venture Philanthropy (VP), ou filantropia de risco, que está alimentando também as ações da própria instituição. Uma das diferenças básicas entre a filantropia tradicional e a de risco está na composição dos atores, segundo Georgia. Enquanto que na tradicional a dinâmica de funcionamento envolve doador, beneficiário e o líder de ONGs, na de risco compreende investidor social, investida e o empreendedor social.

“Um dos conceitos de VP é que ‘filantropos e investidores de impacto têm se unido para apoiar toda a cadeia de empreendedorismo com modelos de inovação social desde o seu nascedouro, destinando capitais a fundos sem retorno (grants) no início para que novas ideias possam surgir, identificando aquelas dotadas de melhores perspectivas de geração de impacto e sustentabilidade econômica e as financiando ao longo de toda a cadeia, passando por linhas de crédito, garantias, seguros, equity, dentre outros mecanismos tradicionais’”, apontou Georgia.

A European Venture Philanthropy Association (EVPA) foi citada pela diretora como uma das referências dessa discussão que defende que “a filantropia de risco e o investimento social têm a ver com combinar a alma da filantropia com o espírito de investimento, resultando em uma abordagem de alto engajamento e de longo prazo para criar impacto social.” A partir do entendimento do VP com foco no impacto social, Georgia apontou: “A palavra risco no Brasil ainda está muito estigmatizada. Até por isso, gostamos muito de falar em aventura, se aventurar, se lançar. Estamos no exercício do repensar os modelos de atuação.”

Em novembro, a European Venture Philanthropy Association promoverá um encontro internacional sobre filantropia de risco e investimento social e instituições brasileiras foram chamadas para participar. “Além de ser uma oportunidade de aprendermos, fomos convidados para avaliar a oportunidade de ajudar a criar uma rede de Venture Philanthropy na América Latina e a ideia é que vá uma delegação do GIFE”, contou Georgia.

Desafios à vista

Duas questões apontaram alguns caminhos para o trabalho da Rede durante as conversas dos grupos formados no evento: quais são os principais desafios dos investidores sociais privados que fazem ou querem fazer grantmaking?;  e considerando os desafios, o que esta Rede pode fazer para superá-los?

Estabelecer relações de confiança, apresentar e/ou construir pluralidade de modelo de doação, compreender o papel do grantmaker discutindo e aprofundando o conceito de “grants”, criar independência e selecionar organizações e projetos, gerir a relação e mensurar impacto foram alguns dos principais desafios listados pelos participantes. Para superá-los o grupo fez uma série de sugestões que vão desde a criação de momentos e espaços para troca de saberes, possibilitando aprender com a experiência agregada do grupo, e a criação de um banco de boas práticas, a organização de pesquisas e debates sobre temas como accountability e gestão profissional, a produção de ferramentas práticas e manuais, até iniciativas de atuação coletiva como a experiência de co-investimento e contratações conjuntas para citar alguns exemplos

“Além disso, precisamos tornar o investimento de risco mais charmoso, mais interessante. Somos avessos ao risco”, provocou Angela Dannemann, superintendente adjunta do Itaú Social, trazendo para a conversa o desafio e a proposta de reinventar a narrativa do grantmaking e do risco.

A co-criação do grantmaking

Na opinião de Georgia Pessoa, a Rede Temática de Grantmaking é uma oportunidade de realizarem um trabalho de co-criação, de reunir os processos individuais das organizações para uma atuação efetivamente coletiva. “Se identificamos todos aqueles temas-desafios, o importante agora é conseguirmos trazê-los para esse lugar comum. A grande sacada será encontrarmos a nossa medida: qual é a velocidade de cada organização, qual a priorização que estamos dando para cada um desses temas, por onde a gente começa, quais os processos conjuntos. Algumas das organizações já têm suas aprendizagens sistematizadas. Como podemos trabalhar com um benchmarking, um roadmap GIFE com uma oferta de conteúdos que vão desde diagnóstico até planejamento estratégico passando pela comunicação, captação e operação dessas organizações da sociedade civil? Todos os doadores estão quebrando a cabeça de como tratar isso. Se o GIFE oferece uma possibilidade sistematizada, um trabalho inteligente que cada um possa customizar e adaptar, já é de grande valia”, sugeriu.

A Fundação Lemann tem a comunicação como uma de suas estratégias consolidadas para dar mais visibilidade para o impacto gerado pelos projetos que apoia, mas também das instituições parceiras. “Vivemos um período de carência de boas histórias, de boas notícias e mostrar o que está sendo feito, tudo que tem gerado de resultado é uma aposta forte nossa”, afirmou Lara Alcadipani, gerente de comunicação.

Nesse espírito de gerar uma rede de apoio e fomento à cultura de doação, Lara contou outra estratégia da instituição. “Com a preocupação também do foco no impacto, na medição de resultados, acompanhamento, troca de experiências, temos realizado atividades de formação com os parceiros como de captação de recursos para organizações do Terceiro Setor e avaliação de impacto.”

Em relação à responsabilidade de puxar a coordenação de uma rede, a gerente da Lemann compactua com a mesma percepção da Georgia diante do tamanho do desafio, e acredita que ter um grupo maior ajudando a provocar a construção desse campo será essencial. “As situações acabam sendo metáforas delas mesmas porque estamos falando de como realizamos um trabalho que é de fomentar um sistema de impacto social a partir dos investimentos das organizações e da filantropia e fazendo isso de maneira colaborativa. Por si só já traz uma dimensão bastante interessante de aprendizado conjunto. Espero muito aprender com os parceiros nessa frente e aportar um pouquinho do conhecimento que a Fundação vem desenvolvendo nesses quase 16 anos de investimento social. Percebendo o perfil engajador e o nível de interesse desse grupo, além da demanda existente para esse tipo de discussão no setor, será desafiador congregar tudo isso de maneira produtiva para que consigamos gerar alguma transformação dentro da nossa atuação e, principalmente, atuando em conjunto. Estou muito feliz e animada.”

O grupo vai ser reunir a cada dois meses e o próximo encontro está marcado para setembro.

Culture Resource Guide: Overview

After more than 15 years promoting grantmaker practices that support nonprofit results, GEO is convinced that a strong culture inside foundations is critical for effective philanthropy. It’s virtually impossible to operate as an ally and partner to nonprofits if you are working inside a foundation whose values and culture run counter to that spirit.

GEO defines culture as “the collective behaviors and underlying assumptions of an organization.”

GEO is focusing on culture because of what we hear in our conversations with foundation leaders, staff, board members and nonprofits across the country. People at all levels in their organizations regularly tell us how an unproductive culture can get in the way of what their foundations have the capacity and the potential to achieve. They share that successful grantmaking — grantmaking that supports nonprofits to achieve meaningful results — requires more than a great strategy and execution plan; it also requires an intentional focus on culture.

These voices from philanthropy and the social sector are not alone in identifying culture as an often-neglected yet critical factor in an organization’s success. In a study released by Duke University and Columbia University in 2015, the majority of 1,800 CEOs and CFOs interviewed around the world indicated that culture is key in whether an organization thrives and succeeds in reaching its goals. In 2013, PriceWaterhouseCoopers released a report examining how culture enables organizational change, and 84% of respondents indicated that culture is critically important.

How We Shape Culture

Why is organizational culture so important? Because it is transmitted in every interaction and communication inside and outside a foundation’s walls. It affects how staff and board members relate to and interact with each other as well as with nonprofits and external partners. It’s embedded in our grant application processes and reporting requirements, the content on our websites and social media feeds, and the design of our meetings and convenings. Whether we are intentional about it or not, our organization’s culture has broad ripple effects.

In addition, culture work should always be grounded in and aligned with your goals. Thinking about and working on organizational culture often can feel overwhelming – like there’s so much to tackle – and you don’t know where to begin. Identifying an organizational goal and thinking critically about how culture helps or hinders that goal gives us a place to start with this work that is both specific and achievable.

As part of GEO’s ongoing work on culture, we’ve conducted interviews with grantmakers from around the country and – while everyone’s culture journey is different – there are some common phases of culture work that most organizations go through. GEO has broken the work of shaping culture into four primary phases.

The phases are the following:

  • Understand. Consider the ingrained behaviors, assumptions and values that drive our daily work and our interactions with nonprofits and other partners.
  • Assess. Explore how our current culture affects our ability to accelerate impact and support nonprofits to be successful.
  • Shift. Engage board and staff to take action to create a culture that will make our organization and nonprofits more successful.
  • Tend. Keep a sustained focus on strengthening culture so we can achieve our mission and goals.

In many cases, culture work is not linear – you can move back and forth between the phases at any time. You may be hard at work trying to shift an element of your culture only to realize that you actually need to spend some more time understanding it. Just because you have moved from one phase to another does not mean work related to that phase is over – in some ways you’ll always be working to understand, assess, shift and tend to culture. But these phases are indicative of where the majority of organizational resources and energy are being directed.

For grantmakers who are new to culture work, or who recognize that their cultures aren’t all they need to be but aren’t sure what to do about it, the act of naming and prioritizing culture is the key first step to shifting culture. It provides the spark for collective work involving staff, trustees, nonprofits and others to assess the current culture of our organizations, explore the degree to which that culture is aligned with our values and strategies, and think about what the best culture might be for us and how we can get there together.

The following sections of this guide provide more perspective on each of these phases. We encourage you to explore these resources and to choose the tools that will help you build the culture that will best support you to achieve your goals.

Three Guiding Principles for Funding and Innovating in the Social Sector

Almost a year ago I wrote about how open innovation can help create a new operating system for the social sector. The piece focuses on learnings from the BridgeBuilder Challenge, a multi-challenge partnership between OpenIDEO – IDEO’s open innovation practice – and GHR Foundation to find solutions for global challenges at the intersection of peace, prosperity, and the planet. A year later, the first of three $1M BridgeBuilder Challenges is complete and the second is currently underway. In this time, we’ve learned a tremendous amount and are applying these lessons to continuously improve the program. To help guide ourselves and others in the social sector, we’ve extracted three overarching principles to guide our work and partnerships with funders in the social sector for years to come.

Rede Temática de Grantmaking é lançada no Congresso GIFE

O fortalecimento do grantmaking é ainda um grande desafio no setor privado. Se por um lado a consciência sobre a importância do apoio a sociedade civil parece ser cada vez maior, nos últimos anos o volume do investimento tem refletido o contrário.

Com o objetivo de pensar novas formas de grantmaking e novas estratégias, como também em que medida os investidores sociais precisam rever suas formas de se relacionar com as OSCs, e em que medida as OSCs precisam rever suas estratégias de atuação e de relação com potenciais investidores, o X Congresso GIFE promoveu a mesa de debate Cultura de doação e grantmaking: superando barreiras para um país mais doador.

A atividade contou com a participação de Angela Dannemann, do Itaú Social; Inês Mindlin Lafer, do Instituto Betty e Jacob Lafer; Rodrigo Alvarez, da Mobiliza; e mediação de Georgia Pessoa, do Instituto Humanize.

Dados do último Censo GIFE apontam que, dos R$ 2,9 bilhões investidos, 60% foram aportados em ações e programas dos próprios associados, sendo que 21% foi investido em ações e patrocínios de iniciativas de terceiros. Comparativamente à edição anterior do Censo, o valor doado diminuiu, e o recurso está mais pulverizado, há um maior número de OSCs sendo apoiadas.

“Tivemos um crescimento, ao longo dos anos, de fundações e institutos que poderiam ser doadores intensificando seus próprios projetos, buscando segurança no que fazem. Mas, fazendo isso, a gente amplia a desigualdade. Somos avessos ao risco. Precisamos reconhecer a inegável legitimidade das organizações nos territórios onde trabalham. E elas não conhecem o suficiente impacto e indicadores para nos mostrar resultados. Precisamos verificar que a junção de olhares e ações podem vencer os desafios. Gerar trocas e aprendizagem. E isso é importante para o desenvolvimento conjunto, não só das organizações apoiadas, mas de nós, fundações, que estamos sentados muito longe das causas e precisamos aprender a lidar com elas”, aponta Angela Dannemman.

Dentre os desafios colocados por Angela está o investimento estratégico, a filantropia de risco. Deixar de ter medo de trabalhar e investir como um todo e apoiar as OSCs em sua totalidade, saindo da lógica de projeto. “Ao vencer esse risco, é preciso gerar com eles planos de desenvolvimento institucional, com planejamento em recursos financeiros e não financeiros, em diálogo, a partir de critérios. Ampliar o tempo de apoio financeiro. Por que como é possível conseguir tocar uma ação planejada, por exemplo, sem ter equipe remunerada para realizar um planejamento de modo sustentado e permanente? Sem ter recursos para investir em tecnologia e infraestrutura? As OSCs são organizações como nós. Somos grandes e temos muito recurso. Eles são pequenos e não têm recursos. Eles têm para nos oferecer o território, a prática com a comunidade. Temos muito a trocar”.

A experiência do Itaú Social com investimento estratégico a partir de convites a diferentes OSCs é citada por ela como um passo nesse sentido. “Estamos desenvolvendo essa metodologia. A partir de uma carta convite, enviada a 44 organizações no ano passado, buscamos um investimento que olha para elas com mais amplitude. Vamos fazer ciclos de seleção a cada dois anos. Temos que pensar esse tipo de apoio. Precisamos ter grantmaking diversificado. Continuar apoiando projetos, mas também promover apoios mais amplos às OSCs. E precisamos ter uma visão do que está acontecendo no país, não só no eixo Rio-São Paulo”.

O Instituto Betty e Jacob Lafer, que direciona recursos para projetos desenvolvidos e executados por OSCs que são referência em causas ‘áridas’, como justiça criminal, por exemplo, tem como premissa ser doador e fortalecer organizações com vistas a uma sociedade mais democrática, com diversidade de ideias e soluções. “A gente fala muito de cultura de doação, mas nessa área de direitos humanos, de fortalecimento da democracia, acho que a gente não usa a mensagem adequada. Temos a tendência de dizer que é bom doar, porque doar faz bem, mas isso não é argumento que convença ou fidelize a pessoa na doação”, diz Inês Mindlin Lafer. “Uma maneira de mobilizar o doador é gerar uma sensação de pertencimento. Para a gente, que é dessa área, uma coisa que choca, mas que faz sentido, é entender que a doação da pessoa física é um ato de consumo. A pessoa escolhe doar ao invés de gastar com outra coisa”.

Para Rodrigo Alvarez, da Mobiliza, a maioria das OSCs, se perguntada sobre qual o principal problema enfrentado, apontará falta de recurso. “Todas vão atrás de conhecimento técnico para captar recursos. E vão atrás de duas informações: onde estão os recursos e como fazer para acessá-los. Mas há níveis mais profundos de reflexão que uma organização precisa fazer, sob o risco de obter a resposta para essas duas perguntas, mas não conseguir acessar o recurso. Ela precisa de relações com seu público, tentar entender o que move a pessoa a ser um doador. Esse campo do meio é o campo da comunicação, da construção das relações entre essa organização e o mundo externo. As organizações ficam olhando para fora, achando que o recurso está lá, sem se dar conta de que o recurso está aqui dentro. É compreensível, porque elas estão, na maioria das vezes, vendendo almoço para comprar a janta. Não têm tempo para pensar e fortalecer a própria identidade, e assim vão fortalecendo um ciclo de escassez”.

Rodrigo lembra o histórico de atuação das OSCs, fundamentais para a Constituição de 88, destacando que essas organizações não eram financiadas pela sociedade civil, mas muitas por organizações internacionais. Os resultados gerados foram sem dúvida importantes, mas ele aponta que elas foram, ao longo do tempo, desaprendendo a se relacionar com a sociedade brasileira, que essa relação não é algo simples de ser retomado.

Por fim, ele levantou o tema da coragem para o risco, apostando que esta deve ser uma ponte entre as instituições, dos doadores institucionais e individuais. “Eu diria para qualquer financiador que há pelo menos quatro tipos de recursos que precisam ser alocados para as OSCs: capital financeiro; captação e formação de fôlego, de longo prazo; assistência técnica; atração de novos talentos”, completa.

Lançamento da rede

Para debater estas e outras questões relacionadas a esse universo de ampliação de cultura de doação e temas relacionados, foi lançada, durante o X Congresso GIFE, a Rede Temática de Grantmaking, coordenada pelo Instituto Humanize e pela Fundação Lemann.

“A ideia é que essa Rede Temática seja um lugar para a gente trocar e aprender. Ela surge de uma vontade coletiva, de alguns associados do GIFE, de acelerar o processo de aprendizado. E melhorar a compreensão desses temas, tanto para dentro como para fora. Acho que o intuito maior desse grupo é refletir como que a gente, coletivamente, dá conta desses desafios do Brasil. Como é que a doação conversa com gestão pública eficiente, com fortalecimento da sociedade civil como vigilante dessa política pública. Como temas mais áridos, ligados, por exemplo, à agenda de direitos humanos, podem ser tratados de modo mais organizado entre doadores, e como isso pode se refletir numa ação mais integrada e mais eficaz de relação com as OSCs”, diz Georgia Pessoa.

Iniciativas indicam caminhos e apontam tendências para fortalecer a cultura de doação no país

É fato que o fortalecimento das organizações da sociedade civil (OSCs) é fundamental para a construção da democracia e a garantia de direitos, tão essenciais para população. Porém, um dos principais desafios hoje colocados às OSC para que continuem exercendo seu papel a longo prazo e de forma autônoma é a sua capacidade de sustentabilidade econômica. Além dos recursos públicos, o financiamento privado, isto é, angariado por meio de doações da própria sociedade constitui-se em uma das principais formas de sustentabilidade das OSC.

A Pesquisa Doação Brasil, realizada pelo IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), identificou que o Brasil é um país doador. Estima-se que, em 2015, foram doados R$ 13,7 bilhões por pessoas físicas a organizações socioambientais. Porém, embora sejam números significativos, existe um enorme potencial para o fortalecimento da cultura de doação no Brasil e, portanto, do fomento às doações, tendo em vista que elas representam apenas 0,23% do PIB (Produto Interno Bruto).

Este potencial de doação também precisa ser ampliado a partir do apoio dos investidores sociais às organizações. O Censo GIFE identificou, porém, que do total investido em 2016 dos associados (R$ 2,9 bilhões), 60% foi investido em programas e ações próprios e 21% em doações e patrocínios de iniciativas de terceiros, o que equivale a R$ 595 milhões, 33% menos que em 2014. Por outro lado, 78% dos investidores sociais disseram que pretendem manter ou aumentar os níveis de apoio às OSCs, além de haver aumentado o número de organizações que apoiam organizações da sociedade civil por acreditar ser parte da finalidade do investimento social contribuir para seu fortalecimento e sustentabilidade (de 21% para 35%).

Para trazer estas discussões à tona e pensar em novas formas de expansão da doação, o X Congresso GIFE, a ser realizado de 4 a 6 de abril, em São Paulo, terá uma série de mesas a respeito do tema. No dia 05, às 9h, por exemplo, a discussão será sobre Cultura de doação e grantmaking: superando barreiras para um país mais doador”, com a participação de Angela Dannemann, superintendente da Fundação Itaú Social; Rodrigo Alvarez, diretor da consultoria Mobiliza; Inês Mindlin Lafer, presidente do Instituto Betty e Jacob Lafer; com mediação de Georgia Pessoa, do Humanize.

A proposta será debater a respeito das estratégias que precisam ser implementadas e as novas formas de relacionamento entre OSC e potenciais investidores para que mais recursos cheguem ao campo.

Na opinião de Rodrigo Alvarez, as organizações precisam olhar com atenção o seu planejamento em captação de recursos e repensar sua forma de atuar e de se financiar. “Na forma de atuação, precisam parar de pensar em se manter e passar a pensar nos resultados reais que estão entregando para a sociedade, como resolver melhor os problemas sociais. No seu modelo de financiamento, precisam diversificar suas receitas e incorporar, quando fizer sentido, modalidades de geração de receita própria. Organizações com modalidades híbridas de receitas, desde que não comprometam seu propósito, tendem a ser mais fortes e autônomas”, acredita Alvarez.

Outro ponto fundamental apontado pelo especialista é a necessidade das OSCs abrirem mais canais de diálogo e participação com a sociedade, a fim de que as pessoas compreendam de fato a profundidade e complexidade dos problemas com os quais as organizações trabalham e, com isso, se motivem a apoiá-las. “Por isso a necessidade também de melhorar a comunicação das OSCs, tornando-a mais simples e mobilizadora. Para além disso, há os incentivos fiscais e a melhoria do ambiente regulatório”, destaca o diretor da Mobiliza.

Esse aspecto da comunicação, inclusive, será um dos pontos a serem abordados ao longo da mesa de debate por Inês Lafer. O Instituto, em parceria com outras organizações, tem se dedicado a compreender melhor quais aspectos são importantes de constarem nas mensagens e na comunicação das OSC para atingir um público potencial de doadores, com mais recursos para fazer doações de médio porte.

A ideia é pensar em estratégias de marketing e mobilização deste público que não é ainda acessado por grande parte das OSCs, fomentando, principalmente as doações de pessoas físicas para causas pouco apoiadas pelos investidores sociais, como política, direitos humanos etc.

“Falamos muito de cultura de doação, mas não de captação de recursos. Precisamos entender se a maneira como as OSC estão convocando as pessoas para doar é a forma correta. Esse ‘chamado’ precisa ser prazeroso e não uma cobrança. Precisamos pensar em como usar melhor as ferramentas de marketing para convencer possíveis doadores médios”, acredita Inês.

Hoje, o Instituto Betty e Jacob Lafer se configura com um grantmaking, e todo o recurso é direcionado para projetos desenvolvidos e executados por organizações da sociedade civil que são referência em causas ditas áridas, como justiça criminal, por exemplo.

“Escolhemos desde o início ser doadores e fortalecer as organizações para termos uma sociedade mais democrática, com diversidade de ideias e soluções. Assim, direcionamos os recursos para que elas possam desenvolver seus programas. Agora, cada investidor precisa entender a sua vocação e as expectativas dos mantenedores, seus objetivos etc., para definir se vão ser grantmaking ou também desenvolver seus projetos. Depende muito do que se quer fazer. A única questão é que não pode deixar de ser financiador porque desconfia dessa relação com as organizações da sociedade civil”, aponta.

Segundo Inês, o que colaborou neste relacionamento com as OSCs foi a escolha das parceiras, ou seja, o Instituto optou por apoiar organizações com capacidade institucional e estabeleceu um espaço de diálogo constante, de proximidade, para diminuir os possíveis ruídos. “O que ocorre, muitas vezes, é a linguagem entre investidores e organizações não ser a mesma. Muitos gestores que estão à frente desse relacionamento com as OSCs não têm tanta experiência no setor, e a lógica de gestão e o que espera de resultados é diferente. E é aí que, muitas vezes, ocorre o conflito. Precisamos superar e melhorar essa relação”, aponta.

Oportunidades e desafios

A conversa sobre sustentabilidade, cultura de doação e democracia continua em outras atividades do Congresso GIFE. Também no dia 5, às 16h30, como parte da programação aberta ao público, Ana Valéria Araújo, do Fundo Brasil de Direitos Humanos, e Eduardo Pannunzio, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), estarão à frente do debate coletivo “Sustentabilidade e fortalecimento da sociedade civil”.

A proposta será discutir a importância de se criar um ambiente regulatório que facilite e fomente o financiamento das organizações por meio das doações. Os especialistas irão refletir sobre questões como: Quais os entraves regulatórios que as organizações enfrentam para ampliação dos seus recursos? Como as organizações têm lidado com esses desafios? Quais mudanças legislativas podem favorecer concretamente a sustentabilidade econômica das OSCs?

Na sequência, a partir das 18h30, mais dois painéis abertos ao público tratarão sobre o assunto. O primeiro focará em cultura de doação, com a proposta de apresentar iniciativas que, de modos diferentes e complementares, atuam no campo para promover o tema, visto que criam um ambiente mais favorável e motivante para que todos os brasileiros se envolvam com causas e queiram destinar recursos a elas.

Na ocasião, o IDIS irá apresentar o estudo da CAF (Charities Aid Foundation) sobre o potencial transformador da doação da classe média até 2030, e a Conectas irá compartilhar a pesquisa sobre o perfil social, demográfico e comportamental do doador médio brasileiro para causas de direitos humanos.

Já João Paulo Vergueiro, diretor da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), compartilhará com o público presente o andamento das discussões sobre a criação do Marco Bancário da Doação, que visa promover a normatização da doação junto ao sistema bancário para que a doação seja reconhecida como uma transação financeira distinta das transações comerciais.

No painel, estarão ainda presentes Nina Valentini, presidente do Movimento Arredondar, que irá falar sobre a iniciativa de arredondamento em plataforma de e-commerce, e Rodrigo Bueno, sócio-diretor da consultoria Estúdio Cais, irá apresentar o projeto Viralize, que busca conectar a audiência presente na internet, por meio de influenciadores digitais, a causas e projetos que precisam de financiamento.

Simultaneamente a este debate, outro painel irá discutir sobre gestão institucional e acesso a recursos, com a presença de iniciativas como a Captamos, Rede de Filantropia e Justiça Social e Nexo Investimento Social.

Confira

Como esquenta para o Congresso GIFE, uma série de webnars foram realizados trazendo temas que seriam desdobrados no evento. O debate “Doações filantrópicas: é preciso tributá-las” contou com Eduardo Pannunzio e Aline Viotto e trouxe dados sobre o ITCMD e seu funcionamento. Confira:

Brasil precisa mudar tributação de organizações para ampliar doação no país

O Brasil vive hoje um ambiente de desincentivo às doações e de atraso frente a outros países que buscam fortalecer a atuação das organizações da sociedade civil (OSC), fundamentais para a garantia de direitos e o desenvolvimento da democracia. Essa é a análise de Eduardo Pannunzio, advogado, especialista em terceiro setor e pesquisador da FGV Direito São Paulo, que participou do último debate online antes do X Congresso GIFE, com o tema: “Doações filantrópicas: é preciso tributá-las?

O assunto tem ganhado cada vez mais espaço na agenda de discussões do GIFE, principalmente com a realização do projeto Sustentabilidade Econômica das Organizações da Sociedade Civil, realizado pelo GIFE e pela Coordenadoria de Pesquisa Jurídica Aplicada (CPJA) da FGV Direito São Paulo, em parceria com o IPEA (Instituto de Pesquisas Aplicadas) e com apoio da União Europeia, Fundação Lemann, Instituto Arapyaú e Instituto C&A.

Aline Viotto, coordenadora de Advocacy do GIFE, iniciou o debate lembrando a importância de se discutir o tema diante do contexto atual de ameaça à sustentabilidade das OSC, com escassez de recursos públicos disponíveis para as organizações, redução de financiamento internacional e necessidade de se ampliar a cultura de doação da sociedade civil. “Uma das dimensões para ampliarmos as doações é justamente criarmos um ambiente regulatório favorável para tal. O projeto Sustenta tem essa perspectiva, a fim de que as regulações tragam e facilitem as doações e, assim, possamos ampliar os recursos para as OSC”, comentou.

Mas, afinal, como é o ambiente regulatório atual? O pesquisador da FGV elencou alguns aspectos fundamentais referentes ao ITCMD (Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação) e que tornam o cenário atual ainda complexo, confuso e burocrático para as organizações que querem seguir a legislação.

9 Strategic (and Inexpensive!) Ways Funders Can Support Grantee Staff

Nonprofits tend to sink or swim based not on mission and funding alone, but on the talents of employees. Keeping good employees and equipping them for the work is one of the critical challenges frequently cited by nonprofit leaders, yet funders tend to invest much less in the “people” aspects of nonprofit organizations than they do in other areas. Businesses spend four times as much per person on leadership development as nonprofits, and according to Foundation Center grant data from 1992-2011, less than 1 percent of foundation grant dollars are invested in developing the nonprofit workforce.

Uso de ferramentas online pode potencializar doações se for pautado pela transparência

O uso de ferramentas digitais e de narrativas baseadas em dados pode ser aliado do fortalecimento e sustentabilidade financeira das organizações da sociedade civil. Entretanto, grande parte das organizações acredita que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) contribuem pouco ou não contribuem para aumentar a captação de recursos. É o que aponta a 3ª edição da pesquisa TIC Organizações Sem Fins Lucrativos (TIC OSFIL 2016), realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil.

Realizada entre maio e setembro de 2016, a pesquisa investiga a existência de infraestrutura de TICs e o seu uso pelas OSCs brasileiras. Mapeia também as capacidades e habilidades acumuladas nas entidades em relação às TICs. Ao todo, foram entrevistadas 4.001 organizações de diversos segmentos, tais como associações patronais, profissionais e sindicais e entidades ligadas às áreas de saúde e assistência social, educação e pesquisa, religião, desenvolvimento e defesa de direitos, dentre outras.

Grants Management Professional Competency Model

As a grants management professional, you need to be an expert in your work to help your grantseekers succeed. Your ability to connect the dots across knowledge, relationships, and systems is critical to improving grantmaking decisions. Be a champion for good practices in your organization.

PEAK Grantmaking’s Grants Management Professional Competency Model defines the professional knowledge, skills, and abilities expected of grants management professionals, like you, regardless of your area of specialization, the size of your organization, or your role within the field. By identifying both the functional responsibilities and the knowledge needed for success in every area of grants management, the competencies provide a comprehensive look at the profession. This model offers everyone working in grants management a pathway to professional success.

Grant Reporting: The Current State of Practice

Grant reports are a fact of life for funders and nonprofits. Generally structured as written narratives and detailed financial information, they serve variously as an accountability mechanism, a trigger for the release of the next round of funding, a way to document past activity, and a source of data and stories. At their best, grant reports are a platform for building relationships and making decisions, whether about an individual grantee or about overall grantmaking strategy. While there is a nearly universal belief that grant reports are necessary, there is far less agreement about frequency and format, required elements, and uses (never mind, usefulness!).

Staying Connected: How Five Foundations Understand Those They Seek to Help

<em>Staying Connected: How Five Foundations Understand Those They Seek to Help</em> profiles five foundations ranked among the top 15 percent of foundations that commissioned a <a href=”https://cep.org/assessments/grantee-and-applicant-perception-reports-3/” target=”_blank” rel=”noopener noreferrer”>Grantee Perception Report</a> (GPR) between 2016 and 2017 when it comes to how their grantees rated them on questions related to their understanding of intended beneficiaries’ needs. The work of these five foundations seeks to help beneficiaries in a range of focus areas — from students to children and adults in need of affordable health care.

Relationships Matter: Program Officers, Grantees, and the Keys to Success

Relationships Matter: Program Officers, Grantees, and the Keys to Success sheds light on what constitutes a strong funder–grantee relationship, what nonprofits say it takes for funders to foster such relationships, and the crucial role that program officers play in the equation.

The report finds that in the eyes of nonprofits, the most powerful ways that funders can strengthen their relationships with grantees are to: 1) focus on understanding grantee organizations and the context in which they work; and 2) be transparent with grantees. Less powerful, but still important to forming strong relationships, are the experiences grantees have during the selection process and how open they find funders to be to their ideas about the foundation’s strategy.

It’s time to address power in philanthropy

It’s time to address power in philanthropy

The Trust-Based Philanthropy Project reimagines traditional funder-grantee relationships. We work with foundations to create a philanthropic ecosystem that is trust-based. We build and curate the tools and resources to engage grantmakers around ways to embody this approach, and why it matters. And we invite others to join us by connecting new and experienced practitioners to learn from each other and help grow their trust-based muscles.

Core to this work are six key principles that put trust-based values into action

Iniciativas fortalecem credibilidade das organizações da sociedade civil para incentivar mais doações no país

Duas iniciativas têm colaborado para trazer ainda mais credibilidade e ressaltar o importante papel desempenhado pelas organizações da sociedade civil no país, ajudando, assim, a também garantir que mais doadores apostem em suas causas e ampliem as contribuições para sua sustentabilidade financeira.

Uma delas é o Prêmio “Melhores ONGs Época Doar”, que está com inscrições abertas para a edição de 2018 até o dia 15 de fevereiro. A premiação, promovida pelo Instituto Doar em parceria com a revista ÉPOCA, teve neste ano mais de 1500 inscrições de organizações da sociedade civil, sendo que 100 delas foram reconhecidas e passaram a fazer parte do Guia Melhores ONGs (clique aqui para conhecê-las). A publicação ajuda a orientar as pessoas na hora de decidir que instituição merece sua contribuição, além de construir referenciais para o setor e incentivar a cultura de doação entre a população.

Podem participar da seleção ONGs de qualquer setor e porte do país que dependam de financiamento externo, como apoio institucional de empresas, de fundos ou de doadores individuais. Fundações e institutos de empresas estão fora do escopo do guia, pois não são dependentes de contribuições externas, além de terem boas práticas de gestão já incorporadas.

Para orientar as organizações (veja o regulamento), o processo contempla um questionário, que avalia o trabalho das OSC em cinco temas: Causa e estratégia de atuação; Representação e Responsabilidade; Gestão e Planejamento; Estratégia de Financiamento; e Comunicação e Prestação de Contas.

Na edição de 2018, o processo de seleção contará com um novo modelo, com duas fases. Na primeira etapa, as OSC deverão preencher um formulário com perguntas mais gerais, sendo que algumas são eliminatórias. A proposta é que passem para a segunda fase cerca de 300 a 500 semifinalistas. Nesta etapa, as concorrentes deverão apresentar documentos comprobatórios, além de terem de cumprir critérios a partir de respostas mais complexas no questionário, sendo analisadas pelo comitê de avaliação. A seleção contará com o apoio da Junior Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Na avaliação de Marcelo Estraviz, fundador do Instituto Doar, o processo de participação na premiação se torna um momento de autoavaliação das OSC e a possibilidade de repensar processos e planejamento para conquistar mais doadores.

“Inscrever-se é a forma de descobrir quais são os critérios que a sociedade considera importante para decidir apoiar uma organização. Em relação à transparência, por exemplo, há um conjunto de critérios que podem ser resolvidos facilmente, bastando publicar no site itens que o potencial apoiador quer ver e conhecer, como o estatuto social, algo que muitas não faziam até então. Já em relação à gestão, percebemos que as ‘Melhores ONGs’ da edição passada têm processos estruturados de planejamento estratégico, plano de captação, plano anual etc. É assim que elas se destacam”, ressalta.

Segundo o fundador do Instituto Doar, é nítido que a primeira edição da premiação, em 2017, gerou um movimento no setor e um retorno positivo para as OSC vencedoras, que passaram a disseminar em seus materiais de comunicação o selo conquistado.

“Vimos neste movimento a necessidade latente de se mostrar importante e reconhecidas por terceiros. Sabíamos que cumpriríamos essa função, mas não esperávamos tamanho engajamento. Além disso, estamos desenvolvendo uma pesquisa sobre os resultados de ampliação de recursos e reputação na comunidade. O que temos já ouvido é que claramente as organizações são mais conhecidas e que os resultados financeiros começam a chegar, quando se posicionam. A nosso ver é cedo ainda para a análise, mas podemos afirmar que, sem dúvida, esse aumento de autoestima reflete principalmente no agir na busca de aliados e apoiadores”, acredita Estraviz.

Resultados a comemorar

Outra ação que vem dar visibilidade às OSC e convidar que mais pessoas passem a direcionar recursos para o trabalho das organizações é o Dia de Doar que, neste ano, foi comemorado em 28 de novembro. Esta nova edição, prova que, a cada ano, mais pessoas se engajam no movimento e já se sensibilizam com a proposta.

João Paulo Vergueiro, diretor da Associação Brasileira de Captadores de Recursos e articulador do Movimento por uma Cultura de Doação, destaca que os primeiros levantamentos produzidos mostram que o #diadedoar em 2017 evoluiu bastante, a partir de vários indicadores.

Em 2016, por exemplo, 78% das participações vieram apenas de três Estados. Nesta edição, foram registradas ações em São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraná, Bahia, Rio Grande do Norte, entre outros. A campanha alcançou, inclusive, cidades e capitais distantes do eixo Rio-São Paulo, como Porto Velho (RO) e Rondonópolis (MT).

A edição deste ano cresceu 62% em relação ao ano de 2016, quando avaliado o seu impacto nas mídias sociais, alcançando 16 milhões e 800 mil pessoas nas três mídias avaliadas: Facebook, Instagram e Twitter. Em São Paulo, por algumas horas, o #diadedoar chegou a aparecer na lista das hashtags mais mencionadas do dia 28 de novembro.

A campanha também contou com muitas grandes empresas se engajando, como Central de Intercâmbio, IBM e Smiles; várias celebridades se manifestando a favor da doação, como Edson Celulari, Letícia Spiller e Marcelo Tas; além de inúmeras cidades, em todo o país, que desenvolveram campanhas locais de incentivo à doação.

No site do #diadedoar, foram cadastradas mais de 200 ações, além de tantas outras espalhadas pelo país que não foram registradas na plataforma, mas ganharam visibilidade via reportagens e posts nas redes sociais.

A cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, por exemplo, aprovou na Câmara Municipal, no dia 30 de novembro, apenas dois dias depois da edição 2017 do #diadedoar, o projeto de lei nº 228/2017, do vereador Péricles Régis Mendonça de Lima, formalizando, por meio de lei municipal, a celebração do #diadedoar.

Segundo João Paulo, a expectativa é que esta edição também traga um crescimento das doações – os resultados finais ainda estão sendo computados –, a contar com o que já foi relatado pelas OSCs. Uma das plataformas de doação, a Juntos.com.vc, por exemplo, processou três vezes mais doações esse ano em relação a 2016.

“Estamos muito empolgados com esses resultados. O #diadedoar ainda é uma campanha pequena perto do seu potencial, mas tem crescido vigorosamente. As organizações da sociedade civil já aderiram, e trabalhamos para engajar cada vez mais setores da sociedade. Tudo isso é inspirador, e em 2018 será ainda maior”, ressalta.

Benchmarking Program Officer Roles and Responsibilities

The role of the program officer at foundations is one of great importance. This is not news to the thousands of nonprofit organizations relying on program officers for crucial information, guidance, and funding. Yet, we know relatively little about the role that program officers play at foundations and with nonprofits. What are the backgrounds and experiences of program officers? What are the job responsibilities on which they spend the most time? How do they view their relationships with grantees? In the following pages, we share the results of a survey we conducted, in mid-2016, to gain a better understanding of the role of the program officer. We sent surveys to over 300 program officers who we randomly selected from foundations that give at least $5 million annually. We received responses from 150 individuals for a response rate of 48 percent.

Time to Reboot Grantmaking

Social sector organizations need a “healthy diet” of funding to achieve maximum impact, a concept neatly captured by the Grantmaking Pyramid now used by the Ford Foundation.

Communities in Schools (CIS) is the largest and most effective US organization dedicated to keeping disadvantaged kids in school and helping them succeed in life. Founded in the 1970s, today CIS serves 1.5 million students in 25 states and the District of Columbia. Some 91 percent of these students graduate from high school, a success rate that has earned CIS widespread acclaim. Yet, in the early 2000s, CIS found out the hard way that grant-fueled growth does not ensure operational efficiency or financial health. Just the opposite.

What’s Your Operating Capabilities Approach?

This infographic is part of GrantCraft’s Leadership Series paper Frameworks for Private Foundations: A New Model for Impactproduced in partnership with Rockefeller Philanthropy Advisors, which explores the core frameworks that shape private foundations, and offers a roadmap for funders interested in reflecting on these frameworks to better align purpose, public benefit, and action.

To optimize their overall performance to meet emerging challenges and opportunities, many foundation leaders are taking a hard look at their organizations’ operating capabilities—and navigating a variety of tensions. These tensions fall across six critical dimensions, all of which are interrelated. How a foundation approaches each of these capabilities may be considered as a point along a spectrum, as illustrated in this infographic.  For more information on the Theory of the Foundation click here.

The Future of Family Philanthropy: Predicting and Preparing

There is little dispute that philanthropy is undergoing a profound change. Traditional foundation grantmaking, and giving from perpetually endowed advised funds, are now just two options among a growing array of methods that family donors and social entrepreneurs can use to create impact. New organizational forms, new types of social investment, and new collaborations are part of an ambitious, boundary-blurring experiment in innovation for good. While many family donors are wary of these new approaches, looking for more information before venturing into the new spaces, others have become pioneers and are eager to share their experiences.

Sharing What Matters: Foundation Transparency

To better understand transparency in philanthropy — both its meaning and the current state of practice among foundations — CEP analyzed survey data from 145 foundation CEOs and more than 15,000 grantees and systematically reviewed more than 70 foundation websites. This report reveals that funders see grantees as the primary audiences for their transparency efforts, and both foundations and grantees believe transparency about the substance of foundation work, rather than about financial disclosures or governance, matters most to effectiveness.

¿Que es el fortalecimiento institucional?

El fortalecimiento institucional consiste fundamentalmente en la mejora de la eficiencia y la eficacia, principalmente a nivel organizacional. El término a veces se usa indistintamente con otros términos como desarrollo organizacional, desarrollo institucional y financiamiento. Es a la vez un verbo (la acción de crear la eficacia, a menudo mediante la mejora de capacidades organizativas específicas, tales como la infraestructura, operaciones, salud financiera, y programas) y un sustantivo (el resultado de una mayor atención a la eficacia).

En esta guía nos centramos tanto en la acción y en lo que resulta cuando las fundaciones donantes y las organizaciones sociales beneficiarias a las cuales apoyan, trabajan en conjunto para fortalecer la efectividad de las organizaciones.

Philanthropy and the Social Economy: Blueprint 2016

“Philanthropy and the Social Economy: Blueprint 2016” is an annual industry forecast about the ways we use private resources for public benefit. Each year, the Blueprint provides an overview of the current landscape, points to major trends, and directs your attention to horizons where you can expect some important breakthroughs in the coming year.

Recursos privados para fins públicos: as grantmakers brasileiras

A oportunidade de realização da pesquisa surge em um momento ricopara ambas as organizações. O GIFE se fortalece como ator relevante no universo do investimento social privado no Brasil e vem se constituindo como uma organização que produz e dissemina conhecimentos sobre esse tema. Simultaneamente, impulsiona a relação com o Synergos Institute, que fortalece seus laços com o Brasil.
O estudo das grantmakers no Brasil faz parte de uma pesquisa comparativa sobre este tema realizada pelo Synergos Institute em diversos países, dentre os quais duas nações latino-americanas: Equador e México. Embora um dos produtos da pesquisa seja a geração de um perfil organizacional de cada grantmaker mapeada, o estudo não se propõe ser um novo diretório de entidades financiadoras para ser utilizado por quem busca recursos para seu projeto ou instituição.

What Mindset is Needed to Support Collaboration?

Throughout history, social change has been possible only through the contributions and dedication of many people and organizations connected in tight and loose groups. Recognizing that operating within the confines of a single organization is often insufficient to create widespread, lasting change, grantmakers are adopting a different mindset that helps them see and do their work as part of larger, more diverse and powerful efforts. However, this mindset is different from how some foundations currently operate. It means valuing connectedness, shared ownership and openness. This piece introduces how we might shift from a traditional mindset to a more collaborative mindset, to think and act beyond the boundaries of our foundations to make progress on complex social problems.

Getting Inside the Story: Ethnographic Approaches to Evaluation

To get insight into a complex community, problem or process of change, sometimes you need to look beyond conventional research or evaluation methods. Ethnography is a powerful way to step inside the culture of an organization or community, hear ongoing feedback from multiple points of view, and understand a program’s real impact. In this guide, learn about ethnography’s benefits and pitfalls, and see how grantmakers use the method to document, evaluate and improve approaches to youth engagement, HIV education and neighborhood policing.
This guide is part of a series on evaluation techniques.

What Roles Can Grantmakers Play in Supporting Networks?

Grantmakers of all kinds care about tangible progress on tough problems, but we also seek harder-to-measure results. Networks for social change can help on both of these fronts, building new capacity for making progress on complex problems and achieving significant measurable results. Tapping into network connections is becoming the norm for social change makers, whether we’re mapping influential relationships for an advocacy campaign, coordinating a protest to fight climate change or spreading an approach to community engagement. For funders, supporting and investing in networks is a prerequisite for remaining relevant in a world of fast moving information and ideas and tackling persistent, complex problems. This piece introduces the value of networks for making progress on complex problems, along with typical roles that funders play in networks, and it offers recommendations for investing in them most effectively.

What Are the Different Ways to Collaborate?

In the nonprofit sector there are various forms of collaboration, ranging in formality, actors and purposes. Some of the most common types of collaboration include networks, coalitions, movements, strategic alliances, strategic co-funding, public private partnerships and collective impact initiatives. It can sometimes be difficult to differentiate among them and know which might be the best fit for certain situations. This piece defines these forms and offers guidance for grantmakers on when to use each, along with examples and considerations.

While not an exhaustive list, the following table breaks down some of the most common forms of collaboration in the nonprofit sector and provides guidance on when to use it, examples and considerations. It is important to note that these types of collaboration are not mutually exclusive — a collaborative effort may include two or more types at once. Also, each of these entails some level of formality, although the degree of formality varies. Usually, less formal collaborations, partnerships and/or intentional relationship building are important precursors to more sustained forms of collaboration to build a baseline of trust and common understanding.

How Can Grantmakers Support Movements?

Today, many grantmakers recognize the role of social movements in advancing opportunity, well-being and justice for all people. And more grantmakers are making a shift from solely supporting individual organizations and programs to supporting the multiple organizations and intersecting networks that make up movements. Supporting movements — as investors, brokers, connectors, learners and influencers — is a key way grantmakers can collaborate with others and facilitate grantee collaboration to tackle pressing social problems.

How Can We Be More Supportive of Nonprofit Financial Sustainability?

Grantmakers can take a number of steps to ensure that the support we provide to grantees, and the policies and procedures connected to that support, enables nonprofits to effectively fulfill their missions. The goal, as described by Clara Miller, formerly of Nonprofit Finance Fund, should be to “create an enterprise that can reliably attract revenue and deliver quality program over the long term.”By listening to grantees, hearing from them directly about the types of support they need and understanding each nonprofit’s unique financial picture, grantmakers can provide support that is both impactful and contextual. Additionally, grantmakers can support effective nonprofits by streamlining application processes, partnering with other funders to pool resources and exploring a full range of financial models.

Council On Foundations: Stewardship Principles For Family Foundations

These principles, developed by the Council on Foundations, are guiding ideals that describe how family foundations can reflect in their governance, management and grantmaking, fundamental values, including honesty, integrity, fairness and respect. Each principle has practice options, which are specific courses of action by which a foundation may improve performance related to the principle.

Conflicts of Interest: Safeguarding Your Foundation

This statement of principles and practices outlines measures that foundations may take to improve transparency and accountability in finance, governance and grantmaking. Aimed at the members of the Council on Foundations, it is designed to encourage greater compliance and adherence to legal and expected standards of accountability. Resources include articles by the Council on Foundations and sample conflict of interest policies for community foundations, private foundations and corporate giving programs.

Evaluating Social Innovation

The philanthropic sector has been experimenting with innovative grantmaking in the hopes of triggering significant and sustainable change. FSG’s latest research report, collaboratively written with the Center for Evaluation Innovation, challenges grantmakers to explore the use of Developmental Evaluation when evaluating complex, dynamic, and emergent initiatives.

Listen, Learn, Lead: Grantmaker Practices That Support Nonprofit Results: Executive Summary

Identifies opportunities to strengthen grantmaking practices and extend grantee impact. Emphasizes a more collaborative approach that builds on the knowledge and experience of nonprofits, with a focus on improving the grantmaker-grantee relationship.

Doing Good Today and Better Tomorrow: A Roadmap to High Impact Philanthropy Through Outcome-Focused Grantmaking

Describes Hewlett’s experience with implementing the outcome-focused grantmaking (OFG) process in its environment program as a guide for identifying a portfolio of grants with maximum impact. Outlines trials and errors, recent innovations, and challenges.

Foundations for Civic Impact: Advocacy and Civic Engagement Toolkit for Private Foundations

Offers guidance for private foundations on supporting grantees’ policy and civic engagement activities, including rationale, rules for private foundations as grantmakers and as advocates, sample grantmaking materials, success stories, and resources.

Advancing Good Governance: How Grantmakers Invest in the Governance of Nonprofit Organizations

Over the last decade, growing numbers of nonprofit organizations and grantmakers have recognized the need for capacity-building in nonprofit organizations. In 2006, U.S. funding for capacity-building topped $1 billion — a 126% increase over 2000. Leadership capacity has received particular attention, but utilizing the board of directors has often been overlooked. Today, nonprofits and grantmakers are seeking to leverage the inherent assets of these governing groups. This report represents a revealing overview of nonprofit grantmaking in the new economy.

The Power to Produce Wonders: The Value of Family in Philanthropy

Based on two years of research, this new report from the National Center for Family Philanthropy is the first ever in-depth examination of the value of family philanthropy to the family, to communities and to democracy. This report is the culmination of a research and education initiative that sought the perspectives of 300 family philanthropy leaders through individual interviews, discussions at 14 regional symposia and sessions at a national symposium in Washington, DC.

The report covers a few key questions:
<ul>
<li>How does philanthropy add value to the lives of donors and their families?</li>
<li>How does philanthropy add value to the lives of donors and their families?</li>
<li>How does the personal participation of donors and family members add value to the giving process and, more importantly, to the results and impact of that philanthropy?</li>
<li>What challenges affect each philanthropic family’s capacity to be effective and trusted stewards of the resources they manage for the public good?</li>
<li>What value does family philanthropy represent as a component and reflection of the proper functioning of democracy and democratic institutions in the United States?</li>
</ul>

Evaluation As A Pathway to Learning

Informed by the work of the 2005 Evaluation Roundtable, this report examines current topics in philanthropic evaluation and showcases the evaluation approaches of several grantmakers, both large and small. It explores the link between evaluation and grantmaking and contains tips on how to incorporate a results orientatation into your organization’s work without making a large investment.

SEED Funds – A Powerful New Approach to Corporate Social Investment

As multinational companies strive to become truly “global,” they have begun to see the scourge of poverty, hunger and disease in developing countries as inescapable problems that they can and must help to solve. The traditional tools of corporate philanthropy, however, often seem unequal to this task. Typical corporate grantmaking rarely takes advantage of the company’s unique assets, expertise and infrastructure, severely limiting the social and business value created. Even the desired reputational benefits for the business can be as unsustainable as a photo op in yesterday’s newspaper. In short, traditional corporate philanthropy is akin to pumping air into a leaky tire — once you stop pumping, the tire will quickly deflate. New approaches have emerged, however, offering far more leveraged and sustainable solutions. One of the most powerful new ideas is the Corporate Small Enterprise Economic Development (SEED) Investment Fund — a term coined by FSG to describe the use of corporate funds and expertise to stimulate investment in for-profit enterprises that address social problems and foster economic development.

The Evaluation of Capacity Building Grants: Key Learnings for a Successful Program

Whether prompted by venture philanthropy, high engagement grantmaking, or a growing interest in nonprofit management, many foundations now have programs aimed at capacity building for their grantees. Grants from these programs are often highly targeted to meet the specific organizational needs of individual grantees. But how can a foundation get from the apples and oranges of individual grantee results to a succinct way of reporting overall program achievements? This was the question that the Maine Community Foundation (MCF) brought to FSG. Our analysis not only helped them evaluate their program, it also highlighted three basic lessons that can increase the likelihood of success for any capacity building initiative.

Foundations and Public Policy Grantmaking

Foundations trying to better leverage their influence and improve their impact increasingly are being urged to embrace advocacy and public policy grantmaking as a way to substantially enhance their results and advance their missions. In fact, public policy grantmaking has been described as “one of the most powerful tools available to foundations for creating real change.”1 The argument for public policy grantmaking is clear. Achieving large-scale and lasting results for individuals or communities — a goal linked to many foundation missions — typically cannot be accomplished with private resources alone. Often, it requires public investments and government directives. While a foundation might identify effective interventions, for example, and fund their implementation in several communities, larger and more sustainable funding sources are needed to scale up those interventions and broaden their impacts. Securing such commitments requires changes in public policies. This reasoning is persuasive. Yet to date, relatively few foundations have incorporated public policy into their grantmaking agendas. Although there is little doubt that the number of foundations moving in this direction has increased in recent years, foundations that make policy grants are still considered innovators among their peers. This paper is designed to inform how The James Irvine Foundation might frame, focus, and advance efforts to achieve policy reforms in its primary program areas. It is organized around a framework developed to support the Foundation’s thinking about its grantmaking options.

The Power of Strategic Mission Investing

A growing number of foundations are offering low-interest loans, buying into green business ventures, and investing in other asset classes to advance their missions. Yet most mission investing remains haphazard and inconsequential. To bring about real change, foundations need to take a fundamentally different approach, making strategic mission investments that complement their grantmaking. Authors Mark Kramer and Sarah Cooch talk about strategic mission investing in the Fall 2007 issue of Stanford Social Innovation Review.

Prática de grantmaking não pode ser confundida com simples doação

Uma das tendências do terceiro setor no Brasil é a prática de grantmaking pelas organizações da sociedade civil e pelas empresas, ou seja, financiar projetos sociais já existentes em vez de criar novos e executá-los por conta própria. Apesar de ser um assunto novo por aqui, essa iniciativa é comum em outros países, cujas práticas estão sendo adaptadas à realidade brasileira.

“”O processo de grantmaking é longo e difícil, principalmente em países que não têm muita tradição neste movimento. Alguns têm programas bastante interessantes nesta área, como o Quênia e a Índia. Aqui no Brasil isso é algo novo, mas que começa a se tornar muito forte e já tem lições a dar””, diz a representante da Fundação Ford no Brasil, Ana Toni.

Ana explica que há escolhas a serem feitas para que a prática de grantmaking seja positiva. Como forma de auxiliar este processo, a Fundação Ford lançou recentemente o projeto Grantcraft – Practical Wisdom for Grantmakers. Desenvolvido para fortalecer os debates e as reflexões a respeito da prática de grantmaking, envolve guias, vídeos e estudos de caso com temas como: práticas e métodos que tornam as doações mais efetivas, dicas sobre relacionamento entre financiadores e financiados e lições sobre como organizar o trabalho para obter melhores resultados. Além disso, algumas apresentações, publicações e workshops desenvolvidos pela Fundação Ford nos últimos dez anos também foram disponibilizados. “”A doação não é um trabalho que pode ser feito sem profissionalismo””, explica Ana.

Prática – Uma das organizações brasileiras que já vem praticando o grantmaking é a Fundação Odebrecht. Na busca por uma prática de financiamento mais focada na missão e nos objetivos da entidade, ela optou, em 1997, por definir princípios, conceitos e critérios de atuação. “”A partir daí, articulamos com empresas, governo e instituições do terceiro setor parcerias para a implementação de programas novos ou já existentes, sempre tendo como operador das ações uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) criada ou identificada nesse processo””, explica o superintendente da organização, Maurício Medeiros.

Medeiros afirma que, ao assumir essa postura, não existem vantagens operacionais, mas a organização é levada a realizar projetos de vanguarda, sempre pautados no profissionalismo e na busca de impactos positivos para a comunidade. “”Com a crise financeira, as circunstâncias não são muito favoráveis para a captação de recursos, o que compromete o desenvolvimento de ações sociais. Mas nós acreditamos que sempre existem financiadores para bons projetos e estamos capacitando as organizações para elaborá-los e desenvolvê-los, para que não dependam exclusivamente do nosso aporte e caminhem rumo à sustentabilidade.””

Para a gerente de patrocínios do Instituto Telemar, Samara Werner, a crise financeira faz com que as empresas ganhem uma consciência ainda maior de seu papel no desenvolvimento do país. “”O que se vê hoje é o crescimento de iniciativas conjuntas entre Estado, iniciativa privada e as organizações da sociedade civil. As ONGs já realizam diversos projetos testados e bem-sucedidos, além de terem experiência e capacidade para propor iniciativas, mas muitas vezes não têm recursos suficientes. Construir parcerias promove uma união de esforços de pessoas e organizações com interesses comuns.””

O Instituto Telemar tem uma linha de financiamento a iniciativas que visem a criação de um modelo a ser replicado e busquem aproximar, capacitar e desenvolver comunidades por meio de tecnologias de comunicação. A avaliação de todos os projetos concorrentes ao Programa de Apoio, que abre inscrições em dezembro, é feita por uma comissão julgadora composta por especialistas que selecionam e destacam as melhores propostas.

Samara conta que a organização recebe os mais diversos projetos dos mais variados lugares do país. “”Dentro deste universo, acreditamos que a possibilidade de sucesso é muito grande. Para isso utilizamos critérios como avaliação de desempenho, impacto na comunidade, perspectiva de auto-sustentabilidade, diagnóstico prévio e potencial multiplicador, entre outros.””

Incentivo – O processo de financiamento da Fundação Avina baseia-se no apoio a líderes, não a projetos. “”Queremos apoiar a liderança porque a organização não é nada sem ela. Temos alguns critérios de seleção dos líderes e elaboramos o projeto em conjunto. É uma espécie de parceria””, explica Caroline da Costa, analista de projetos da representação de Brasília (DF).

Sempre que apóia um desses líderes, a Fundação oferece um valor a mais do que o necessário para desenvolver o projeto, mas que somente será entregue se o líder conseguir captar aquele mesmo valor junto à iniciativa privada brasileira. É o chamado Fundo Desafio.

“”É um prêmio para o líder que vai captar os recursos para o projeto, mas é também um esforço para que ele estimule a iniciativa privada brasileira a doar fundos para programas sociais””, conta Caroline. Com isso, além de incentivar a prática de grantmaking pelas organizações nacionais, pode contar com uma reserva de recursos para quando a parceria terminar.

Prêmio – Para identificar, sistematizar e divulgar uma série de soluções sociais criadas e colocadas em prática por diversas instituições espalhadas pelo país, a Fundação Banco do Brasil lançou, em 2001, o Prêmio Tecnologia Social.

“”Para que uma iniciativa possa ser reconhecida como tecnologia social, ela precisa ter baixo custo, fácil aplicabilidade e resultados comprovados na resolução de problemas que atinjam comunidades de baixa renda ou em situação de risco social””, explica o diretor de comunicação e marketing da fundação, José Humberto Vieira.

A cada dois anos são premiadas cinco tecnologias desenvolvidas por organizações da sociedade civil e uma realizada por empresa. Cada vencedor recebe R$ 50 mil para aprimorar e ampliar o projeto.

“”Ao ser reconhecida como tecnologia social, a iniciativa poderá ser utilizada por qualquer pessoa ou entidade interessada e o responsável se compromete a fornecer todas as informações para a replicação””, afirma Vieira.

Grantmaking requer responsabilidades de doador e donatário

Ana Toni é economista, trabalhou em diversas organizações não-governamentais estrangeiras e é a nova representante da Fundação Ford no Brasil.

Em entrevista ao redeGIFE, ela fala sobre como a crise financeira está afetando os investimentos na área social, o que as organizações devem fazer nesse período e a importância da prática do grantmaking no país.

redeGIFE – Por sua experiência internacional, quais são as diferenças que a senhora vê entre as organizações financiadoras internacionais e as brasileiras?
Ana Toni – Uma grande diferença é o tempo que as organizações internacionais já vêm trabalhando com uma relação sistemática de doação. No caso da Fundação Ford já são quase 70 anos. A maioria das organizações brasileiras faz há menos tempo e não tem tanta experiência, mas isso não significa que façam com menos qualidade. Outra diferença é que, como estão geralmente em vários países, as organizações internacionais têm a possibilidade de troca e aprendizado com essas diversas experiências. Se estamos restritos a um país, essa troca é bem menor.

redeGIFE – De que forma a crise financeira mundial está afetando o investimento social feito por empresas e organizações do terceiro setor?
Ana – Ela vem afetando bastante. Muitas fundações americanas e européias têm um endowment (fundo patrimonial) nas bolsas de valores internacionais e, com isso, conseguem financiar projetos. A crise internacional não está permitindo que algumas organizações façam as doações da maneira como gostariam. As organizações restritas a um só país têm menos dificuldades com a crise mundial, mas, em contrapartida, sofrem com a situação nacional. Normalmente, elas investem mais no setor social quando estão mais saudáveis economicamente e vice-versa.

redeGIFE – O que pode ser feito para evitar que as organizações do terceiro setor fiquem sem financiamento nestes períodos?
Ana – As organizações internacionais, quando estão com problemas financeiros, não costumam mandar seus donatários procurar outras financiadoras. Isso porque sabem que os outros doadores também estão passando por complicações financeiras. Dessa forma, o que as organizações que recebem o financiamento podem fazer é evitar alguns custos até que a situação se normalize. E nós, as doadoras, também estamos fazendo cortes internos. Assim, deve haver uma ação conjunta, ou seja, uma contenção de despesas tanto dos doadores quanto dos donatários.

redeGIFE – Podemos pensar com otimismo no aumento da prática do grantmaking feito por organizações brasileiras?
Ana – Tenho dois comentários sobre isso. Primeiro, o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, mas apesar da crise financeira e das dificuldades generalizadas há muitos setores com grandes possibilidades de doação e que ainda não estão explorados. Existe aqui um potencial de expansão muito grande na área de grantmaking. O segundo comentário é que as próprias empresas percebem as vantagens de colaborar e que há maneiras e maneiras de fazer isso. Todo mundo pode ajudar de diversas formas: com recursos para outras áreas sociais, mesmo dentro da empresa, entre outras coisas. A área de grantmaking é tão vasta que, mesmo com a dificuldade financeira, o potencial de algumas empresas em atuar nessa área não é eliminado. É uma área que vai além das verbas disponíveis e que pode ser feita com muita imaginação, criatividade e profissionalismo.

redeGIFE – A senhora falou em potenciais a serem explorados. O que pode ser feito para despertar esses potenciais?
Ana – Acho que a primeira coisa é ter maior entendimento do que é grantmaking. Isso para o público no Brasil ainda não está muito claro. O grantmaking requer responsabilidades tanto do donatário quanto do doador. Muitos vêem o grantmaking como um favor, não como uma parceria com obrigações mútuas. Acho que isso é um assunto importante, mas pouco discutido. Acredito que ainda existe espaço para se fazer isso e espero que o governo também possa ajudar, dando mais incentivos às empresas nessa área e trazendo à tona a discussão sobre os problemas sociais. E, logicamente, incentivos fiscais seriam uma grande ajuda para o setor. No caso do Brasil, as empresas não têm vantagens econômicas, como acontece em outros países, nos quais existem incentivos e isenções de alguns impostos.

redeGIFE – O que a senhora indicaria como bons motivos para uma organização nacional passar a fazer grantmaking?
Ana – Acho que o maior estímulo é colaborar para acabar com os problemas sociais e econômicos do país, o que é responsabilidade de todos. O grantmaking faz com que as empresas colaborem de maneira mais estratégica, e não apenas eventual. Muitas delas estão percebendo que isso faz parte da própria visão da empresa e estão sentindo a necessidade de criar uma fundação, de criar algum meio de grantmaking que vá além de pensar que os problemas sociais estão fora de seu âmbito. Esse tem sido um processo interessante.

redeGIFE – Algumasorganizações que já financiam projetos desenvolvem ações como prêmios e balcões de projetos para fazer a seleção daqueles que serão financiados. Quais outras ações podem ser boas alternativas para essa seleção?
Ana – Acho que prêmios e balcões são boas alternativas, desde que tenham por trás deles uma boa estratégia. É preciso saber para quê esses instrumentos estão sendo usados, o que se quer atingir, quais as suas limitações e porque elas existem. Mais importante que a própria escolha dos instrumentos é o estabelecimento de estratégias.
Antes de começar qualquer projeto é preciso parar e pensar o que se espera conseguir com seu grantmaking. Qualquer empresa ou organização que queira entrar nesta área realmente precisa saber quais são os seus objetivos. Tem que estar consciente do que se quer colher e de quais são as responsabilidades neste processo, porque não se pode parar na metade. Deve haver consciência de que podem surgir problemas, de que existem limitações e, ao mesmo tempo, ser persistente. É importante que as empresas e fundações procurem pessoas que têm expertise em grantmaking para auxiliar a formatar a área em que vão trabalhar. Assim, não se sentirão frustradas e não desistirão.

redeGIFE – Quais as principais mudanças pelas quais a Fundação Ford no Brasil tem passado?
Ana – Temos passado por diversas mudanças, mas acredito que a principal é que estamos tentando dar mais ênfase ao trabalho de investimento no potencial nacional. A fundação sempre trabalhou em prol da justiça social, mas agora pretendemos fazer um trabalho muito mais voltado diretamente aos atores sociais. Projetos que trabalhem com esses atores, que dêem bolsas de estudo, por exemplo.

redeGIFE – Soubemos que haverá a extinção do portfólio de Educação nas áreas de trabalho da organização. Quais foram os motivos para a escolha dessa área?
Ana – Primeiro eu gostaria de deixar claro que de maneira alguma a Fundação Ford está fora da área de educação. Esta é uma área fundamental e todas as outras com as quais trabalhamos têm uma relação muito forte com o mundo acadêmico, com o profissional da educação. Nós temos projetos específicos em universidades que irão continuar. O que está sendo eliminado é uma área que trabalha no sistema educacional, na participação nas escolas, que faz a parte de avaliação de professores e diretores, porque quando tivemos a necessidade de corte, analisamos que este processo já estava bastante maduro.